segunda-feira, 22 de abril de 2013


Carrocel da vida…

 

Ardentemente, sonhei ver o mar e o sol

A arder de amor pela terra-mãe,

Unidos pelo cordão do céu,

Estrelado,

Com a lua bailando
Valsas alegres de luar.

 

Sonhei com a festa perene das estações

Dum comboio imenso,incessante,

Que corre à volta, em carrocel.

Levando e trazendo,

As multidões dos bem-aventurados

Que tiveram a sorte de nascer

Deste amplexo universal de amor e ordem.

 

Uma sinfonia, fulgurante e harmoniosa,

Canta loas, ergue preces

A um Deus que tudo fez,

Para glória Sua

E o bem das gentes

Que somos nós.

 

Ouvindo Hélène Grimaud, em Adágio

 

Mafra, 23 de Abril de 2013

7h40m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Como um tecelão

 

Cada dia eu fio e teço

Uma história

Para ficar

E não esquecer.

 

Umas vezes sai linda

 Outras, nem por isso.

 

Mas escrever não custa.

Depois, é bom relê-las…

Para rever ou corrigir.

 

O que não presta, vai fora.

Fica o bom.

Pode ser útil.

 

Para dar ou para emprestar.

Pode servir.

E é de graça.

É só pegar.

 

Como um álbum

De recordações.

Umas, alegres,

Outras, menos.

Virá um dia.

Sabe bem lembrar.

 

Quando já não doem.

Ou para saborear

O que um dia foi bom.

 

Por isso, fio e teço.

 

Mafra, 22 de Abril de 2013

22h 20

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

 

Não há esperanças vãs…

 

Olhar em frente.

Com o corpo e alma,

Em total harmonia.

Não sabemos onde começa um

Ou acaba outro.

 Somos um só.

Não há primeiro nem segundo. 

Não importa olhar para trás,

Para o que custou.

A não ser para fazer melhor.

A autoestima é a base real

Da nossa vida.

 

Nós somos como nascemos,

E somos mais o que

Em nós vamos construindo cada dia.

 

Crescer é o nosso lema.

A perfeição a nossa meta.

Sempre possível de melhorar.

Só a alcança que confia em si

E a quer, de alma e coração.

Olhos no alto e pés bem no chão.

Ouvir atento

E respeitar quem vai ao pé

Ou no mesmo barco.

No mesmo rio.

Rumo ao mesmo porto.

 

Ouvindo Grieg, concerto para piano

 

Ovar, 22 de abril de 2013

8h32m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

domingo, 21 de abril de 2013


Ironias da humanidade …

 

Tantos anéis de gente

Em socalcos, garridos,  

Ao redor da arena.

 

Batem palmas,

Vibram em uníssono.

Se arrepiam por dentro,

Tremem de pavor,

Na hora extrema.

 

Porque um animal pacífico,

Se sente enganado

Por quem, de bem,

O meteu ali.

 

Lhe crava um ferro

A sangrar no lombo…

Sanha cruel,

Muito bem oculta,

Muito mais feroz

Que o gigante de força,

Que tudo daria.

Para não estar ali.

 

Só quer a paz

E o pasto verde,

Lá no montado.

 

Ouvindo um passo-doble

 

Ovar, 21 de Abril de 2013

8h40m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Tenho fé no Homem…apesar de tudo

 

Saio à rua cada manhã.

Não levo revólver.

Nem bazooka,

Embora muitas vezes, me apetecesse…

 

Levo em mim, muita fé na humanidade,

Apesar de tudo.

 

O homem é um ser bom.

É um irmão,

Bem no fundo de si mesmo.

Sente que não quer para o outro

O que não quer para si…

Mesmo que haja guerra

Em todo o tempo

E todos os lugares…

Sabem sorrir,

Perante o que é belo.

Sabem chorar perante o que é triste.

Acodem quem está a mesmo a cair.

Consolam o seu igual que está ao pé.

Embora, às vezes, virem as costas…

Na hora do desespero...

 

Se faz o mal e não o bem,

É porque, dentro de si,

Há zonas escuras,

Fome de bem…

Abundância de dor..

Porque, um dia, foi ferido, 

Lhe faltou alguém,

Para o cuidar…

 

Ouvindo “Granada” por André Rieu

 

Ovar, 21 de Abril de 2013

8h58m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sábado, 20 de abril de 2013


Loucura de vento

 

Se eu fosse vento,

Iria rentinho sobre a ria,

Correndo louco,

Às cabriolas,

Até lá ao fundo,

Sem molhar os pés.

 

Faria negaças aos peixes todos,

Em desafio.

 

Atirava ao fundo

As velas dos barcos

E ponha-me a rir,

Lá bem de cima.

 

Chapinhava no areal,

Feito traquina.

 

Subia ao céu

E ficava a ver

As barracas da praia,

Desfeitas pelo chão

Com os turistas dentro,

De corpo ao léu.

 

Nem asas tenho

E não sei voar.

 

Para meu castigo,

Tenho de ficar aqui

Mui bem quietinho,

A olhar p´rà ria,

Sem que ela me veja.

 

Cumprindo a pena

Da minha inveja

De vento louco…

 

Bar da Ria na Torreira, 19 de Abril de 2013

19h05m

 

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Livro da vida

 

Abri um livro.

Biografia.

 Comecei a lê-lo a partir do fim.

As primeiras folhas rasguei-as

E pu-las no lixo.

E vieram mais…e mais…

Densas…escuras.

Saltei sobre elas.

 

Vieram as luzes.

Uma carreira chegara ao fim.

Vi-me de novo livre

E entregue a mim.

 

Passava horas, contemplando o mar,

Cada manhã, dum paredão.

Escrevia os versos que me ditavam as ondas…

Teci as lendas do que eu vivi…

Fui feliz, enquanto sonhei.

 

Depois, entrei na gare-mor

Do meu comboio.

Para seguir viagem em marcha atrás.

Fria e megalítica.

 

Não tinha alma.

Um labirinto.

Descomunal, inútil.

Cheirava a morte …

Em troca de pão.

 

Veio outro antro,

Sem alicerces sólidos,

Sobranceiro ao Tejo.

 

Uma cozinha augusta

Dos homens das leis

Para fazer cumprir.

Tanta mixórdia!

A jorrar para o rio.

 

Entrei num túnel.

Não tinha fim.

Num submarino…

Só, de tempos a tempos,

Eu via o céu.

 

Depois a guerra,

Na flor da vida.

Saí ileso…

Graças a Deus.

 

Entrei num charco,

Um pantanal.

Uma gaiola aberta,

Com passarões.

 

Depois o oásis,

A rebentar de verde,

Cheio de cor…

Era o começo,

Tão promissor.

Veio o prefácio,

Enigma

Que Deus escreveu…

E pus-me a lê-lo

Sem perceber

O que vim fazer.

 

Ovar, 20 de Abril de 2013

15h22m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes