domingo, 25 de novembro de 2012

Olho lá fora
E vejo nascer
Este Domingo dormente,
Um avião da carreira
Voa no alto,
Esguio no céu,

e,

Rasteiro em mim,
Corre um rio de águas profundas
Nascido nas fragas.

Caminhou num deserto
E vai para o mar.

Procurando o verde dos campos,
Searas de milho,
Casais em flor.

À tona, vão barcos a remos,
E fartura de peixe,
Nas águas profundas.
Frescura de ondas,
Beijando as margens,
Onde vai a passar.


 

terça-feira, 13 de novembro de 2012


Devia estar aqui muito triste, onde acordei, mas não estou.

Abri o jornal e vi que Obama, lá ao longe, ganhou, enfim…

E que o meu País está à morte, mas ainda pode, tem e vai escapar…

 

Obama vai comandar aquele gigante que vai à frente,

E comanda o mundo, no bem e mal,

Apesar do mal,  é o exemplo na arte de ser país …

 

Ai, meu Portugal, pequenino e lindo, que pareces moribundo!…

Tu vais-te erguer de novo….

Ainda tens muito para revelar.

 

Tens um mar de sonho à tua volta,

Tens muita terra arada e muita serra,

Tens sol de verão, em pleno inverno,

Tens o verde e o ouro, a jorrar do chão.

Tens um povo forte e são…apesar de tudo.

 

Por seres rico e belo,

És cobiçado e maltratado por quem acolhes

Por quem tu crias e te devia amar...

 

Estou certo! Vais renascer… de novo.

 

Ouvindo “Tristeza” de Chopin

 

Steglitz, 7 de Novembro de 2012

7h32m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Praça do México, Café Krone, 8 de Novembro de 2012

 

Estou de novo neste salão-bar que bem podia ser balsaquiano,  se não fossem os belos candeeiros eléctricos pendentes do tecto em estuque trabalhado.

Há muita fidalguia neste ambiente agradável e simpático.

Tudo é harmonia e charme discreto.  Até as empregadas se evidenciam , pela sobriedade e eficiência, irradiando paz e bem-estar.

À minha frente desenvolve-se a praça larga que daqui evoca o México.

No lado de lá, à sua face, está a estação do metro de superfície que vai até ao centro de Berlim.

Tem qualquer semelhança com as linhas doces dum pagode birmanês.

 

As árvores hibernam sonolentas, quase despidas.

Dois táxis luzidios amarelados, aguardam tranquilos a próxima corrida que os aqueça…

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

Fumarolas dos Açores

 

Pelo seio dum nevoeiro cinzento

Que aqui permanece residente,

Sobem argolas brancas de incenso puro

Que se evolam e morrem perto.

 

Poços negros cravados fundo,

Fazem de turíbulos vivos

Em brasa acesa.

 

Vêm do longe oculto,

Onde mora o nada

E nunca ninguém esteve.

 

Fazem ferver como fornalha a arder.

E nas horas vagas,

Cozem cozidos dentro de sacas,

Com carne das vacas,

Como farnéis em toalhas de linho

 

Servem alegria à farta,

De sobremesa

 E, no final de tudo,

Não cobram nada…

 

Steglitz, 8 de Novembro de 2012

17h28m

Joaquim luís M. Mendes Gomes

 

Das aves, vêm-nos grandes lições. 

Uma delas,

A quase indiferença ou antes respeito,

Pelo que nós fazemos.

Andam na vida delas.

Não interferem.

 

Se estamos distraídos e à conversa,

À mesa duma esplanada,

Nunca se metem.

Apenas querem nossas migalhas.

 Para nós, é que não prestam.

Para elas são uma festa.

 

Vêm poisar nas nossas varandas,

Fazem ninhos beirais,

Sem pedirem licença.

Mas com todo o respeito.

Um ligeiro esgar nosso de reprovação,

E eis que vão, pelo céu acima,

Batendo as asas, sem dizerem não.

 

E, quando o frio chega e já for demais,

Sobem às alturas,

E, aos bandos, lá vão contentes,

Até ao sul, buscando o sol.

São as migrações!...

 

Que fenómeno lindo…

Um lindo exemplo, de admirar.

Uma bela lição e é de mestre.

 

Zehlander, 9 de Novembro de 2012

10h2m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Sem inspiração eu sou

Violino calado

Vela apagada,

Semente dormente,

Fonte, seca,

Sem água corrente,

Ave que voa e não canta.

Estrela cadente.

 

Um palco, vazio

À espera d’artista.

 

Um sino calado,

Pendente,

Nem o vento o dobra.

Não toca.

Não serve para nada.

 

Só a vê quem a sente.

Só brilha presente.

 

É a inspiração…

Fogo ardente

Só se chora…ausente.

 

Stehglitz, 11 de Novembro de 2012,

9h19m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Como sementes dormentes,

Que se atiram ao vento

E caem no chão,

Minhas palavras voam e vão

Até onde eu não sei que vão,

Não me compete.

 

Creio no poder delas.

Porque não nascem de mim,

Vêm de quem comanda a harmonia,

Que tudo rege, sem minha mão.

Vão  com o vento,

Para onde ele quer que vão.

 

Apelo à paz,

Ao perdão,

Ao bem-fazer,

Sem olhar a quem,

A quem está ao nosso lado.

Seja qual for a cor,

O fato que veste,

A ofensa que fez,

Somos todos iguais…

 

São tão curtos os dias,

Tão poucas e fracas,

Nossas horas com sol,

Não se pode perdê-las,

Deixá-las correr,

Sem fazer o que é bom,

Muito menos o mal.

 

 

Ouvindo André Rieu, em grande concerto

 

Stehglitz, 11 de Novembro de 2012

8h41m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes