segunda-feira, 25 de março de 2013


Pena da morte…

 

Estremeço ao pensar que meus olhos

Se hão-de fechar para sempre.

 Sem mais acordar.

Deixar de olhar este mar da Ericeira…

As nuvens no céu…

Sempre a bailar…

Paquetes de luz…

E o sol a brilhar.

 

Campos relvados ,

Montanhas de cor.

 

Pássaros em bando,

Sempre a cantar.

Vinhas com vinho,

Sempre a jorrar.

 

Praias de sol,

Fogueiras a arder,

Na sombra das tendas,

Com a brisa do mar.

 

E os comboios em festa,

Subindo a serra,

Como rios de amor

Correndo para o mar.

 

Florestas em flor,

Carregadas de vida.

Escondendo segredos,

Como tesoiros de ouro,

Num silêncio total.

 

Tempestades medonhas....

Parece que o mundo acaba

E dão em bonança…

Tenho pena que a vida

Não seja eterna!...

 

Ouvindo trompete…

 

Mafra, 25 de Março de 2013

16h05m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Lembrando o passado..

 

Guardo na minha memória,

Como um tesouro de oiro,

Lembranças de sonho

Dum futuro risonho.

 

Quando esperava pela feira de Maio…

Toda a gente corria para a feira de Maio!

E a pequenada em flor

Podia subir à vontade

Pela cerejeira carregada em festa,

Tantos ramos à mostra.

Era só trepar e comer e comer...

 

Apertar bem o cinto

E abarrotar de cerejas,

A camisa por dentro,

Até aos sovacos…

Depois era a festa de comer e fartar…

 

E aqueles morangos gordões

Por trás das muralhas,

Cobertas de cacos de vidro…

Da dona Efigénia!...

Nem a matilha de cães

Que andavam à solta…

Nos fazia tremer…

 

E aquelas uvas de mesa

Só para fidalgos comerem…

Podiam borrá-las com bosta de boi…

 

Havia uma bica de água sempre a correr.

Depois de lavadas…ó que farnel!..

 

Não havia aipades…

Nem playstations de cor…

Só a liberdade do vento,

Que nos fazia voar.

 

Bendita infância de oiro

Que tanto sorria…

Promessas dum sonho

Que morreu ao nascer!...

 

Ouvindo Alleluia deHaendel…

 

Mafra, 25 de março de 2013

14h e 34m

Joaquim Luís M. Mendes gomes

domingo, 24 de março de 2013


Outro mundo…

 

Quem não quereria ver

um mundo diferente

do que temos agora.

Se findassem as guerras.

Houvesse trabalho para todos

em todas as partes da terra.

Que o mundo todo fosse primeiro mundo.

Não houvesse segundo e terceiro.

 

Houvesse riqueza. Alegria.

Com campos e hortas lavradas.

Florestas selvagens,

Cheirando a perfume.

Que os ventos soprassem

Balões de oxigénio lavado,

Das fumaradas do forno,

Que as neves dos polos

Permanecessem eternas,

Sem buracos de ozono.

E os mares oceânicos

Fossem apenas um universo estrelado

Com fartura de peixes.

 

Cada um pudesse ser quem é,

Como nasceu para ser.

E fizesse o que é capaz de fazer.

 

Que alturas atingiriam todos

Com o esforço de todos,

Num mesmo sentido.

Nem a força do tempo a fugir

Seria capaz de esbater a saudade

Que deixa quem parte do mundo feliz...

 

Ouvindo A sinfonia do novo mundo de Dvorak

 

Mafra, 24 de Março de 2013

7h23m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sábado, 23 de março de 2013


Sonho improvável…

 

Queria para sempre

Fechar estas torneiras

Que jorram torrentes de mal,

Num mundo belo e sereno.

 

Onde chilreiam as aves

Com liberdade total.

Onde crescem as flores,

Com ar de princesas.

Onde correm à solta e ao sol,

Cavalos alados de crinas ao vento.

 

 Onde fumegam lareiras acesas,

Como favos de mel.

Quero cantar hinos de amor,

Numa serra perdido,

Sem lobos que me queiram comer.

 

Quero ter esperança

Que a bonança há-de vir…

Depois da tempestade passar.

E mandar para o inferno este império de mal…

 

Ouvindo Chopin, em Nocturnos

 

Mafra, 23 de Março de 2013

14h38m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Meu cachimbo dourado

 

Acendo meu cachimbo estrelado

E vejo as estrelas bailando no céu.

Dormindo a sesta,

À espera do rei.

Imperador do sol.

 

Levo comigo sonhos.

Oriundos doutros mundos.

Ocultos.

Traves mestras do meu caminhar.

 

Raros são os que me acham perdido.

Sempre encontrei amizades, na escuridão.

Pirilampos mágicos

Que só se revelam no escuro,

Quando os olhos deixam de ver.

Janelas abertas à brisa dum mar de sonhos…

Imenso e infinito.

Aves canoras como uma chaminé a arder.

Lareiras de natal,

Com fogos divinos.

Rouxinóis alados,

Que não podem voar.

Espaços perdidos

Num deserto em flor.

 

Quem me dera ouvir só mais um fado

E depois dormir…

 

Ouvindo Chopin

 

Mafra, 23 de março de 2013

14h05m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sexta-feira, 22 de março de 2013


Café da Manhã

 

Tilintam as chávenas do café.

Zumbe a máquina de o moer.

Ferve em brasa a bica que sai da bica.

Soam sem alma, cantos no ar,

Só para distrair.

Por encomenda de quem só quer ganhar

E pouco perder ou dar.

 

Já não se ouvem as canções douradas

De vozes sonoras,

Com timbre de sino,

Como sereias

É tudo um embrulho

Para só olhos verem,

Sem fogo a arder.

 È a vida moderna

Que tem mais de pobre

Que rica,

Embora não o queira ver…

 

Café Castelão em Mafra, 22 de Março de 2013

11h13m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes