terça-feira, 9 de abril de 2013


Toadas de sonho…

 

Não me alimento só de pão e de vinho,

Que a terra dá,

Mas dum vento alto

Que sopra e me refresca

A cratera imensa que me devora.

 

Vem dum universo longínquo

Como rio  oculto e subterrâneo,

Que se desdobra em raminhos capilares.

Numa teia de desejos impossíveis.

 

Numa fumarola intensa

Que nubla a limpidez do meu querer.

Que me queima a verdura dos sonhos lindos

Que teimam em reverdecer,

Cada manhã em que desperto.

 

Quero trocar de vestes.

Trepar para outro palco,

Onde minha voz seja límpida e mais sonora,  

O meu canto soe longe

Como um pranto benfazejo.

Quero espalhar outro alimento,

Certo e genuino,

Que alimente,

Como onda ou nuvem permanente

E não turve ou se dissipe.

 

Ouvindo Richard Claidermann

 

Ovar, 9 de Abril de 2013

8h47m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

segunda-feira, 8 de abril de 2013


Pela Ria de Ovar

 

Saíu-me barata

Uma passeata breve,

À beira da Ria.

 

Saí de Ovar, rumo à Torreira.

Só eu, meu carro e o céu.

 

Meu peito vazio encheu

De brisa fresquinha,

Cheirava a marisco,

Com laivos de sol.

 

Muitas estrelinhas

Sorriam na face das águas.

 

Havia barquinhos,

Como brinquedos,

Faluas à vela

E havia gamelas com pescado à venda,

Na beira da estrada.

 

Havia corridas a sério,

Com camisolas garridas,

Pedalando arfantes.

 

Havia passadas de gente feliz,

Em cortejos de vida, nas bermas,

Caminheiros sadios

Que saboreiam a vida

E não querem morrer.

 

Pescadores solitários,

De cana na mão.

Atentos ao isco.

Puxar e guardar…

 

Transpus a Varela, elegante.

 

Num instante,

Mergulhei num mundo diferente,

Pleno de paz.

Com vacas leiteiras,

Pastando, serenas,

Odres de leite,

Luzindo ao sol.

 

Até as varinas gaiteiras,

De cesto à cabeça,

Sorriam caladas,

Exalando tão fresca alegria!...

 

Regressei saciado…

Do passeio que dei.

 

Ouvindo Eduard  Grieg em Concerto para piano

 

Ovar, 8 de Abril de 2013

17h46m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Que vazio!...

 

Sinto dentro de mim um vazio tal

Que nem as águas todas

Dos cinco oceanos

Que povoam o mundo

Dariam para o encher…

 

Este vendaval fez cair ao chão

Todas as folhas de esperança verde,

Que meus pais e meus avós

Plantaram em mim,

Com tanto carinho…

Como num jardim.

 

Tantos e saborosos frutos

Delas colhi…e distribui

Por esse mundo,

Com tanta fé.

 

Só me restam uns caules secos,

Para arderem na minha lareira,

Mas, até esta desapareceu.

Com tanta desgraça que aconteceu.

 

Vou chorar prá beira do rio

Para lavar meus olhos,

Nas próprias lágrimas

Que eu lá vou deitar…

 

Serão tantas…tantas…

Só com elas o poderei encher.

 

Ovar, 8 de Abril de 2013

15h43m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

 
A confirmação do gato

Tenho um gato pequeno. Ainda cabe na gaveta da secretaria. Mal me vê corre para a cadeira onde me vou sentar. depois, atira-se ao chão para me dar o lugar e , logo a seguir vem retomar o meu colo. Abro o computador e ele assiste interessado como se fosse o meu neto de dois anos...

Assim que a seta começa a dançar no écran, ele afita as orelhas. Arregala os olhitos. Arqueia a patita, em posição de ataque. Se não lhe travo o ímpeto, com uma sapatadita na pata, por causa do écran...ele faz-se à seta, como se fosse um rato...

Foi muito bem posto o nome a este micróbio digital ...a que se chama "rato"...
Meu gatiti o confirma em cada sessão que faço ao computador.

domingo, 7 de abril de 2013


Revoltado…

 

Os anos vão passando e deixam rasto.

 

Encaneceram os  meus cabelos.

Sulcaram as rugas do meu rosto.

Sugaram as minhas forças.

Amoleceram os meus ossos.

Levaram-me os meus sonhos.

Roubaram os meus pais.

 

Mas encheram meu peito de saudades

Que nunca mais secam…

 

Ovar, 7 de Abril de 2013

17h10m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Cumpri um sonho..

 

Fui de Ovar a Amarante, almoçar.

Aquela vitela assada

Ainda ressumava a erva fresca,

Pura e verde…

Aquele vinho tinto

Ainda cheirava a uva gorda…

Aquelas batatas crestadas em brasa,

Cheiravam a terra…

Aquele pão de ló,

Tão amarelinho,

Cheirava a ovo…

Aquele rio bravo

Corria à solta,

Inofensivo,

Sob a janela.

 

Nem a chuva grossa

E a ventania agreste

Me estragaram a festa…

Dum passeio enlevo

Que me era um sonho

E vivi em família.

 

Ovar, 7 de Abril de 2013

16h22m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 
Ich erfüllte einen Traum.

Ich war von Ovar das Amarante, zu Mittag zu essen.
Diese gebackene Färse
Noch das kühle Gras ressumava,
Rein und grün…
Dieses Wein tinto
Noch roch es die fette Traube…
Jene Kartoffeln rösteten in der Phasenkohle,
Sie rochen das Land…
Dieses Brot von ló,
So amarelinho,
Es roch das Ei…
Dieser tapfere Fluß
Es lief bis gelöste,
Harmlos,
Unter dem Fenster.
Noch starker Regen
E das ventania ödland
Ich hatten sie ruiniert die Partei…
Von einem schlendern enlevo
Das ich war es ein Traum
E-I lebte in der Familie.

Ovar, 7 von April von 2013
16h22m
Joaquin Luis M. Mendes Gomes