domingo, 19 de maio de 2013


Buscando a paz…

 

 

Andei perdido na noite,

Batendo a todas as portas.

Estavam cerradas.

Estarrecidas de medo.

 

Só os cães atenderam,

Uns ladrando na sua língua.

Cumprindo o dever que sentem.

 

Outros se riram de mim.

Queriam saltar o muro

Porque me viam em liberdade.

 

Não achei viv’alma.

Para desabafar…

 

Pus-me a falar com as estrelas.

Ouvi histórias de fadas

E contos de almas

Como eu, perdidas

Na terra madrasta.

 

Preferiram o céu,

Mesmo sem estrelas.

Onde reina a paz.
Fui ter com elas...

 

Mafra, 19 de Maio de 2013

23h22m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

 

 

 

sábado, 18 de maio de 2013


Do leite e queijo de cabra…

 

No cimo da escada,

Há uma varanda,

Da varanda no alto,

Alcanço a serra…

 

No cimo da serra,

Há um casebre de colmo,

Da erva, seca, do monte.

Só tem uma porta.

 

No casebre,

Só entra e sossega um pastor

Que guarda um rebanho.

 

E um cão lavrador- fortaleza

Que guarda e não ganha…

 

Vive para o dono

E o rebanho cá fora.

 

Ali, passam os dias e noites,

Sózinhos.

 

Recebem visitas

Que lhe compram o leite

E, às vezes,

As crias das cabras

Que só comem

Da erva da serra.

 

Da minha varanda,

No alto,

Ao cimo das escadas,

Só vejo a serra ao longe,

Não vejo mais nada.

 

Mas sei quem lá mora.

À conta do leite

E do queijo de cabra.

 

Ovar, 18 de Maio de 2013

18h31m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

 

 

 

 

 

sexta-feira, 17 de maio de 2013


Noite milagrosa…

 

 

Amarrei meu barco a um penedo ,

Na borda da praia.

Tirei as redes molhadas,

Escorrendo de algas.

 

Chamei o povoado para perto.

Puseram-se banheiros, mulheres

E muitos turistas.

Curiosos à volta em arco.

 

Um monte de peixes luzentes,

Dos mais variados,

Cheirando a mar,

Luziam ao sol

E saltavam aflitos,

Com as guelras sem ar.

Ninguém acudia.

 

Enchi os cabazes

E fiz um leilão.

 

Parti dum tostão.

Começou um despique.

Assanhado.

- Que peixe fresquinho!...

-quem é que dá mais?

 

O primeiro cabaz tinha de tudo.

Peixinho miúdo:

carapau, sardinha e faneca.

E três polvinhos larvares,

Com os braços em arcos,

Pareciam dançar.

 

- Rendeu cem escudos!...

Uma pequena fartura.

Deu prás despesas da faina.

 

O segundo açafate era mais recheado.

- linguados vivinhos, robalos e trutas.

 

Começou o pregão.

Meus olhos ferviam,

Com uma esperança acesa,

Bailando na mente.

 

Aquilo que desse,

Seria inteiro

Para o fato novinho

Do batizado do neto,

Na capelinha da Senhora do mar.  

- ó que sucesso!

- quinhentos mil réis!..

Foi quanto deu.

 

Passei ao terceiro.

 

De peixe graúdo.

Pescadas, marmotas e raias.

Uma fartura.

 

Comecei o despique,

Cheio de medo.

Ali estava um segredo

Que só eu conhecia.

 

- que vestido mais lindo,

- Fazia inveja!...

Eu vira na montra mais chique da vila

Prá minha mulher!...

Oxalá ‘inda lá esteja.

 

Foi um corropio feroz.

Parecia uma guerra mordaz.

 

Com as graças de Deus!...

 

- Deu para o vestido janota

E chegou para a boda mais farta

Que, algum dia,houve na Póvoa!...

 

Ouvindo André Rieu

 

Ovar, 18 de Maio de 2013

7h31m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

Como uma pedra molhada…

 

Quem é que não é capaz

De  voar  com este vento,

 com esta brisa

tão viva e terna,?...

 

Quem não sobe ao céu,

Num abrir e fechar de olhos,

como folha seca

que se desprende da arvore

e vai sempre para cima,

 até às nuvens?...

 

Onde o sol brilha e sofre,

sozinho, à sua espera?...

 

Até uma pedra do mar ,

Mesmo molhada,

é capaz de voar,

como uma pomba leve…

 

Ovar, 17 de Maio de 2013

17h21m

Joaquim Luís Monteiroi Mendes Gomes

Lavo minha alma…

 

Encomendo minha alma a Deus,

Todas as noites,

Antes de dormir.

Pode ela não mais acordar.  

 

E subir ao céu.

Onde, perdidamente,

Para sempre,  

Restaria triste.

Como um anjo

Que voou da terra,

E apareceu a Deus-Pai,

Sem se lavar…

 

Ovar, 17 de Maio de 2013

16h37m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

Meu barco escondido…

 

Barquinho poeta eu sou.

Sem velas nem remos.

 Navego à deriva do vento.

Por onde ele quiser.

Não levo amarrras. 

Só trago saudades do tempo

que o vento levou.

Não pesco.

Só danço e brinco.

Nas ondinhas da água

como folha caída.

 Carrego em mim

 lembranças presentes

que não quero perder.

Faço que corro,

seara sem fim.

Contando as estrelas

que sorriem para mim.

Tecendo as mortalhas

que me hão-de cobrir,

quando velhimho,

à praia voltar.

 

Ovar, 17 de maio de 2013

15h0m

Joaquim luís monteiro mendes gomes

Voltei à Guiné…

 

Por entre as frestas da floresta virgem,

Chegam até mim, raios de sol,

Em sinfonia verde.

Trazem-me sonhos tão lindos,

De fazer sonhar.

 

Banham meus olhos,

Com tanto fulgor,

Enchem meu peito,

Coração a arder.

Me elevam em voo.

Como se fosse um condor.

 

Lá em baixo, vejo os rios,

Se espreguiçando ao sol.

Como sereias bailando,

Vestidas de verde,

Disputando seu par…

 

As copas mais altas,

Dançando ao vento,

Parecem acrobatas,

Saltando nas cordas.

 

Nas bolanhas de arroz,

Parecendo formigas,

Vegetam pretinhas, curvadas…

Com filhinhos às costas.

No chão da Guiné.

 

Ovar, 17 de Maio de 2013

14h4m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes