sábado, 26 de janeiro de 2013


Atracção fatal

 

Há uma força brutal em mim

Que me atrai e vence.

Desde que senti que vivo

E sou alguém.

Não sei donde vim

E ao que venho.

 

Só sei que sou puxado

A viver para algo

Que eu não sei,

Me chama dentro.

Quero tudo sempre,

Ao máximo,

Do melhor que há.

Fico contente ao pé

Duma simples flor,

Mesmo que murche,

Como será quem a criou

E a mim?...

Queria saber.

Se calhar,

O segredo é esse.

É d’Ele que

Essa força vem.

 

 

 

Berlim, 26 de Janeiro de 2013

9h58m

Joaquim Luís M. Mendes  Gomes

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Fases da lua…

 

 

A lua brilhou no alto, toda a noite,

Inesperadamente,

Como uma princesa rutilante e esplendorosa.

 

Num céu infindo,

Onde pairava apenas uma neblina branca e leve ,

Descrevendo cenas e figuras, 

Tão belas e graciosas,

Que a ornavam.

 

Pareciam de encomenda

Ou da mão habilidosa dum grande amante…

Que a coroava de rainha,

No seu trono de beleza.

 

Vi-a a bailar incessante,

Com um vestido longo e bem armado, 

Em lácteo fogo,

Tecido e prateado.

Refulgente.

 

 Vi-a sorrir tão contente,

Jubilosa e graciosa,

Como a noiva que está à espera da hora

Do seu príncipe encantado;

Desde sempre.

 

Vi-a ardente,

Muito solene e confiante,

A orar ao Criador.

 

E vi-a chorar,

De olhar triste…

 

Fitando nossa terra azul,

Que ela ama e serve

Como dama de honor,

Desde sempre.

 

Tão dedicada …e tão fiel.

Nunca teve outro amante!…

 

Por ver o temporal e a tormenta atroz

Que a cobre e a devora,

Nesta hora…

 

Tanta guerra fratricida…sanguinária!…

Por ninharias…

Pelo dinheiro vil  e o petróleo negro …

Como se a Terra inteira

Fosse só deles!...

 

Não da humanidade inteira

Que nela habita…

Por vontade do Criador.

 

Ouvindo Hélène Grimaud em Concerto +ara piano nº XXI de Beethoven

 

Berlim, 25 de Janeiro de 2013

6h47m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Caem sementes de neve,

Como peninhas do céu,

São faúlhas de anjos

Voam tão leves, felizes…

 

Vêm ao encontro da terra,

Sarar suas feridas,

Medicina de Deus.

 

Trazem mèzinhas escondidas,

Não se vendem na terra,

São feitas de Amor,

Prendas de Deus.

 

Caem serenas poisam no chão,

Abraçam meus passos,

Quando saio de casa,

E vou a passar.

 

Aquecem minha alma,

Que treme de frio,

Regalam meus olhos,

Como o sol a brilhar.

 

Chuvinha de neve,

Caindo ao de leve,

Um manto de Amor

Cobrindo o chão.

 

Ouvindo sons do além…música de sonho

 

Berlim. 24 de Janeiro de 2013

10h33m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Meu palácio real

 

 

Gosto de escrever nas horas mortas,

Quando todas as portas se fecham

E o mundo descansa.

 

Pego a pena

E vou pelo ar.

Rodopiando no céu.

Como um condor nas alturas,

Banhado de sol.

Vou meditando e sonhando,

Embalado nas ondas,

Suspirando saudades  

Das vozes de além.

 

Percorro os caminhos que o tempo apagou.

Até ao palácio real.

Onde moraram meus pais.

Descerro-lhe as portas.

Invado os salões.

Rasgo as cortinas dormentes

Que escondem segredos.  

Acendo os lustres enormes,

Calados há séculos. 

Escancaro –lhe os cofres,  

Para ver o que têm.

Subo ao topo da história,

Procurando as minhas raízes.

 

Quero conhecer a cadeia

Donde tudo partiu.  

Para ver se enfim,

Desvendo este emaranhado de sombras

Que me toldam a vida

E se apoderaram de mim.

Só depois, sossegarei o meu corpo,

Prostrado no chão.

 

Ouvindo  Claire de Lune de Beethoven”

 

Berlim, 23 de Janeiro de 2913

21h13m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Lembrei-me de Job…

 

Fiquei sem nada do que escrevi agora.

Este companheiro amigo

Pregou-me a partida.

 Apagou tudo.

Só meu pensamento  atónito ficou em memória.

Perplexo. Impotente.

Fiquei triste.

Gostei do que saíu.

Porque senti que era assim.

Esta falha mesmo é prova disso.

Como quem cai. Me levantei.

E aqui vou eu.

 

Comecei de novo.

Buscando no chão

As folhas caídas

Que o vento não levou.

Em cada passo nosso,

Sentimos amor e medo,

 A todo tempo.

São as duas faces.

Que a vida tem.

Como uma  moeda corrente,

Nem sempre forte.

Quem a emite e lhe dá o valor

Não somos nós.

A cotação final vem

Do que fica para trás.

De bem e mal.

Queremos viver.

Vamos em frente.

Sempre com a sombra do limite

De cada passo.

E do fim final.

Por certo, irá chegar. Seja bom ou mau.

 

Vamos de pé.

Podemos cair.

Quereríamos voar.

Nossos olhos olham o infinito.

Não temos asas. …

Como formiguitas.

Presos ao chão.

A gravidade nos prende.

É condição.

 

Uma riqueza temos.

Plena de força.

Cresce connosco.

Desde o começo.

Vai bem cá dentro.

Quanto mais forte

Mais segurança dá.

É a força de amar.

Começando em mim

Acabando em ti.

 

Ouvindo Hélène Grimaud em 4º concerto de Beethoven

Berlim, 23 de Janeiro de 2013

8h16m

Joaquim Luís M.Mendes Gomes

 

 

 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Jardineiras


Dependuradas sobre o corrimão
Da varanda alta,
Que dá para a rua estreita
Do Bairro Alto,
Ao Calhariz,

Pendiam flores em vasos,
De muitas cores.
Ouviam as varinas e seus pregões…
Tão felizes, brilhando ao sol, ~
Soltavam sorrisos a toda a gente,
Alfacinha ou não…
Querem sair…vir passear,
Pelas ruas,
Como as pombas vadias
Que ali voavam.
Eram tão felizes!...

Ouvindo Vocalize de Rachmaninov

Berlim, 22 de Janeiro de 2013
9h15m
Joaquim Luís M. Mendes Gomes

domingo, 20 de janeiro de 2013


O Rio da Vida

 

 

As sementes vêm de nós

Como o pão nasce da terra.

As ideias nascem em nós

Como vento livre

Que sopra e vai mundo fora.

 

Nossa vida é um rio

Que desliza sempre

Sem conhecer o rumo.

 

Ora se espraia e esborda

Ora é fio de água

Leva a vida à sua frente.

 

Banha e alegra

Quem se abeira e mergulha nele.

Reverdece os campos.

Se orna de frondosas árvores.

Com ninhos

Nos seus segredos.

 

Origina pontes

Que unem as gentes

Como irmãos separados.

Mas vivem de frente.

 

Tem cardumes,

Rio abaixo, rio acima,

Em plena liberdade.

 

Não há sendas nem ruinas.

Há espaços largos nas planuras.

Dão tempo para as redes

E o repouso nas suas margens.

Oásis verdes.

 

Olhando o céu.

E seguir viagem.

Como a água do rio,

A vida corre.

Longa ou breve.

Não volta atrás.  

Vai em frente

E nós atrás.

 

Ouvindo H.Grimaud, em sonata de Beethoven

Berlim, 20 de Janeiro de 2013

6h27m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes