sexta-feira, 21 de junho de 2013


Que frustração!...

Rapei dum azorrague,
cheio de espinhos.
Fui ao encalço deles.
Os que passam a vida
A fazer maldades
A seus irmãos.

Dei tantas, que a vergasta
Se vergou de sangue.
Matei coelhos...
Bati em portas...
Só gaspar me escapou...safado.
No dia seguinte, choveu a vingança:
O estupor subiu o iva...
Mais uma vez...
Fiquei raivoso.
Toquei a rebate.
Ninguém apareceu, à luta.
Fiz-lhe uma espera,
Levei meus cães...
Nem os ossos...
Chamaram-lhe um figo.
E queriam mais...
Fui a belém...
Tivemos de dar à sola...
Com tanto guarda...
De arma em riste.
Assim, não vale...
Que hei-de fazer?
Valha-nos Deus!...

Mafra, 21 de Junho de 2013
Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

Sentido da vida

 

Caminhei contra a chuva,

E contra os ventos,

Por sendas de bruma,

Com raios de sol.

 

A fé e a esperança ardendo,

Sempre presentes.

 

Passei por vales profundos,

Reino das sombras,

E encumeadas de luz,

Searas floridas,

Batidas pelo vento.

 

Escalei encostas agrestes,

Sangrei dos meus pés.

Meu peito arfante.

 

Sonhei com a morte,

Com as chaves nas mãos,

Sempre a sorrir.

 

Olhando para trás,

Achei o sentido

De tudo o que fiz...

Com a bênção de Deus,

Nosso Pai de verdade

E sabe o que faz.

 

Ouvindo André Rieu

Mafra, 21 de junho de 2013

13h33m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

quinta-feira, 20 de junho de 2013


Lama nos Santuários

 

Aquele mar de lama e água barrenta

Que, de repente,  

“Enxurrou”  tudo,

à volta do santuário,

é de estarrecer os olhos,

dum crente ou não.

 

Mero acaso da natureza?...

Foi ali. Podia ser além!...

 

Também o templo de Jerusalém,

Um dia, foi arrasado,

não ficou pedra sobre pedra.

 

Quando o culto que lá se fazia,

De tão pagão,

serviria alguém

Mas não a Deus!...

 

Em Fátima e Lurdes,

E outros lugares da Terra,

Há sinais que gritam,

Manifestações divinas,

Superiores, intemporais.

Para mim

Que creio,

Sinais de Deus.

 

Nada do que ali se passa,

Será acaso...

Dá que pensar!...

 

Mafra, 21 de Junho de 2013

7h10m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

 

 

quarta-feira, 19 de junho de 2013


Odisseia dum rio

 

Debaixo duma rocha,

perdida no alto dum monte,

brota uma fonte pura

de água que corre incessante.

 

Desce a encosta,

riscando no chão

o caminho que segue.

Como é natural.

 

Em meandros suaves.

Depois, saltando abrupta,

sem medo, de escarpas,

quando a terra traquina

lhe falta à frente.

 

Espuma de raiva e alegre,

quando bate no chão.

 

Afunda e alastra-se

em lagos que enche.

Parecendo um mar.

 

E, à frente, rompe e avança,

caminha, de novo,

por campos, regados de verde,

banhando, contente quem passa.   

Atravessa e abraça aldeias de gente,

ligadas por pontes.

 

Alimenta incessante, com força,

as pás dos moinhos,

que geram farinha de graça.

 

Em se sentindo cansada,

se estende e alarga,

formando amplos açudes,

com areia de praia,

e sombra de ramos com folhas.

Regalo das gentes,

nas tardes de sol.

 

E, assim, aquele fio tremente,

de água, nascente,

segue e avança,

correndo,

aparentemente sem rumo,

mas sabendo bem onde vai...

 

 

Mafra, 20 de Junho de 2013

7h39m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

Meus cabelos brancos

 

Meus poucos cabelos brancos

Esvoaçam ao vento,

Como se fosse uma floresta virgem.

Uma seara verde.

Poisam neles os passarinhos.

Nos seusrecantos escuros

Fazem ninhos,

Depois amor.

E dos ovos saem

Bicos abertos

Que sorriem vivos.

Querem viver.

Querem voar.

Vou deixá-los crescer.

Em liberdade pura.

Para os ver voar,

Chilreando alegres,

Poisando nas flores

Desde que à noite voltem

E durmam soltos

Nos meus cabelos,

Como se fossem ninho.

 

Benditos sejam

Estes cabelos brancos,

Milhas telhas brancas

Do luar de Agosto...

 

Ovar, 19 de Junho de 2013

20h40m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

 

A selva...infernal

 

Naquele espaço de terra,

coberta de ervas,

silvas e árvores gigantes,

há sombras e frestas,

por onde ao sol 

custa entrar.

 

Crescem à solta,

sob a lei do mais forte,

Bandos de gado feroz

que brota do chão

e se alimenta da carne de iguais,

que não puderam fugir.

 

É assim...porque assim é!...

Dá tudo certo...

É natural!...

 

Neste pedaço de terra,

povoado de irmãos,

Família de grei,

Que aceitou viver,

Com leis

de igualdade

e justiça,

iguais para todos,

ditadas por quem escolhe

e elege com funções de mandar,

para bem

e em nome de todos...

 

Ficou uma selva infernal,

Onde o mais forte

E mais rico

Devora o pobre

Que nasceu seu igual...

 

Assim está Portugal!...

Coberto de ervas e silvas,

Sem frestas,

Onde só brilha o sol,

Mas não a Justiça!...

Uma selva infernal...

 

Mafra, 19 de Junho de 2013

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes

 

terça-feira, 18 de junho de 2013


Serenatas do sul de África

 

 

Apetece voar ,

perto das estrelas,

oceano além

e poisar no cabo de África,

para ouvir o canto divinal

deste coro de musas,

que cantam África

como  mais ninguém.

 

Ressuma a selva,

Planuras sem fim,

Colinas ao sol,

Árvores gigantes,

Beijando as nuvens,

Rios famintos,

Lagos de mar,

Onde a vida virgem,

Em pujança a arder,

Ainda cheira a esperança.

 

Onde mãos irmãs,

Brancas e negras,

Entrelaçadas,

Cantando ao sol,

Cavam a terra

E semeiam o pão.

 

África negra e branca

Duas irmãs...

Aleluia!...

Aleluia!..

 

Ouvindo André Rieu,

Mafra, 19 de Junho de 2013

7h49m

Joaquim Luís Monteiro Mendes Gomes