sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Que lindo quadro belo!...

 

 

Um quadro belo,

Carregado de letras brancas.

 

Linhas pretas, fundas,

Cheias de notas brancas.

 

Muitos cachos dourados,

Repletos  de mantas negras.

 

Muitas hastes negras

Erguidas a reluzir

Sobre um céu de prata.

 

Manta de prata a arder,

Com largos laivos de sol.

 

Tantos farrapinhos breves

A se desprenderem da neve,

Tristes,

E vão para o chão.

 

Que linda tarde leve e clara,

Faz lembrar a leveza dum véu.

 

Que quadro tão belo…

Como só Deus pintou.

 

Berlim, 8 de Fevereiro de 2013

15h04m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Pesadelo…

 

Tremendos dias foram passados.

Tudo ardia ao me redor.

Ficaram cacos e traves negras.

Dum castelo de luz erguido lá no alto.

Onde habitava.

Parecia firme sobre rocha.

 

Um vendaval tremendo.

Uma chuva de raios

Caída do céu,

inflamou tudo. 

 

Durante dias, houve labaredas…vivas…

Em tropel. Que se apagaram.

 

Ficou o rescaldo a fumegar.

Ninguém na terra, me acudiu….

Tudo correu na escuridão da solidão.

 

Foi preciso gritar aos céus.

Lá do alto, vieram logo,

Legiões de anjos bem munidos.

 

Uma chuva de graça

Choveu  em força

Sobre aquele desterrado em ruina ….

Daquelas pedras negras

Tisnadas de fumo,

Nuas ao vento,

 

Daquele espaço morto

Arrasado em destroços,

Como por artes mágicas,

Que ninguém entende,

Se ergueu de novo outro palácio.

 

Agora, cheio de portas e janelas largas,

Um telhado alegre, 

Até aproveitamento solar tem…

Há salões de luz.

Há camarins -damasco.

Uma cozinha ampla  em brasa, 

E uma bandeira desfraldada ao vento

No ponto mais alto.

 Há clarins que tocam,

Ao raiar do sol.

A fartura inunda o celeiro

E há gente de fora e longe

Que vem e vai…

Saciado…com tanta abundância

De amor e paz…

 

Ouvindo Hélène  Grimaud em concerto nº 2 de Rachmaninov

 

Berlim, 8 de Fevereiro de 2013

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

No nosso tempo…

 

Eram assim os do nosso tempo.

Irradiavam alegria,

Sem mesclas de xim-frineira. 

Na letra e na melodia.

Cheiravam a jardim e campos lavrados.

Com girassóis abertos.

E ramadas de uvas pretas e gordas. 

 

Os caminhos de terra eram veredas, 

Onde também corria a água da chuva.

Em liberdade.

Cavando sulcos. Como nervuras.

Eram mensagens de amor.

 

E havia bardos de amoras negras

Pelos silvados.

Ninhos de cucos. 

Havia rolas e cantares do galo,

Ao raiar da aurora.

 

 Havia arraiais de luz e cor.

Ao redor dos santos.

Bandas de música em desafio.

Havia foguetes com muitas grinaldas.

Em vez dos festivais aéreos,

O roncar das motas,

Com piruetas horrendas

Só fazem barulho.

Não servem para nada…

 

Ouvindo José Cid…

Berlim, 7 de Fevereiro de 2013

10h27m

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

No nosso tempo…

 

Eram assim os do nosso tempo.

Irradiavam alegria,

Sem mesclas de xim-frineira. 

Na letra e na melodia.

Cheiravam a jardim e campos lavrados.

Com girassóis abertos.

E ramadas de uvas pretas e gordas. 

 

Os caminhos de terra eram veredas, 

Onde também corria a água da chuva.

Em liberdade.

Cavando sulcos. Como nervuras.

Eram mensagens de amor.

 

E havia bardos de amoras negras

Pelos silvados.

Ninhos de cucos. 

Havia rolas e cantares do galo,

Ao raiar da aurora.

 

 Havia arraiais de luz e cor.

Ao redor dos santos.

Bandas de música em desafio.

Havia foguetes com muitas grinaldas.

Em vez dos festivais aéreos,

O roncar das motas,

Com piruetas horrendas

Só fazem barulho.

Não servem para nada…

 

Ouvindo José Cid…

Berlim, 7 de Fevereiro de 2013

10h27m

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

Meditação…

 

Curvo-me humildemente,

Diante da Majestade suprema deste mundo belo

Governado por harmonia,

Apesar das nuvens negras,

Que por vezes, toldam o céu.

 

Tantas sinfonias de beleza extrema

Se erguem incessantes 

Por esses mares e serras,

Medonhos,  com crateras,

Cataratas, himalaias gigantes

E covas fundas de cavernas

Como a de Mindanau.

 

São casebres de loucura.

Povoados de reinos ocultos,

Onde a beleza imperial

Nunca saíu.

 

Por mais voltas e reviravoltas, 

Revoluções e convulsões,

Que o planeta tenha…

 

Aquele céu sem fim,

Cheio de estrelas,

Num cortejo belo,

De estarrecer.

Aqueles luzeiros ,

Calmos, soberanos,

Sem luz própria

Que revelam a alma viva e permanente

Deste universo em chama

Sempre acesa.

 Aquelas vagas solidárias

Que se levantam prontas,

Quando o nefasto se desprende,

Algures,

Sobre as gentes indefesas.

As preces silenciosas daqueles… tantos,

Que, na sombra e com silêncio,

Se retiram voluntariamente,

Sem notícia de jornais,

Deste mundo buliçoso e atraente,

Para se oblarem

Numa vida plena de oração…

 

A alegria quase divina e universal

Que sentem as mães heroínas,

Ao despontar dum novo filho…

 

O rodar do tempo, comboio alado,

Quase eterno e vertiginoso,

Que não pára,

E , de graça, nos transporta a todos,

Lado a lado…sem distinção,

Numa viagem bela e com destino…

Ouvindo Hélène Grimaud em

Berlim, 7 de Fevereiro de 2013

8h8m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

É no silêncio…

Por acaso, alguém já reparou
Como nascem da terra
Essas árvores gigantescas,
Como embondeiros,
Que nos encantam de sombra e verde!…

Como elas são tão miudinhas,
Quando caem do alto,
Se escondem no chão.

Em silêncio, tudo que têm dentro,
Parece o nada,
Começa a multiplicar-se, certo
Segundo a lei…

Numa torrente sem fim,
Que descobre a sua marcha,
De olhos fechados..
Sabendo exacto por onde seguir.
Vencendo os obstáculos
Que a queiram impedir,
Sem perguntar…

Uma força descomunal e infinita
A empurra …e guia.

Rasga a terra negra que a cerca,
Sobe, vem e começa a erguer-se ,
Ao ar,
Abrindo os bracitos,
Ousando ir sempre…,
Alargando os pés,

Engrossando o tronco e os braços,
Cada vez mais,
Arrostando o vento,
A chuva e frio agreste.

Abre janelas , com exactidão de mestre,
Para entrar a luz e o respirar.

Cada dia fica maior.
Nunca mais pára

Até chegar a ser aquele gigante
Altivo e humilde,
De muitos braços abertos
E que dá flor…

Ouvindo Hélène Grimaud, em Adágio de Mozart

Berlim, 6 de Fevereiro de 2013
Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Movimento

 

Com movimento vem o vento.

Desaparece o pó

Que tapa a luz.

Abrem-se janelas

Que dão para o mar.

Fazem-se festas de amor,

Que alimentam a vida.

Vestem-se os corpos

Sempre bonitos

De graça e som.

 

Tudo brilhante.

Na escuridão.

Venham tornados

De amor e luz,

Ao tom da paz.