sexta-feira, 10 de maio de 2013


 

Insolente…Mais que macabro…

 

 

Tristemente,

Tão de repente,

Vieram dias macabros,

De negro e luto.

 

Ninguém esperava.

Parecia tudo tão bem.

Tantas cores.

Tantas estradas,

Numa teia densa.

 

Foram estádios de andor…

Foram carros de luxo…´

Férias de arromba…

Casas castelos…

Fantasias loucas.

 

De cima abaixo…

Vinha o dinheiro…

Toca a esbanjar…

Os tribunais adormeceram.

Os bancos ficaram tão gordos…

De foliões…

Os governantes trocaram as mãos.

Com a esquerda roubam…

Com a direita tiram…

De dia e noite…

 

Ó que família!...

 

E o povo geme…de dor.

Ninguém lhe acode!

 

Ouvindo My way!...com André Rieu

 

Ovar, 10 de 2013

10h22m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

mãos de pianista…

 

Das mãos calejadas dum cavador

Sai o chão de terra exposta ao sol,

Esperando a sementeira.

 

Do tecelão que enfrenta as linhas ,

Solitário,

Frente a um altar de cores,

Saem lavores que são hinos

À beleza e à harmonia.

 

Do ferreiro de malho em brasa,

Batendo firme, sobre a bigorna,

Espera o pedreiro o aço

Para domar a pedra.

 

Do golpe firme e certo

Na arte nobre da cirurgia,

Brotam milagres verdes

E ressurreições reais.

 

Das noites de estudo às cegas,

Perscrutando mundos ocultos,

Buscando sucessos

Saem explicações seguras

Dos universos menores

Que são a raiz de tudo…

 

Tudo isto é arte real e nobre,

Em ponto grande!...

 

Mas, por que sorte e por que saber

A magia daquelas inefáveis mãos,
 
Olhos fechados,

Retiram sons, em brasa,

Horas a fio, sem se cansar,

Frente a um piano aberto,

Que nos arrebatam ao êxtase total

Num céu de sonho!?...

 

Ouvindo Rachmaninov, concerto nº 2, por H. Grimaud

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 9 de maio de 2013


Lição da sombra

 

Há muito que tento

E não consegui:

Esconder-me da minha sombra ao sol.

Sem que ela se esconda também.

Não só me imita.

Nunca vi.

 

Se me ergo e ando,

Aí vai.

Se paro e sigo,

Ela vem.

Se a persigo,

Ela desata a fugir.

Quanto mais corro,

Mais ela foge.

 

Porque será?

 E desaparece, logo,

Se me ponho à sombra.

Será de medo,

Será vergonha?

Também não é.

 

Perguntei ao sol.

Poderia ser um acordo!

 

Desatou a rir

Às gargalhadas…

Senti vergonha

E deitei-me ao chão.

 

Não sei porquê.

- Por maldade

Ou por inveja?

 

Desapareceu!

 

Foi então que vi:

 

Só queria o sol

Tal como eu…

 

Ovar, 9 de Maio de 2013

21h27m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Ria de Ovar

 

Cada vez que visito a ria

Colho sorrisos

Que riem meus olhos.

Vejo cegonhas no céu

Oiço peixes do mar.

Vejo papoilas em sangue.

Curam as mágoas todas

Que trago no peito.

Sem picadelas

Nem os garrotes

Que fazem doer.

 

Basta sair livre,

Coração a arder,

Olhos abertos

E depois voltar.

 

Com chuva ou sol,

A fonte não seca

É só pegar.

Que linda ria,

Maré cheia,

Maré vazante,

Filha do mar…

Mãe-natureza,

Que belo par.

 

Ouvindo ainda…Rachmaninov…

 

Ovar, 9 de Maio de 2013

14h36m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Lembrando o meu Pai Joaquim …

 

Foi neste dia,

Dum ano lá atrás,

Que desta vida partiste, meu Pai…

Na aurora da minha vida…

Despontava o sol…

Como uma estrela viva,

Em chama,

Ficaste a brilhar no céu…

Onde quer que fosse…

Tua força somada à minha,

Em crescendo forte,

Levou tudo à frente,

Subi aos cumes… ao pé de ti,

Pelo meu pulso, em brasa,

Com o fogo que de ti recebia …

 

Cedo demais,

Ficaste em paz…

Mas sempre presente.

No teu exemplo de homem bom…

Sempre ao pé…

Sempre constante…

Um terno Pai, fonte de amor…

Com a bênção de Deus…

 

 

Ouvindo concerto nº 2 de Rachmaninov

 

Ovar, 9 de Maio de 2013

9h37m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

Força da vida…

 

Mesmo que chova à farta

E a vontade falte,

Tens de partir à luta.

De ganhar a vida

Para não perderes a tua

E, se calhar, dos teus.

 

 O perigo ronda o caminho,

Mas teus passos,

Um a um,

Largo ou curto,

Têm de somar,

Para atingires o fim.

 

Se esperas

Te chegue a casa o pão,

Sem que nada faças

Por que ele venha,

Bem podes preparar a mala

E seguir viagem...

 

Nada vem,

Se não sai de dentro,

Essa vontade em chama

Que se acendeu um dia

E te puseram nas mãos.

 

 Apagar ou não

É só contigo.

Mas, olha bem

Que a tua não apague

A de quem passa por ti

Ou caminha ao pé…

 

Ouvindo Lang Lang, em concerto nº 1, de Chopin

 

Ovar, 9 de Maio de 2013

 

8h5m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes

quarta-feira, 8 de maio de 2013


Filhos sem pais…

 

O deserto é deserto.  

As plantas são cactos

com espinhos.

 

Os animais são répteis.

Sopram veneno

E rojam no chão.

 

No ar, só insectos

De asas vidradas.

Só zumbem e caçam

Pelo fresco da noite.

 

Nem as pedras escapam.

Em areia se fazem.

Com os golpes do sol.

 

Às vezes, ocultas

Nas fracturas da terra,

Espreitam as fontes,

Das veias dos montes.

 

Nascem palmeiras

Das sementes esquecidas

De vidas passadas.

 

Servem de abrigo

Como oásis do nada.

E de estalagem sem tendas

Aos camelos que sobram

E vêm perdidos

Da mãe-natureza.

 

Ovar, 8 de Maio de 2013

16h9m

Joaquim Luís M. Mendes Gomes