sábado, 29 de setembro de 2012


 

É amargo

Este café da Fnac.

 

O tecto é negro.

A sala sombria,

Apesar das luzes.

Nada consola

Feridas da alma,

Que só o tempo

Não sara...

 

Tudo me lembra

Sorrisos sem conta,

Que foram contigo

E p’ra sempre...

 

Quem mos tirou,

Foi quem mos não deu…

 

Nunca mais, irei saber,

Como tudo se deu,

Se havia ou não razão de ser,

Para que tudo fosse assim,

Como agora é.

 

Sei que um novo céu

Se abriu

E cobriu de estrelas,

Como um campo florido,

Onde só bailam borboletas

E se ouvem os gorjeios

Da bravia passarada.

 

Ó maviosa fonte de água pura!...

Nunca mais senti sede.

Minha alma deixou de ter frio,

De tão quente.

 

Ovar, 7 de Setembro de 2012

4h4m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

Ouvindo Lang Lang em SchumannTaumerei

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

sábado, 25 de julho de 2009

AO MEU NETO TOMÁS

Armei meus braços
em jeito terno de regaço.
Fitei teu corpinho breve
e um rosto lindo,
de linhas doces
tão perfeitas.

Dormias sereno.
Boquinha em arco,
sob um narizinho
de tamanho comedido.

Cabeleira farta,
longas pestanas negras
e finas sobrancelhas.

Apertei-te ao peito,
último raminho tenro,
nascido do meu tronco.
carregadinho de esperança.

Cerrei meus olhos.
Olhei o Céu.

P'rá viagem longa...
agradeci a bênção
e pedi-Lhe a protecção.

Hospital Pedro Hispano, Matosinhos
14 de Julho de 2009
14h e 27m

O Avô Luís

quarta-feira, 3 de junho de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

À beira do Mosteiro de São Gonçalo


Um largo de pedra batido de sol.
Esvoaçam pombas irrequietas
e deambulam forasteiros curiosos.

Na cortina de pano queimada da tineira,
bate brando o vento e,
a cada visitante, ela dá uma vénia,
agradecendo-lhe a visita.

Um arco pesado em volutas de pedra,
pesadas como pesadas,
são as pedras alinhadas
que tecem alto as paredes do convento.
Mais velhas que as da ponte sobre o rio lento.

Vêm-me à memória tantas horas,
felizes, do passado, distante.
De jovem seminarista,
de pai, com a família,
em férias de campista.

Tendas, cavacas, rosquilhos
e a alegria duma feira copiosa,
à sombra densa junto ao rio.

De encontros fortuitos,
colegas, directores.
O António Maria, prior,
Nunca mais vi o Sardoeira.
O Eduardo.
Era de Amarante.
Que será feito da Rosita do Lavrador?...

Amarante, 5 de Maio de 2009
11h e 40m

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Foi há uns cinquenta e tais...

FOI HÁ UNS CINQUENTA E TAIS...





Foi no dia de hoje, há cinquenta e tal anos que morreu a minha Mãe. Tinha eu uns treze para catorze anos. Os sinos tocaram como tocavam tantas vezes para funerais que eu via passar à minha porta.
O cemitério fica ali para cima uns trezentos metros. Desta vez foi a minha Mãe que partiu para sempre. Com flores, com muita gente a acompanhá-la. Ela era padeira, distribuidora de pão pelas manhãs e nisso, corria grande parte da freguesia todos os dias, Verão e Inverno e, ainda por cima era mulher do alfaiate da freguesia.

Nunca mais ouvi a sua voz, que se ouvia pouco, mesmo quando era viva. Ela ouvia mais do que falava. Relembro o seu carinho de me vir aquecer os lençóis da cama, no pino do Inverno, com o ferro de brunir, da oficina de alfaiate, antes mesmo de me ir deitar. Se o não fizesse, passaria um quarto de hora, enregelado, a aquecer. Assim, era só fechar os olhos e voar nas asas do sonho e do sono despreocupadamente, até ao outro dia para a brincadeira.

Que me diria que passadas estas cinco dezenas de anos, eu estaria aqui, a relembrá-la, com saudade, perto de Aveiro, já com mais uns vinte e sete anos a mais dos que Ela tinha quando foi a descansar...

Aradas, 27 de Novembro de 2008

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes