domingo, 13 de janeiro de 2013

Como um arlequim, assustado
E perdido no palco,
Frente ao público que espera ,
Mergulho em mim e salto.
Como souber e puder.

O sangue corre nas veias,
Mesmo sem mim.
Meu coração que não dorme,
Ainda não deixou de bater,
... Sonho com o bem
Que sonho fazer.

Soltando ao vento e à sorte.
Flores e folhas , caducas.
Com cores e nervuras marcadas.
Nalgum lado, elas hão- de cair.

Alguém delas se há-de servir.

Dou-lhes todo o perfume que tenho.
Um só nunca lhes há-de faltar
Enquanto eu puder,
É o perfume da esperança.

O sol voltará a raiar.
Virão dias alegres.
E muitos dias de sonho.

Como as nuvens pardacentas,
Se desfazem aos raios do sol.
Logo vem o azul dos céus
Reflectido nas águas do mar.

Caíram sementes nos campos
Que nossas lágrimas regaram ,
Sei que por milagre,
Ou encanto,
Tudo volta a florir .

Ouvindo Hélène Grimaud em Sonata de Beethoven ao piano

Berlim, 13 de Janeiro de 2013
8h35m
Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sábado, 12 de janeiro de 2013


De repente, esta Natureza

Que parecia morta e negra de frio,

Amanheceu tímidamente, vestida

Como noiva de branco.

 

Só o toucado do céu azulado,

Reluz desmaiado, com franjas de cinza.

 

Um leve tapete,

Em casquinha de noz,

Tapa o chão, com picos de negro,

Dos restos mortais das folhas caídas.

 

Nuas e esguias, ao frio,

Se erguem as ramagens serenas

Das copas das árvores.

 

Pelas ruas sulcadas

Aavançam calados

Os carros no seu cortejo soturno e diário

Para um lado e para o outro.

 

Pelos carreiros ao lado das casas, 

Já correm alados,

Indiferentes ao frio,

Nas suas bicicletas gigantes,

Parecem andores,

Os carteiros de caky amarelo,

Distribuindo convites

Para as bodas da neve

Que está a chegar deslumbrante

E saciar toda a gente.

 

 

Ouvindo Hélène Grimaud em Adágio de Mozart

 

Zehlendorf, 11 de Janeiro de 2013

8h38m

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Sinto-me tão aflito,

Ao ouvir tanto grito

Nesta desordem

E escuridão de breu.

 

Estão dormindo os carcereiros.

Engavetam quem deve pouco.

Deixam andar à solta e opulentos

Os insaciáveis e gigantes tubarões

Que tudo devoram,  cá por baixo,

Sem olhar a quem…

 

Dormem ou fingem,

De olhos fechados

Os que deveriam ser os magnos capatazes-mor…

Encavalitados, 

Cada um em seu poleiro.

 

E, até dão uma mãozinha a abrir as portas…

E, à farta, se regalam

Com boa parte da colheita…

Desçam os anjos do céu,

 Em abundância.

Se for preciso, armados de baionetas.

Já que nem dinheiro há sequer,

Para meia dúzia de vassouras. 

Limpem, de vez,

Tanta cadeira inútil e valeta de entulho.

Despejem tudo nas lixeiras do universo…

 

E só peço a Deus

Que nova era, de paz e de justiça,

Se implante nesta terra linda e rica

Que sempre foi de gente séria e honesta…

 

Ouvindo as Valquírias de Wagner

 

Berlim, 12 de Janeiro de 2013

7h23m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


Há passos perdidos

Que não se vão encontrar.

 

Passos escondidos

Ninguém pode saber.

 

Passos em falso

Que fazem pensar.

 

Passos em dobro,

Para tudo ganhar.

 

Passos à solta

Sem ninguém censurar.

 

Passos de espera

Sem ninguém aparecer.

 

Passos calados

Que se fazem ouvir.

 

 Passos de dança,

De noite ao luar.

 

Passos à pressa,

Dão que pensar.

 

Passos-coelho,

Mas que grande filho da tróika!...

Todos detestam

E ninguém o manda calar…

 

Zehlendorf, 7 de Janeiro de 2013

20h34m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Há passos perdidos

Que não se vão encontrar.

 

Passos escondidos

Ninguém pode saber.

 

Passos em falso

Que fazem pensar.

 

Passos em dobro,

Para tudo ganhar.

 

Passos à solta

Sem ninguém censurar.

 

Passos de espera

Sem ninguém aparecer.

 

Passos calados

Que se fazem ouvir.

 

 Passos de dança,

De noite ao luar.

 

Passos à pressa,

Dão que pensar.

 

Passos-coelho,

Mas que grande filho da tróika!...

Todos detestam

E ninguém o manda calar…

 

Zehlendorf, 7 de Janeiro de 2013

20h34m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

OS PASSOS DA VIDA


 
 
Há o passo corrido,


A trote ou galope;

Há o passo travado,

Na esquina ou no largo

Que sobe ou que desce,

Em falso ou errado.

 

Há o passo dobrado

P’rá frente ou p’ró lado,

Há passos fingidos,

Em todos os cantos

E os traiçoeiros,

Onde menos se conta.

 

Passos p’ra trás.

Como o caranguejo,

Na paz ou na guerra;

Não surpreendem.

Se até a vida os dá,

Quando menos se espera…

 

E passos redondos,

Teimosos,

À volta do mesmo.

Andam, desandam,

Parecem que foram,

 

Pararam no tempo.

 

Há passos de dança,

Com par e sem par;

Na pista corrida,

Ou no sobressalto da praça.

 

Mas os piores de todos

São os passos perdidos,

Por nada e para nada,

Na vida passada:

Foi e não volta.

 

 

Perpignan, 20 de Abril de 2001-17h e 05m,

No café-restaurante – NO NAMES –à espera da Any.

Joaquim Luís Mendes Gomes

Há passos perdidos

Que não se vão encontrar.

 

Passos escondidos

Ninguém pode saber.

 

Passos em falso

Que fazem pensar.

 

Passos em dobro,

Para tudo ganhar.

 

Passos à solta

Sem ninguém censurar.

 

Passos de espera

Sem ninguém aparecer.

 

Passos calados

Que se fazem ouvir.

 

 Passos de dança,

De noite ao luar.

 

Passos à pressa,

Dão que pensar.

 

Passos-coelho,

Mas que grande filho da tróika!...

Todos detestam

E ninguém o manda calar…

 

Zehlendorf, 7 de Janeiro de 2013

20h34m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes