quarta-feira, 28 de novembro de 2012


 
 
 
Sente-se emparedado,

Numa casa fechada e reduzida,

No meio dum bosque,

Longe do mar.

 

Dos cavalos, seus vizinhos da frente,

Sempre esfaimados,

À volta do gamelo de palha.

 

Da vasta tapada verde, sem gente.

 Com seus segredos militares.

 

Sem janelas nem varandas,

A darem, ao menos,

Para um pátio com piscina,

Nem que fosse

Em plástico azul, insuflável.

 

Da sua cadeira à secretária,

Subindo ao alto,

Sempre que queira,

A toda a hora,

E enxergar ao longe,

Outros mundos,

Outros modos.

 

Ouvir vozes frescas,

Receber prendas,

Entrelaçadas de elogios.

 

Poder voar, à solta,

Sem asas presas,

Nem coletes de salvação.

Ser senhor de ser quem é.

 

Poder escrever versos,

Como um poeta,

Fazer histórias reais

Ou de fantasia,

Como um escritor.

Como sempre sonhara ser…

   

O negrume da noite

anda lá fora arrumando tudo,

enquanto o dia dorme

e vai nascer mais uma vez.

 

A caminhada no deserto

vai continuar,

rumo ao desconhecido.

 

Viajante que só sabe

que sua vida é caminhar…caminhar

e ir vivendo como puder.

 

Só o céu e estrelas o acompanham,

noite e dia.

A terra escalda os pés.

A areia  voa ao vento

e fere o olhar que tem de esconder.

 

Há escorpiões à deriva.

E alguns cactos sós.

Há só um mar de dunas,

onde se navega a arder.

 

Às vezes, há um oásis ao longe

Que, afinal, é só miragem…

 

Ouvindo o tema do Êxodo

Zehlendorf, 28 de Novembro de 2012

5h31m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

terça-feira, 27 de novembro de 2012


Bailando no gelo

 

Dançam no gelo,

Como faúlhas ao vento.

Descrevem figuras,

Plenas de graça,

No chão e no ar.

 

Rodam sem fim,

Num abraço sadio,

Anjos sem asas,

Voando sem peso,

Irradiam alegria

Como um dia de sol.

 

Restaurante, Saray,em Wedding,

27 de Novembro de 2012

12h 46m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sexto Domingo em Berlim

Zehlendorf, 25 de Novembro de 2012
8h50m

Olho e vejo nascer este Domingo dormente, um avião da carreira vai rompendo esguio,
 
 
Armado com fé,
Sigo em frente,
Nos sendas da vida,
Sei que não vou só.

Alguém vai sempre a meu lado,
Atento a mim.
Com ar paternal.

Só preciso sentir
...
Sem Ele,
Eu não sou ninguém.

Tudo o que faça,
Pense ou diga,
Fica marcado
Com a marca que vem
Sem eu a marcar.

Sigo em frente
E sei que um dia,
Ao chegar,
Vim no caminho
Que Deus me traçou,
Nas sendas da vida.

Como agora eu sou
E sempre serei.

Basta ser d’Ele,
Por fora e por dentro.

Ouvindo André Rieu em Deus Pai

Zehlendorf, 27 de Novembro de 2012
8h13m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes
Vejo caravelas lá longe,
desfraldadas ao vento,
oiço acordes tristes
que não são do tempo.

Sonho com fadas
que viveram há muito
E me deram sonhos.

Vou a cavalo,
...
de crinas ao vento,
Trepando a trote,
Escadas dum templo.
Onde se adoram deuses
Que caíram de fome,
À espera de gente,
Que não tinham esperança,
Fartos da vida.
Corações vazios.

Semeio sementes
Levam-nas o vento,
Como faúlhas
Se vão apagar…
Debaixo da terra.
Para depois medrarem,
Árvores adultas.
Caules de pão.

Corro cansado,
Quero chegar.
Quem espera por mim
Não pode esperar.

Um lago distante,
De águas serenas,
Uma cabana ao pé
E uma fogueira a arder,
Eu sou um índio
Até morrer…

Ouvindo H.Grimaud
Em Rachmaninov concerto nº2

Zehlendorf, 26 e Novembro de 2012-11-26
9h46m
Joaquim Luís M. Mendes Gomes
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Acabou-se a guerra,
vamos para casa,
viver em paz.
Acabou-se a tormenta,
De se vivo ou morto,
Haver de voltar.

Noites de medo,
Dormindo no chão,
Cheio de cobras,
...
Veneno de morte
Como a que viria do ar.
Felizmente,
Tudo passou,
Foi dia de festa.
Voltei para o lar…

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