quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


Bastaria uma golfada do meu sol

Para desfazer a carapaça de cinza

Que nos tapa e esconde

Nestas ruas caladas e sombrias.

 

Nem as vidraças das casas,

Tão tristes,  reflectem os céus,

Voltadas para o chão.

 

Secou-se a neve que ontem,

Brilhava na terra.

Só frias calçadas descalças,

Com pedaços e restos à espera de mais.

 

Rostos opacos,

De vultos escuros,

Vão nos passeios sem chama.

 

Nas calhas luzentes sem fim,

Rolam eléctricos que gemem de frio.
 

Por trás das vidraças,

Há mesas redondas, caladas, sem cor,

Onde se bebe o café da manhã,

Com bolas e natas.

 

Pelos ares sem encanto,

Em vez de andorinhas, 

Grasnam os corvos zangados

Da fome maldita

Que encontraram no chão.

 

E é assim, nesta manhã,

Aqui, em Berlim,

Depois do Natal…

 

Berlim,-Mitte, 26 de Dezembro de 2012

9h46m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


Às vezes, parece que ando tão só

E  às escuras,

No mundo.

Não sei para onde vou

E caminho …

 

Mas não.

Oiço vozes em mim.

 

Chamam pelo meu nome.

Como quem sabe quem sou.

Terão vivido comigo.

Parecem vir do além…

 

 Me soam tão dentro,

Sabem tudo que eu fui e que sou.

Me conhecem como ninguém.

 

E como me querem bem. ..

Basta dispor-me a ouvi-las

E nunca me sinto sozinho.

 

Berlim, 24 de Dezembro de 2012

10h02m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os factos na vida, hoje em dia, Sucedem-se, por acaso ou fortuna, Vão arrastando no caminho do tempo, Horas felizes e horas atrozes. A cada um sozinho e ao mundo inteiro. Dum modo fenomenal. Como nunca aconteceu no mundo e tempos. Tudo se sabe na hora, De todos, em cada canto ou esquina. Ficamos boquiabertos. Inauditas. Nunca vistas. Fazem-se acções Que a natureza humana Fica desfeita e desfigurada. À escala das pessoas sós E da multidão das gentes. Sem limites. Contemplações de ordem humana. Tudo se destrói. Sem olhar a quem e nada. Se desfaz e estraga, Na terra e mar, No alto do céu e fundos da terra. Destroem-se países, Como quem desfaz cortiços de abelhas . Se mente a toda a escala: É nas bolsas. É nas sinistras bancas. Onde entra e sai tanto dinheiro falso A que não corresponde qualquer riqueza…. Não há porta rica ou pobre Onde não bata. Tanta farsa…em altas escalas. Ao serviço de quem?… Ninguém sabe ao certo. Grandes exércitos. Grandes Religiões… Tudo perpassa. Os Vaticanos…as casas brancas…as realezas… Tudo se destroça e esgaça. À ordem de baixas crenças. Dos sionistas…das maçonarias… Dos rotchilds… Das mixórdias sexuais… Negras finanças… Só servem o mal… É a hora final desta babel-desgraça. Só o Criador pode pôr ponto final!… Zehlendorf, 21 de Dezembro de 2012 8h39m Joaquim Luís M. Mendes Gomes
Vejo milhões de traços negros, Entrelaçados, De braços nus de caules despidos, Regelados de frio. Elevados para os céus. Ficaram apáticos, Quando as folhas lhes caíram, De tristes, E se foram atapetar o chão. Veio a neve Em caldeirões de cal, Tudo tapou … E, agora, morreu.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Soam-me longe os lamentos De quem tão cedo partiu sonhando, Com nos ver crescer… E também os frutos que havíamos de ter. Seriam tão seus Como foram e são nossos. Para nosso regalo, Vossos retratos são… Sem o saberem. Neles vos revejo, de hora a hora, O mesmo sorrir, os mesmos jeitos, Até o tom da voz… Assim calo as saudades, Mas nunca os lamentos Que me choram na alma… Zehlendorf, 11 de Dezembro de 2012 23h11m Ouvindo O Sonho de Amor de F. Lizt Joaquim Luís M. Mendes Gomes

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


 
 
 
Foi-se embora de vez

Aquele tornado branco,

Feito de neve,

Luzindo ao sol?...

 

Ficaram tão tristes

Aqueles ramos negros,

Sem sombra,

E um chão de lama.

 

Como um cemitério

De arvoredo nu.

Onde habita a morte.

Onde o silêncio chora.

É o desalento em forma.

 

Ninguém consegue imaginar

Como era lindo…

Aquele noivado louco,

Tecido de neve…

Sempre a cair.

 

E, lá mais atrás,

Aquele arvoredo frondoso,

Vestido de verde,

Coroado de oiro,

Bailando ao vento,

Um império de sol.

Um castelo encantado,

Tapada real.

Um reino de paz.

Onde sabia viver…

E que… há-de voltar.

 

Ouvindo Serenata de Schubert-

Zehlendorf, 18 de Dezembro de 2012

8h15m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Sei que para cima deste toucado

De nuvens brancas,

O sol brilha e queima.

 

O céu azul reina e inunda os olhos

De esperança e luz…

 

Aqui, tudo é sombra fria.

 O dia nasce já cansado e triste,

Com vontade de dormir.

 

Nem o aconchego de lareira

Que aqui reina, chega

Para descobrir a manta triste

Que nos envolve.

 

Por mais luzinhas e artifícios,

Com feirinhas garridas

E fumarada acesa de salsichas,

Canecadas de vinho quente,

Por essas ruas e jardins de inverno,

 

Nada chega ao meu natal de inverno,

Com formigos, rabanadas

E o bacalhau com todos de Portugal!…  

 

Oxalá fosse igual em todos os lares…

O que não é..e aí é que está tudo mal!...

 

Ouvindo Hélène Grimaud em Sonata de Beethoven

 

Zewhlendorf, 17 de Dezembro de 2012

9h23m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes