sábado, 1 de dezembro de 2012


Ó salgueiros bravios do rio Sousa,

Que inda corre lá longe,

E me escondestes amigo,

Naquelas banhadas furtivas,

Dos tempos da escola,

Banhos escondidos,

No meio dos milheirais de Agosto,

E em pêlo à vista,

Como Deus me pôs no mundo!...

Não vindes mais….não mais voltareis!

 

Como vos lembro,

Vertendo lágrimas,

De tamanhas saudades,

Me ardem no peito,

Fazem doer…

 

Zehlendorf, 1 deDezembro de 2012

16h09m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Vou fazer queixa de ti,

À minha Mãe

Por não me quereres bem,

Como eu te quero a ti…

 

Vou dizer como choro,

Por me dizeres que vens e não vens.

 

Ela vai-te ralhar…

E vai queixar-se à tua…

Que te há-de ralhar…

 

‘Inda hás-de chorar por mim,

Como agora eu chorei…

 

Zehlendorf, 1 de Dezembro de 2012

16h53m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


 
 
Meia dúzia de pontos amarelos à sorte,

No meio dum quadro escuro,

E o silêncio hermético da madrugada,

Mais a barreira de arvoredo negro,

Formam a barra desta noite,

Onde há pouco, desaguou o dia.

 

Tudo parou suspenso,

Como se fosse o fim.

 

Ninguém admite

Que volte a haver em chama acesa

Um permanente ir e vir de carros,

Numa senda louca,

Que parece desatinada.

 

Daqui a escassas horas, assim será….

Como sempre foi e tornará a ser.

 

É esta a maneira do homem moderno

Estar na terra.

Sempre a mexer,

Como peixes em aquário,

Agitando águas,

Porque o parar é morte,

Asfixia,

E o dia é também ele

O sol em marcha com a  terra ao lado,

Numa dança louca,

Por vezes, chega a ser macabra.

 

Meditar, contemplar, rezar…

É  tudo a excepção, cada vez mais distante.

Só se pensa, um poucp,

A duzentos à hora, ao volante,

Na auto.estrada,

Ou na carruagem veloz, dum tgv…

 

E nada mal…que assim aconteça.

Quem é que hoje, faz marcha a pé,

Olhando as estrelas?...

A caminho do seu trabalho,

Ao suave luar,

Ou no regresso doce

De voltar para casa?...

 

Ouvindo H.Grimaud, em concerto de Rachmaninov

 

Zehlendorf, 30 de Novembro de 2012

4h26m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes
 
 
 
É preciso compreender quem erra.
Todos querem a compreensão
De quem se ofende ou magoa.

Todos esperam ser perdoados.
Quando erram, sem razão.

Se ele não vem a tempo,
Vem o desespero de quem vai partir,
Sem levar o abraço
...
Que se esperou.

Ouvindo os Vangellis

Zehlendorf, 29 de Novembro de 2012




Belo é o universo onde nascemos.

Belo é o planeta que, de graça,

Nos transporta pelo universo fora.

 

Bela é a aurora

Que nos desperta vivos em cada dia.

Belo é a hora em que o astro-rei se vai deitar,

Depois da volta à terra.

 

Belo é o serão de inverno,

Em que avós e netos

Se sentam em divina comunhão,

À volta da lareira.

 

Belo é o calor daquele abraço quente

Que vem na hora da tristeza

Ou de aflição.

 

Bela é a hora da chegada a casa

De quem um dia partiu para a guerra

Ou recuperou a liberdade.

 

Bela é o abraço de dois irmãos

Que um dia ficaram desavindos.

 

Belos são os primeiros passos duma criança

E o sereno sorriso

De quem diz adeus,

Na sua hora derradeira…

 

 

Ouvindo Vangellis

 

Zehlendorf, 29 de Novembro de 2012

15h23m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012




Poucos milhares de anos hão-de passar

E toda esta força pujante

Que o mundo ostenta hoje,

Com tanta bazófia,

Será igual a estas ruinas ao alto,

Duma Grécia antiga…

 

O mundo inteiro,

Duma ponta à outra,

Será um monte de acrópoles,

Por maior que sejam…

 

Ruirão ao chão,

Essas torres e pontes gigantes,

Do Dubay ou China,

Como a de babilónia,

Feitas em pó.

 

Nem as pirâmides

Que parecem eternas,

Apontando o céu…

 

Ficarão em pó igual

Ao do faraó

Que as fez erguer.

 

Zehlendorf, 29 de Novembro de 2012

8h37m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes