sábado, 9 de março de 2013


Mundo infernal

 

No coração da gente

Cabe o mundo inteiro.

Basta querer.

 

Quem acorda

Em cada dia de sol,

É só abrir os olhos

E ver como é lindo

Se olhado com amor.

 

Basta querer amá-lo

Até morrer.

 

Quando durmo,

Por vezes, sonho que estou num mundo feliz,

Onde toda a gente é alegre

E vive contente.

 

Quando tudo brilha e canta,

ao meu redor...

Assim, seria tão bom viver.

 

Mal acordo, fico a chorar,

Ao ver a guerra e o mal,

Como mostra a tv...

É o mundo infernal.

 

Avanca, 9 de Março de 2013

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes


Praça geral do facebook

 

 

A toda a hora chegam à praça

Forasteiros de origem diversa.

De longe ou de perto.

Com um farnel a oferecer.

 

Vêm para festa do convívio.

Pode ser fraterno.

Sadio ou mordaz.

Cada um traz o que traz.

Cada um péga o que quer.

Guarda ou rejeita.

Conforme lhe apraz.

 

Ideias diferentes.

De espaços ausentes.

Ficariam esquecidos.

Mercado gratuito,

Sem moeda de troca.

 

Há riqueza que passa ao alcance das mãos.

 Pegar ou largar.

 

Há caminhos cruzados,

Sem hora marcada.

Espaços abertos à porta fechada.

Horizontes abertos

A quem procura encontrar.

 

Encontros secretos que nunca seriam.

Consolos de cor sem preço marcado.

 

Um reino de sol numa praia deserta.

Um recanto de luz

Sem trancas nas portas…

Entra quem quer.

 

Ouvindo Lang Lang em concerto nº 2 de Rachmaninov

 

Ovar, 9 de Março de 2013

1517m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Amigos Sempre…

 

Deveria ser este o refrão universal

Cantado por todo o mundo

Que só é belo,

Olhado com olhos de amor.

 

Os do ódio e do mal,

Fazem dele um inferno…

Só de mãos dadas

E corações a arder,

De amizade pura e alegria,

Merece ser palmilhado de lés-a-lés.

Desde o seu ventre

Até às alturas lá das estrelas…

 

O mundo é bom e maternal.

Tem pão e vinho à farta

Para toda gente.

Desde que a mesa seja posta e aberta a todos.

 

Sem discriminações de cor ou pele.

As diferenças certas e ponderadas,

Até fazem bem.

Fazem de estímulo a quem caminha,

Uns mais depressa e bem

Do que outros.

Conforme o tamanho dos seus passos.

E a força do seu abraço …

Mas para o bem de todos…

Assim fosse!...

 

Ouvindo

André Rieu em “ Amigos para Sempre”

 

Ovar, 9 de Março de 2013

8h39m

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sexta-feira, 8 de março de 2013


Tudo joga a meu favor

Se me disponho a caminhar,

E correr mundo,

Novas gentes, gentes diferentes,

Outras mentes,

Outras formas de ser

E de viver.

 

Às vezes, somos folhas quase-secas

Que vagueiam vivas rio abaixo.

 

Encalham e ficam jazentes.

Até à morte.

Tudo parado.

Nada a mexer.

Vêm as teias de aranha.

Vem a poeira e vai-se o sol.

Até parece que não há mais nada.

Está tudo acabado…

 

 Mas não é assim.

Há tanta coisa bela encoberta.

Nas nossas mentes.

Novos ventos, novos ares,

Para vir ao de cima,

Tanta verdura e cheiro a jasmim.

 

Novos sorrisos. Novas caras.

Outras formas de ser.

E o que parecia sem cor,

Volta a nascer, com outro brilho.

De fazer viver…o que parecia morto.

Vale a pena correr mundo.

Ficamos mais ricos,

Sem empobrecer.

 

Ouvindo concerto Aranguês por John Willians

 

Ovar, 8 de Março de 2013

15h10m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

A marcha da vida…

 

 

De capítulo em capítulo,

Se vai lendo e escrevendo

O livro da nossa vida.

Umas vezes, com sol,

Outras,em sombra sombria  e escura.

Mas, a vida é um rio breve ou longo,

Que não pára.

Tem um começo e um destino.

Vem dum cume,

E seu fim é o porto ,

Ou um ramo doutro rio irmão,

Com mais forças para chegar.

 

Sempre se alcança

O que se quer do fundo do coração,

Se for bom…para crescer.

Se não, a força centrífuga,

Natural em nós,

Há-de lançar fora,

Como lixo, na valeta,

Ou no sótão, para esquecer

E para relembrar.

 

Ouvindo Adágio de Albinoni

 

Ovar, 8 de Março de 2013

8h24m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

domingo, 3 de março de 2013


Olhando para trás…

 

 

Encho meu peito de ar

E fito ao longe os dias lindos

Que se abriam na minha terra,

Cada manhã.

 

Quando a aurora nascia

Ao toque sublime das “trindades”,

Multiplicado em coro,

Pelas aldeias ao redor,

Num gesto certo

De quem sabe

Que não tem em si a razão de ser.

 

Gratidão era o céu azul

Que tudo alumiava,

Desde o nascer até ao morrer.

 

Quando, as pessoas se saudavam a sério,

Ao passar,

Tirando o chapéu,

Com um “ Deus o salve”…meu senhor!...

 

E nós meninos, pelos caminhos,

Pedíamos a bênção aos maiores,

Mesmo desconhecidos.

Que nos respeitavam como meninos…

Que já foram.

 

Quando os filhos já casados,

Tudo faziam para se encontrarem na casas dos pais,

Com seus filhinhos, aos Domingos,

Depois da hora do almoço…

 

E ali ficavam, em família,

Tantas vezes até às tantas…

Em alegria pura e abençoada…

 

Ó tempos lindos…

Por que choro…

E não mais vi…

E cada vez mais se afastam do meu olhar!...

 

Ouvindo Hélène Grimaud tocando Bach

 

Berlim, 4 de Março de 2013

7h7m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

Conquistas perdidas

 

Se tudo tivesse corrido bem,

Depois de Abril,

Hoje seríamos um País feliz.

 

Cantinho de verde e mar.

Com muito sol.

Montanhas de neve.

Searas de trigo.

Muito vinho

E eiras ao sol.

 

Mas, vieram uns abutres

Da união da Europa.

Derramaram o mal.

Coalharam o solo.

Fizeram sopa de pobres

Manjares de príncipes.

Grandes cabrões.

Esses estupores felinos.

 

Com a permissão do rei

E os braços abertos

De quem nós escolhemos

Para mandar na gente.

 

Ó democracia vil!

Ó democracia de fel.

A que nós fizemos!...

Ou nos tocou!...

 

Ouvindo André Rieu, em Conquistas do paraíso

 

Berlim, 3 de Março de 2013

17h14m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes