domingo, 7 de abril de 2013


Cumpri um sonho..

 

Fui de Ovar a Amarante, almoçar.

Aquela vitela assada

Ainda ressumava a erva fresca,

Pura e verde…

Aquele vinho tinto

Ainda cheirava a uva gorda…

Aquelas batatas crestadas em brasa,

Cheiravam a terra…

Aquele pão de ló,

Tão amarelinho,

Cheirava a ovo…

Aquele rio bravo

Corria à solta,

Inofensivo,

Sob a janela.

 

Nem a chuva grossa

E a ventania agreste

Me estragaram a festa…

Dum passeio enlevo

Que me era um sonho

E vivi em família.

 

Ovar, 7 de Abril de 2013

16h22m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 
Ich erfüllte einen Traum.

Ich war von Ovar das Amarante, zu Mittag zu essen.
Diese gebackene Färse
Noch das kühle Gras ressumava,
Rein und grün…
Dieses Wein tinto
Noch roch es die fette Traube…
Jene Kartoffeln rösteten in der Phasenkohle,
Sie rochen das Land…
Dieses Brot von ló,
So amarelinho,
Es roch das Ei…
Dieser tapfere Fluß
Es lief bis gelöste,
Harmlos,
Unter dem Fenster.
Noch starker Regen
E das ventania ödland
Ich hatten sie ruiniert die Partei…
Von einem schlendern enlevo
Das ich war es ein Traum
E-I lebte in der Familie.

Ovar, 7 von April von 2013
16h22m
Joaquin Luis M. Mendes Gomes

sábado, 6 de abril de 2013


Nem sonho, nem utopia…

 

Se, mesmo com o chumbo

Do Tribunal Supremo,

Este governo e presidente,

Que estão acorrentados

Aos  mesmos tiranos

Do capital,

Podem ir marcando o dia…

A saída disto…

Só pode ser um triste funeral.

 

E, mesmo que outro governo venha,

Com pêésses…ou com pêcês..

- As mesmas peças …

Os mesmos vícios…

Será à mesma igual…

 

O caminho é:

-Parar tudo e ver.

- Imitar a o que a Islândia fez,

 

Varreu o chão…lavrou a terra

Lançou sementes novas

E tudo germinou, em força,

Como se pode ver.

 

É só querer…

 

Ouvindo “ Sonho de Schuman”

 

Ovar, 7 de Abril de 2013

8h50m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

Sublime fascinação…

 

É impossível vir à Torreira,

Mergulhar nesta floresta imensa,

De beleza intensa,

Que a ria tem.

 

Ver chegar tantos barquinhos tenros,

Em casca de ovo,

Cheios de mariscada fresca.

Ainda a estrebuchar…

 

Os cavadores do mar,

De olhos luzentes,

Sem patrão à espera,

Já ganharam o pão do dia,

Na fartura que a natura dá…

 

E, lá muito ao longe,

Lá nas alturas,

Uma muralha cinzenta e alta,

Embrulhada em tule,

Protegendo as gentes pacatas

Da nortada agreste.

Como é bela esta manhã de sol

Que o abril nos dá!

Uma Primavera em flor…

 

Bar na Torreira, junto à Ria, 6 de Abril de 2013

10h47m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Seara de pão...
 
 
 
Queria semear meus versos

Numa terra lavrada.

Limpa de pedras. Sem restos de ervas,

Sobretudo daninhas.

 

Quero ver verdejar uma seara de pão,

Pronto a comer,

Em todas as casas,

Contra esta fome que grassa

Sem razões para tal.

 

É tamanha a força da vida ,

Por mais que a ataquem,

Resiste..resiste e sorri…e sorri…

Sem perguntar se queremos sorrir.

 

Quero entoar loas de graça

Pelo milagre do sol e da chuva,

Pela brisa do mar

E pelo sol que se põe..

Mas volta a nascer…

 

Quero bailar, correr e saltar,

Como um gamo à solta,

Pelas encostas da serra,

Neste quadro de sonho

Que me põe a chorar…

 

Ouvindo Albinoni, em ADÁGIO

 

Ovar, 6 de Abril de 2013

8h27m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sexta-feira, 5 de abril de 2013


O saquinho de nozes…

 

Como de costume, fui com minha mulher tomar o pequeno almoço ao café “Castelão” aqui no centro de Mafra.

Um café amplo, airoso, familiar. Uma clientela simples. A habitual. As caras já são todas familiares. Tem mesas de quatro e de duas pessoas. Boas para se estenderem os computadores, os jornais e passar uma boa manhã. Fica sobreelevado, à face da rua. Das suas janelas largas e ovais, divisa-se o corropio do trânsito e o cortejo incessante de gente apressada nos passeios. 

Levo o meu companheiro computador com a pen da internet. Fico em ligação com o mundo inteiro. Leio os jornais. Faço os meus comentários sobre as notícias tenebrosas da triste hora que passa.

Depois ponho-me a rabiscar versos..linhas…por onde fujo desalmado…

Eis senão quando, uma velhinha mulher do campo, de vestes antigas, compridas, lenço a envolver sua cabeça inteira e o pescoço. Onde refulgiam dois olhos negros, fundos, muito doces…num rosto bonito…de linda avó.

 

Trazia uns sacos de pano, tecidos de trapos. Uma lavradeira saloia de almanaque.

Abeirou-se suave da nossa mesa. Sacou um dos vários sacos cheio de nozes.  Da sua lavra. Precisava de arranjar dinheiro para o azeite do caldo verde, lá em casa.

 

- Não me quer comprar este saquinho de nozes tão boas?…

Perguntou a medo com um sorriso encantador.

- Quanto custa? -. Perguntei.

Imediatamente o pôs diante de mim. Negócio certo..- pensou…leu-me nos olhos.

- cinco euros.

 

Fui ao bolso da camisa, que me serve de porta moedas. Tirei a nota…

Agradeceu. Desejou-me sorte a mim e a todos os meus.

E saíu feliz…

 

Que bem nos souberam depois do jantar, esmagá-las com um martelito sobre o tampo da mesa…( apesar da reprovação justa e pronta da dona de casa…) e ficar a debicar os pedacitos secos que iam saindo das cascas duras!...

 

Um saquinho de nozes abençoadas pelo suor da camponesa que bem podia ser minha avó…

 

 

Mafra, 4 de Março de 2013

22h34m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

O saquinho de nozes…

 

Como de costume, fui com minha mulher tomar o pequeno almoço ao café “Castelão” aqui no centro de Mafra.

Um café amplo, airoso, familiar. Uma clientela simples. A habitual. As caras já são todas familiares. Tem mesas de quatro e de duas pessoas. Boas para se estenderem os computadores, os jornais e passar uma boa manhã. Fica sobreelevado, à face da rua. Das suas janelas largas e ovais, divisa-se o corropio do trânsito e o cortejo incessante de gente apressada nos passeios. 

Levo o meu companheiro computador com a pen da internet. Fico em ligação com o mundo inteiro. Leio os jornais. Faço os meus comentários sobre as notícias tenebrosas da triste hora que passa.

Depois ponho-me a rabiscar versos..linhas…por onde fujo desalmado…

Eis senão quando, uma velhinha mulher do campo, de vestes antigas, compridas, lenço a envolver sua cabeça inteira e o pescoço. Onde refulgiam dois olhos negros, fundos, muito doces…num rosto bonito…de linda avó.

 

Trazia uns sacos de pano, tecidos de trapos. Uma lavradeira saloia de almanaque.

Abeirou-se suave da nossa mesa. Sacou um dos vários sacos cheio de nozes.  Da sua lavra. Precisava de arranjar dinheiro para o azeite do caldo verde, lá em casa.

 

- Não me quer comprar este saquinho de nozes tão boas?…

Perguntou a medo com um sorriso encantador.

- Quanto custa? -. Perguntei.

Imediatamente o pôs diante de mim. Negócio certo..- pensou…leu-me nos olhos.

- cinco euros.

 

Fui ao bolso da camisa, que me serve de porta moedas. Tirei a nota…

Agradeceu. Desejou-me sorte a mim e a todos os meus.

E saíu feliz…

 

Que bem nos souberam depois do jantar, esmagá-las com um martelito sobre o tampo da mesa…( apesar da reprovação justa e pronta da dona de casa…) e ficar a debicar os pedacitos secos que iam saindo das cascas duras!...

 

Um saquinho de nozes abençoadas pelo suor da camponesa que bem podia ser minha avó…

 

 

Mafra, 4 de Março de 2013

22h34m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes