terça-feira, 13 de novembro de 2012


Das aves, vêm-nos grandes lições. 

Uma delas,

A quase indiferença ou antes respeito,

Pelo que nós fazemos.

Andam na vida delas.

Não interferem.

 

Se estamos distraídos e à conversa,

À mesa duma esplanada,

Nunca se metem.

Apenas querem nossas migalhas.

 Para nós, é que não prestam.

Para elas são uma festa.

 

Vêm poisar nas nossas varandas,

Fazem ninhos beirais,

Sem pedirem licença.

Mas com todo o respeito.

Um ligeiro esgar nosso de reprovação,

E eis que vão, pelo céu acima,

Batendo as asas, sem dizerem não.

 

E, quando o frio chega e já for demais,

Sobem às alturas,

E, aos bandos, lá vão contentes,

Até ao sul, buscando o sol.

São as migrações!...

 

Que fenómeno lindo…

Um lindo exemplo, de admirar.

Uma bela lição e é de mestre.

 

Zehlander, 9 de Novembro de 2012

10h2m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Sem inspiração eu sou

Violino calado

Vela apagada,

Semente dormente,

Fonte, seca,

Sem água corrente,

Ave que voa e não canta.

Estrela cadente.

 

Um palco, vazio

À espera d’artista.

 

Um sino calado,

Pendente,

Nem o vento o dobra.

Não toca.

Não serve para nada.

 

Só a vê quem a sente.

Só brilha presente.

 

É a inspiração…

Fogo ardente

Só se chora…ausente.

 

Stehglitz, 11 de Novembro de 2012,

9h19m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Como sementes dormentes,

Que se atiram ao vento

E caem no chão,

Minhas palavras voam e vão

Até onde eu não sei que vão,

Não me compete.

 

Creio no poder delas.

Porque não nascem de mim,

Vêm de quem comanda a harmonia,

Que tudo rege, sem minha mão.

Vão  com o vento,

Para onde ele quer que vão.

 

Apelo à paz,

Ao perdão,

Ao bem-fazer,

Sem olhar a quem,

A quem está ao nosso lado.

Seja qual for a cor,

O fato que veste,

A ofensa que fez,

Somos todos iguais…

 

São tão curtos os dias,

Tão poucas e fracas,

Nossas horas com sol,

Não se pode perdê-las,

Deixá-las correr,

Sem fazer o que é bom,

Muito menos o mal.

 

 

Ouvindo André Rieu, em grande concerto

 

Stehglitz, 11 de Novembro de 2012

8h41m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Quarto Domingo em Berlim

Quarto Domingo em Berlim

 

 Nasceu com sol inquieto.

Num céu pardo e cinzento.

Estáticas, indiferentes,

As árvores, de copas torradas,

 Assistem caladas,

Paradas no tempo.

 

Oiço as ausências caladas

Que me clamam de longe.

Não fico contente.

 

Torrentes de vozes

Dum povo, em coro,

Doridas, em chama,

Reclamam a justiça roubada

Por quem as pretende abafar.

 

Dormentes, ocultos,

Ninguém se levanta

De vergastas nas mãos,

Que escorrace do alto

Quem só sabe roubar,

À sombra das leis

Que eles ditam…

 

Escasseiam as horas…

Acorda,  meu Povo!...

Enquanto é tempo…

 

Stehglitz, 11 de Novembro de 2012

12h3m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Nasceu com sol inquieto.

Num céu pardo e cinzento.

Estáticas, indiferentes,

As árvores, de copas torradas,

 Assistem caladas,

Paradas no tempo.

 

Oiço as ausências caladas

Que me clamam de longe.

Não fico contente.

 

Torrentes de vozes

Dum povo, em coro,

Doridas, em chama,

Reclamam a justiça roubada

Por quem as pretende abafar.

 

Dormentes, ocultos,

Ninguém se levanta

De vergastas nas mãos,

Que escorrace do alto

Quem só sabe roubar,

À sombra das leis

Que eles ditam…

 

Escasseiam as horas…

Acorda,  meu Povo!...

Enquanto é tempo…

 

Stehglitz, 11 de Novembro de 2012

12h3m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

 

 

 

 

 
Quarto Domingo em Berlim
 
 Nasceu com sol inquieto.
Num céu pardo e cinzento.
Estáticas, indiferentes,
As árvores, de copas torradas,
 Assistem caladas,
Paradas no tempo.
 
Oiço as ausências caladas
Que me clamam de longe.
Não fico contente.
 
Torrentes de vozes
Dum povo, em coro,
Doridas, em chama,
Reclamam a justiça roubada
Por quem as pretende abafar.
 
Dormentes, ocultos,
Ninguém se levanta
De vergastas nas mãos,
Que escorrace do alto
Quem só sabe roubar,
À sombra das leis
Que eles ditam…
 
Escasseiam as horas…
Acorda,  meu Povo!...
Enquanto é tempo…
 
Stehglitz, 11 de Novembro de 2012
12h3m
Joaquim Luís M. Mendes Gomes
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

 

Se todos se derem as mãos,

Depressa chegará o fim desta calamidade infernal

Que se abateu sobre nosso Pais. 

 

É preciso união e muita força

Para derrubar esta fanfarra estéril de gaviões

Que nos engana e espolia de hora a hora.

 

Vamos pô-los na rua… já.

Vamos erguer de novo a glória deste País

Que é bom e capaz como sempre foi.

 

Basta querer.

É preciso parar esta marcha

Que nos leva ao abismo próximo.

 Invertê-la, andar para trás.

 

Para isso, distribuam-se vassouras e alicates.

Cortem-se as algemas desta prisão de escravos,

Soltem-se as amarras de quem está cativo

E meta-se nas cadeias esses vampiros todos,

De cima a baixo,

Que nos traíram e  vendilharam ,

Em seu proveito,

Ao estrangeiro.  

 

Ouvindo o concerto nº 1 paa piano de Tchaikowsky

 

Steglitz, 12 de Novembro de 2012

8h54m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

Esta miséria política e moral

Que avassalou Portugal inteiro,

Como um tornado ou um tsunami,

Vai acabar.

 

Com a união geral de quem foi vítima,

Que somos a maior parte

E que é a parte sã.

O resto é lama podre e

Excremento fétido

Que deve ser crestada ao sol,

Por essas valetas e lixeiras todas.

 

Vamos varrê-la…

Sem mais esperas…

Sem mais considerações

Ou visitas protocolares de troikas ou iguais.

 

Vamos escolher gente sã

Que pense as regras da convivência num país,

Pobre, mas já lavado e limpo

Desse lixo

E pôr-nos todos de mãos dadas,

Com o espírito nobre e luminoso ,

E o sangue forte e puro

Que herdamos dos nossos ancestrais…

A reconstruir dos escombros

Este nosso Portugal.

 

Ouvindo Nocturnos de Chopin, por Yund Li

 

Steglitz, 123 de Novembro de 2012

8h9m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Aqui vou caminhando,

Sobre estas pedras de pedra negra,

Onde tanta gente passou,

Antes de mim, sem se importar

De que viria um dia que eu viria.

Não sei onde ele vai dar.

Vou. Vou caminhando empurrado pelo vento

Que me sopra dentro,

Um furacão.

Vou seguindo

E hei-de encontrar a paz

Que busco há tanto

E não achei ainda

Porque sou eu a guerra

Que vai em mim.

 

Tudo se alcança

Se nunca se deixar de andar.

Custe o que custar.

A paz vem com luta e dor

E muita esperança

E mais a vontade de alcançar.

É só tentar.

Tudo vem para quem vai

Até ao fim.

 

Ouvindo concerto nº 2 de Rachmaninov

Steglitz, 12 de Novembro de 2012

15h30m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes