sábado, 16 de fevereiro de 2013


Contemplação…

 

Tremo da cabeça aos pés

Ao escutar este hino

A fuga da morte à vida,

Lá muito atrás.

 

Arrepiam-se-me

Os poucos cabelos,

A maioria brancos,

 

Só pensar

Que tudo foi

E é verdade,

Neste mundo

Finito e universal.

 

Sem suor e lágrimas,

Não há vida

Nem há sonho

Que valha a pena …

 

Não é no pântano

Que nascem as rosas,

Mas nos campos lavrados

Que o sol faz.

 

Tudo vem de cima.

Só é preciso levantar os braços

E  olhar o céu…

 

É lá que as estrelas brilham

E só uma delas  

É o nosso sol…

 

 

Ouvindo a canção “Êxodo”

 

Berlim, 16 de Fevereiro de 2013

10h37m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

A vida é um Everest…

 

 

Há quem nasça e viva

Para alcançar o Everest.

 

Há quem venha ao mundo,

Por bem

E passa a vida a destruir.

 

 Quem tudo tenha

Sem nenhum suor.

 

Quem nasça em berço d’oiro

E viva em palácios de sol,

Mas morre sem dar fruto.  

 

Os que nascem

Para mandar nos outros

Com regras suas

Que nunca adoptam.

 

Quem cante de manhã à noite,

Como um rouxinol,

Sem cuidar saber do mal

De quem ao lado sofre.

 

Quem só sabe cobrar dos outros

Mas nunca paga o que deve.

 

E os que só se lembram dos amigos,

Nas suas horas de insucesso.

 

Quem se alegre com a má sorte

De quem lhe bata à sua porta…

 

Todos esquecem

Que só se alcança a felicidade,

Depois de alcançar a pulso seu

E que a vida é um everest…

 

Ouvindo Vuja Wang em Scriabin

 

Berlim, 16 de Fevereiro de 2013

Joaquim Luís M. Mendes Gomes  

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013


Do campo de ruinas…

 

Passa por mim uma força oculta tal

Que me conforta e me levanta sempre,

Quando tudo parece desmoronar…

A força da vida é tão forte que,

Mesmo da cinzas e lava dos vulcões

Renasce e reverdece,

Cobrindo tudo à volta de savana.

 

É assim, não por nós,

Mas por quem a lavra e a semeia.

Melhor lavrador não há

Que o próprio Criador….

 

Não há desertos.

Não há campos da morte

Que Lhe resistam.

Sua luz invade os corpos,

Por mais empedernidos e graníticos.

 

Florescem sempre,

Das ruinas…

Em tons de alegria e esperança,

Como campos coloridos de flores.

 

É assim…porque Ele quer…

Para quem O quiser…

 

Ouvindo Lang Lang em Liebestraum

 

Berlim, 16 de Fevereiro de 2013

8h26m

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Encanto final e sem fim…

 

 

Vivo arrebatado

Por uma suave e excelsa melodia,

Sem termo.

 

 Quando parece acabar,

Se renova em toadas diferentes,

Cheias de luz e de sombras,

Tecida de encanto,

Vindo de Alguém

Que me deu ser

E espera por mim…

 

Pode chover pode nevar,

Tempestade no tempo,

Na terra e bo mar,

De fora e de dentro.

Sei que ao lado,

Caminha comigo,

Sempre atento,

Quem me diz o caminho a tomar.

Em cada momento. 

Se pareço perdido. 

Num caminho sem fim.

Nem hora final.

Nenhum tumulto,

Externo, interior,

Me fará vacilar,

Voltando para trás.    

 

A certeza e a esperança

São o fogo sem fim

Que a graça d’Alguém me acendeu

Com valor

E espera por mim...

 

 

Ouvindo Hélène Grimaud tocando Bach

 

Berlim, 15 de Fevereiro, de 2013

6h01m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Só se vive uma vez…

 

Sinto que a vida me escorre depressa.

À beira do fim..

Não me deixa saborear e viver,

Como deveria de ser.

 

Ainda há pouco a juventude raiou  

E a tarde assomou sem aviso…

Que andei eu a fazer? 

Sinto um vazio cá dentro.

Parece que andei a dormir.

 

 Oh, se eu pudesse voltar ao começo!.

Tudo seria inverso.

Só haveria de olhar

Para o que é lindo e vale.

O resto que tanto me tirou,

Deitaria para o chão

E deixaria morrer.

 

Ouvindo Polonaises de Chopin

 

Berlim, 14 de Fevereiro de 2013

11h07m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Suspiros de amor

 

 

Quisera eu saber de cor

A bíblia inteira para rezar.

 

Uma caneta de ouro,

Que fosse capaz de escrever

Um poema tão belo,

Que fizesse chorar todo o mundo,

De alegria e de paz.

 

Uma espada de luz

Capaz de vibrar golpes tão fundos

Que fizessem sangrar

Os corações empedernidos,

Carregados de ódio,

Só sabem doer.

 

Uma lira de cordas,

Que o vento vibrasse,

Toadas de inverno,

Verões de luar,

Almas sofridas

De tanto sofrer…

 

Um raio de sol

Que fosse capaz,

De partir em estilhaços

Os penedos que mandam

Com fome voraz.

 

Faria cantar

Hinos de esperança,

Em vez dos estrondos mortais,

Nos teatros de guerra…

 

Semearia abundantes,

Em todos os campos,

Carradas de amor

Que matasse de vez,

A fome no mundo.

 

Ouvindo Sonata Moonlight de Beethoven

 

Berlim, 9h13m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Este reino de Deus…

 

Vêm-lhe do fundo

Clamores tão profundos,

Raiados de luz e de fogo,

Que enchem o mundo…

Com labaredas de amor,

Que chegam ao céu.

 

Uma chuva de estrelas,

Caindo na noite,

De noite ao luar,

Dançam de graça,

Toucadas de luz.

 

Cambiantes de sons

Tingidos de sangue,

Clamam justiça,

Para quem não a tem.

 

Há tanta fome escondida,

Diante dos pais,

Com salários de fome

Ou sem trabalho a fazer…

 

Neste mundo de Cristo,

Cheio de ouro e de pão,

Reino de Deus,

Entregue às mãos,

De quem não tem coração…

 

Ouvindo Luís Armstrong

 

Berlim, 14 de Fevereiro de 2013

 

8h37m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes