segunda-feira, 6 de maio de 2013


Libertação da terra…

 

É nas alturas

Que se aprende a ser pequeno

E a ter de voar

E, a saber descer,

Sem tropeços ou quedas livres.

Pertencer ao reino do céu,

Onde o sol é rei

E a terra serva,

Terra-semente e terra-pão.

 

É do cimo da serra

Que se enxergam os lobos

E aves de rapina,

Qque pululam nos vales

E nas terras fundas.

 

Se vê a teia de rios

Que a terra tecem.

 

E a borda dos mares,

Estendida ao sol.

Em acto de amor

Com a terra-mãe.

Num abraço perene,

Que irradia amor,

Num sonho perfeito

Em sono profundo.

 

Ouvindo super talento, Petruka, em flauta Pan

 

Ovar, 6 de Maio de 2013

9h37m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

domingo, 5 de maio de 2013


Fábula da ribeirinha…

Com medo

 

Um ribeira bem linda,

De água doce e suave,

Caída do céu,

Desaguou sobre ele,

Uma certa manhã.

 

Andou consigo, sozinha,

Passeando nos bosques.

Passeou por vales,

Ravinas e fráguas.

Sob frondosos choupeiros,

Cheios de ninhos.

 

Derramou enseadas,

Com tendas armadas.

De noite ao luar.

 

Dormiu sossegado

E até sonhou sonhos

De glória final.

 

Cantou-lhe, encantada,

Canções de embalar,

Espraiou-se em praias de areia lavada,

Luzindo ao sol.

 

Desceu de mão dada,

Por socalcos e terras lavradas.

Mirando estrelas.

 

Eis que um caçador,

Furtivo, apareceu

Andava a caçar,

Cheio de sede,

Pediu-lhe de beber…

E a ribeirinha,

Com fome …

Ou cheia de medo,

Temendo de tanto caminho a seguir,

Pegou-lhe na mão,

Matou-lhe a sede …

Trocou de amigo,

E, para sempre,

Ficou presa dele…

 

Ovar, 5 de Maio de 2013

16h57m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sábado, 4 de maio de 2013


Toadas do vento

 

Semeei ao vento

Punhados de sorte

E pus-me a rezar.

 

Qual nuvem cinzenta,

A sorte se desfez

E o céu profundo

Se abriu de luz.

 

Vi o sol a brilhar.

O céu azul ficou tão alto

Como um mar sem fim.

 

Naveguei sem velas.

Perdi-me…

Foi uma estrela

Que me deu a mão

E me fez voltar.

 

Encontrei este chão

Coberto de esperança.

 

A terra florira.

Com pão e flores.

 

Armei um ramo lindo

E pedi ao vento o favor

De o entregar à estrela

Que me deu a sorte

De voltar a rezar com esperança

De não me voltar a perder.

 

Ovar, 4 de Maio de 2013

21h54m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Paixão do mar…

 

Esta manhã fui ver o mar.

Estava a dormir.

Havia muito,

Não via.

Tinha os braços abertos,

Como quem me queria abraçar.

 

Deu-me tantos beijos.

Parecia um  doido.

Como se não houvesse

Mais ninguém no mundo.

 

Encheu-me d’ondas.

Pôs-me ao pescoço

Um cordão de conchas.

Cheias de pérolas,

Das verdadeiras.

 

Vou guardá-lo

Quando for para longe

E me embebedar

Nas saudades que vou sentir.

 

Só tenho medo

De vir a morrer um dia,

Sem ele ao pé.

 

Mas tenho a certeza

De que a mãe natureza,

Me irá dar o gosto

De me banhar no mar

Antes da hora

Em que irei morrer.

 

Ouvindo  Céline Dion

Ovar, 4 de Maio de 2013

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

sexta-feira, 3 de maio de 2013


Um pequenino gesto…

 

Chega um olhar, um ligeiro toque,

Fácil. Para mudar o dia.

Saberes calar, naquela hora amarga

Que a vida nos sabe dar.

Saberes ouvir, fazer silêncio,

E ouvir que está contigo.

A falar de si.

Como tu gostas que te oiçam

Sobre o que te vai na alma

Te entristece ou alegra o dia.

 

Sabe esperar pela tua vez.

Naquela hora de receber.

Não te esqueças de semear sorrisos,

São eles que fazem brilhar o sol,

Em cada dia, ao teu redor.

Compreende quem te ofende

E logo pede desculpa.

O caminho sobe e desce

E tem pedras

Para toda a gente.

Nunca te deites,

Sem jurares que amanhã,

Farás melhor…

 

Ouvindo Céline Dion

Ovar, 4 de Maio de 2013

Joaquim luís m. mendes gomes

 

A pianista

 

São dez bailarinos graciosos,

Tão afinados,

Saltitando sobre as teclas brancas-negras,

Como andorinhas.

Puxam os sons.

Trauteiam loas.

Encantam os cisnes

Num lago de cor.

 

Raiam de lustres

Faiscando d’ouro.

Um archote em brasa

De foguetes subindo.

 

Calam silêncios.

Escondem cinzas

De chama ardente.

 

Arfam cansados,

Como gazelas.

Sobem encostas

Saltam ravinas.

Serpenteiam no vale,

Ao tom do vento.

 

Brincam escondidos,

Fazem amor.

 

Ao cair da noite,

Regressam a casa.

Vão tão contentes.

Ouviram as palmas

Da assembleia.

 

E a pianista chega encantada,  

Dorme em sonho,

Com os bailarinos.

 

Ouvindo concerto nº 1 de Tschaikowski

 

Ovar, 3 de Maio de 2013

17h19m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

O Dinheiro…

 

Quem foi o génio

Que um dia inventou o monstro

Que corrompeu o mundo?

Por causa dele,

Há guerra.

Secou o amor.

O único fogo

Que deveria arder.

 

Se ele pudesse chegar ao sol,

Nem o sol

Conseguiria escapar

A tamanho mal

Que da terra nasceu.

 

Sem ele,  o mundo

Seria uma seara verde

Com pão à farta

Não haveria fome

E haveria paz.

 

Só fundido

Num caldeirão em brasa.

Jorraria leite e mel…

Nesta colmeia farta

Que Deus criou.