segunda-feira, 15 de abril de 2013


Sonhar…é fácil

 

 

Não gosto de voar

Rentinho ao chão.

Minhas asas largas

Gostam do alto,

Como um condor,

Uma águia real…

 

Só nas altas cumeadas,

Onde sopra o vento,

Em rajadas fortes.

Que me façam suar.

 

Nem de águas mortas

Onde crescem ervas,

Dormem lagartos

E os alfaiates fazem seu ninho.

 

Nasci para as alturas,

Com todo o céu à minha mão.

Não tolero mais algemas

Nem as leis da humanidade

Como teias-alçapões.

 

Meu destino é o infinito.

Sem travessas e encruzilhadas.

Nem a via láctea toda,

À minha frente

Algum dia me irá parar…

 

Minha carta é universal.

Aprendi-a em lições dos anjos.

Meu motor tem rotações…

E uma força tal,

Nenhum foguete

Me passa à frente

Nem por cima do meu cadáver…

 

Ouvindo André Rieu

 

Ovar, 15 de Abril de 2013
14h 41m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Serenatas de amor

 

Oiço serenatas lindas,

Entoadas pelo vento norte,

Que me inebriam.

 

Ressoam loas,

Em canções breves,

Como gorjeios trinos

Que enternecem

O meu sofrimento.

 

Ardem brandas, sonolentas,

Minhas saudades,

Como a chuva,

Em labaredas de luar.

 

Minhas mágoas,

Tão dolentes

São tormenta,

Vão e vêm

Sem parar.

 

Minhas lágrimas

Caem secas

Como as folhas no outono.

Só renascem com as flores

Da primavera.

 

Só ninguém ouve este meu pranto,

Que não me pára de correr.

 

Ouvindo André Rieu

 

Ovar, 15 de Abril de 2013

14h15m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

 

 

 

 
Fascinação…


Cintilações no céu e no mar

São o fascínio destes olhos secos

Que nasceram para contemplar.


Sussurros do vento brando

Sobre as searas de pão

São meu alimento de fé

De quem não está abandonado.


Raios de sol

Que beijam cada manhãs

São os braços abertos

De Alguém que me ilumina os passos

No caminho deste mundo.


As horas que me batem certas

Rumo a um fim distante e desconhecido,

São as contas de quem oferece tudo

E sem cobrar.

O baile fulgurante e imenso das nuvens

Pelo céu infindo

São um filme de amor

Que me inebria

Pela vida que, de graça,

Jorra em mim…


Bendito seja o Criador!...


Ouvindo Griewg

Ovar, 15 de Abril de 2013

8h40m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

domingo, 14 de abril de 2013


Dramático…

 

É uma Mãe…com filhos a seu encargo…

Pôs no escaparate dum supermercado este anúncio escrito por si:

Dou apoio a idosos…com muito carinho.

Não cobro nada…

Só comida para os meus filhos.

Tem rosto…vi-a na televisão. Mora em oeiras.

Cheia de vida e coragem para sobreviver…

Vive de restos que apanha nos contentores.

Ao que chegou este País…

 

Como é possível, dormir descansado?...

São tantos…bem encobertos…

À nossa porta …

Já viveram bem…

Por desgraça de quem nos governa,

Valha-nos Alguém…

Sinto vergonha!...

Que meta na ordem este descalabro.

Que inverta esta pirâmide

Com tantas faces,

Nem os faraós…

Assim ergueram.

 

Ovar, 14 de Abril de 2013

21h 06m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

 

 

 

sábado, 13 de abril de 2013


Holocausto…

 

Já não há mais fogo

Que arda e sossegue

Este mar em chamas de sofrimento.

 

Num repente…inesperado,

Nossos ideais foram esmagados

Por uma onda mortal

De desatino louco.

 

Todas as nossas crenças

Que eram sólidos alicerces

Duma vida feliz e sã,

-  a honra, o belo, o dever,

- o respeito, a gratidão

- e a abnegação pelo irmão…

 

Tudo ruiu…ficou em pó

Que a loucura levou.

 

Crescem cardos espinhosos

No nosso jardim.

Medram larvas vorazes e monstruosas

Que devoram pedras.

 

A cegueira total

É a bandeira de quem impera.

Só resta a fuga.

 

Até a luta seria inglória.

Só o desprezo total

E o juizo implacável da história futura  

Nos fará justiça.

 

Ó vil desgraça que se abateu em Portugal!...

Só apetece chorar!...De raiva!...

 

Ouvindo Grieg

 

Ovar, 13 de Abril de 2013

9h 2m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sexta-feira, 12 de abril de 2013


Solidão sem nome…

 

 

Perdido entre multidões sem nome

E cansado da solidão da terra,

Nem a imensidão do mar

Nem a grandeza dos céus

Podem sossegar meus olhos

Da secura que os gela …

 

Até a Primavera tarda,

Atrás deste  icebergue

De chuva e frio.

 

Meu pensamento corre louco,

Na escuridão.

Minha alma geme triste

Em desespero.

Só brumas espessas,

Em vez das luzes intensas

Que só a esperança dá …

Nunca esperei

Que esta tarde negra

Caísse tão de repente…

Ainda há bem pouco

Era de manhã,

Depois do sol nascer.

 

Ovar, 12 de Abril de 2013

22h20 m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

quinta-feira, 11 de abril de 2013


O ninho das cegonhas…

 

Chegaram de longe,

Do Adriático, em bandos.

Planando no alto,

Incessantes,

De dia e de noite.

Por sobre os Alpes e os Pirinéus.

Os Montes Cantábricos.

Desceram sobre  a Galiza

E eis que, ao pôr do sol,

Arribaram, por fim,

À Ria de Aveiro.

 

Deram uma volta geral,

Para saciar as saudades.

Saudar os parentes.

Que não tinham voltado.

 

Depois, foi a escolha

Onde ficar a viver.

 

No campanário de Angeja,

Ainda havia um lugar.

Frente ao rio Vouga,

Voltado para o mar.

 

- É aqui que ficamos, combinou o casal-

Ainda em viagem de núpcias.

 

No cocuruto da torre,

Nem uma só palha.

Tudo por fazer.

 

A noite passou-se em descanso total.

 

Pela manhãzinha,

Depois do primeiro mergulho de caça,

Com êxito,

Começou a faina do ninho.  

 

Pelas margens da ria,

Abundam paradas,

Carradas de lenha,

Que o inverno serrou.

 

Foi só carregar.

Um pau, cada vez…

Em roda incessante.

 

Primeiro a base.

Ampla e bem firme,

Em sítio abrigado.

E, pedra por pedra,

As mestras obreiras,

Sem escola arquitectas,

Ergueram em forma,

Seu palácio real.

Com as medidas precisas

Para as crias vindouras

Que sonharam criar…

 

Só depois, o descanso.

As lides caseiras. Diárias.

Como manda o programa

Que seu destino traçou.

 

Largos voos alados,

De caça e de pesca,

De recreio e de festa,

Em cada natal.

 

Os primeiros ensaios de voo

Na hora da escola,

Para cada filho que vem,

Como ensinaram os pais.

 

Só depois de criados,

Chegará a hora de outro regresso,

Aos mares adriáticos,

Com parentes à espera…

 

Ovar, 11 de Abril de 2013

15h22m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes