quarta-feira, 3 de julho de 2013

pela costa brava...


Na Costa brava...

 

 

Como seara de vento e sol,

Este mar de luz,

Que o céu de azul

Pinta e espelha,

Alimenta e regala,

 como nenhum mais

Que nós saibamos,

Tantos olhos e tão sedentos,

Como os nossos.

 

Por mim, em êxtase,

Ficariamos a vê-lo, eternamente,

Se outros laços

Bem dentro,

Nossas  almas não prendessem...

Por  lei da vida!

 

Assim, já dou graças,

Se, ao menos,

 uma vez no ano,

por privilégio,

que regalo,

Aqui venhamos repeti-lo...

 

Golfo de Roses, 4 de Julho de 2013

7h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 2 de julho de 2013

meu par de sandálias...


Meu par de sandálias

 

São leves, ligeiras.

Ponho-as nos pés

E vou por aí fora,

sem rumo traçado.

 

Aberto à vida dum dia que nasce.

É o passado que vai

E o futuro que vem,

 

Comboio fechado,

cheio de gente,

Janelas abertas,

Com destinos incertos,

Com bilhete pré-pago,

Entregue e aberto

no fim da chegada.

 

Subindo e descendo.

Por campos e serras,

Com horas tristonhas

E dias de sol.

Sentindo o vento,

Cantando cá fora.

Rasgando o tempo,

Vestido de dia e de noite

Com estrelas de sorte.

Cada um tem a sua.

Para si e para dar.

Enquanto durarem

Minhas sandálias nos pés...

 

Roses, 3 de Julho de 2013

7h12m

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 1 de julho de 2013

hora das gaivotas...


Hora das gaivotas...

 

Aqui do alto,

Da minha varanda aberta,

Só a praia ainda deserta.

Está na hora só das gaivotas.

Foram elas em algazarra

Que me acordaram, atrevidas.

Esvoaçam loucas. Parecem nervosas.

Na borda do mar.

Quase sepegam.buliçosas,

levantam voo ,

ensarilhadas,

e se revoltam desconexas

largando penas..

que as ondas escondem.

 

Não há vivalma.

De vez em quando,

lá vai um esgrouviado notívago,

que não tem família

e velou na areia.

 

 Uma fila de bolas túrgidas,

Presas ao fundo

Ainda sonolentas,

Delimitam os limites da praia.

 

Do porto avista,

Sai uma traineira de pesca,

Rasgando as águas.

Buscando peixe

Para o nosso almoço

No mar de cinza.

 

Agora, ali vai sozinha,

uma mulher madura,

Caminhando descalça,

Na borda das ondas,

Semeando-me  inveja...

Faria o mesmo,

Se eu fosse rei
ou só gaivota...

 

Roses, 2 de Julho de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

de novo em Roses...


De novo em Roses...

 

Aqui estamos frente ao Mediterrâneo azul e calmo.

Entre nós  e ele,

Apenas uma marginal com palmeiras,

Uma restinga de areia fina.

 

O resto é festa...

com muita cor e alegria nos rostos de tanta gente.

Todas as idades. De todos os lados.

 

Há quem nade. Quem chapinhe nas ondas.

Há quem pesque.

Há chilreios da criançada alegre,

Saboreando os pais presentes,

que não são de mais ninguém.

 

Quem deambule de trás prá frente,

Com a água nos pés.

E esplanadas cheias com guarda-sóis abertos.

Há patinadores que aprendem.

E ski aquático com motas de água.

 

Cães que brincam buscando pedras aos donos.

 

Há música de fundo, dos anos vinte.

E um sol sereno, dardejando calor.

Amantes quentes que sonham felizes.

E o nosso reencontro enfim,

Ao fim de mais um ano.

 

Roses, 1 de Julho de 2013

22h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 30 de junho de 2013


Prosseguindo...

 

Despertei duma noite atribulada...

O calor intenso e o ar condicionado

Formam uma calda choca,

Nada boa para o nosso corpo.

 

Por dentro,

as enxaquecas e a respiração...

E por fora.

As dobradiças ficam pegadas,

As costelas gemem

E nem um bom colchão resolve o problema...

 

Já passou...aqui estou,

depois de me refrescar no duche,

pronto a seguir até o golfo de Roses

na Catalunha.

 

Uma estância de praia e mar

Onde tudo é em doses certas.

O ar é leve e puro.

O mar é são e manso

E o céu é azul como safira.

 

A harmonia em tudo

é uma manta de linho puro

Que nos abraça...

 

Alcalá de Henares, 1 de Julho de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

Romagem a leste...

 

Vim de Badajós a Madrid,

Como quem atravessa o deserto.

Campos e campos de palha seca.

Uma casita erma aqui,

Outra além.

Só os carros corriam na estrada.

Como pássaros solitários,

Que migram e só fazem escala

Nas bombas de gasolina.

 O sol aperta e o sono

Esvoaça e mina à frente,

Como nuvem bassa

Que adormece e ameaça.

 

O caminho é longo...

Dá para ver ao longe,

Um céu imenso,

E à esquerda, roçando as nuvens,

Uma grande muralha,

Com dentes de serra,

Refulgindo ao sol.

É a Guadarrama.

Imponente e bela.

Marcando fronteira

Entre o norte verde

Cheio de rios

E o sul agreste,

Deserto de sal...

No fim do mundo.

 

Alcalá de Henares, 30de Junho de 2013

20h47m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

sábado, 29 de junho de 2013


Íntimamente...

 

 

Acabei de almoçar na “pucarinha”.

Borrego estofado.

Puxei do cachimbo

E pus-me a fumegar,

De volta para casa.

 

Bebi um wuiske.

Sentado no meu sofá.

Acendi meu balão

E fui pelos céus.

Como faúlha acesa,

Brilhando ao sol.

 

Dei a volta ao mundo.

Por cima das nuvens,

Como um mar celeste.

 

Esqueci-me da terra.

Batida de vento.

Como  peregrino saudoso

Que não quer voltar.

 

Tive sonhos belos,

Duma infância feliz.

À procura de ninhos,

Nas árvores do rio,

No final da escola.

 

Fui marinheiro,

Num navio à vela.

Fui caminheiro

Pelos montes da santa,

Até me sentir cansado.

 

Poisei lentamente,

Quando o sol se pôs.

 

Fui fazer amor,

Por me sentir feliz.

 

Mafra, 29 de Junho de 2013

16h44m

Joaquim Luís Mendes Gomes