segunda-feira, 8 de julho de 2013

aqui vamos nós...


Aqui vamos nós...

 

Mulhouse já está no papo...

De Roses aqui foi um saltinho de 900Km.

Através da França verde, cheia de vida.

Dum lado, as montanhas altas,

Do outro o Mediterrâneo grande e belo.

Que mundo lindo!...

Cheio de marcas dos ancestrais.

Castelos mortos, que só enfeitam.

Muitas igrejas nobres,

Cheias de Fé.

Os albigenses com suas lendas.

Estradas abertas cheias de carros.

Um formigueiro de gente viva.

Alegria a jorros em rostos belos.

Comboios velozes vencendo distâncias.

Uma Europa imponente

Irradiando cores...

Aqui vamos nós peregrinos de esperança

Correndo para os abraços

Da nossa gente que nos espera...

Contando as horas.

Ó que mistério de amor bendito!...

Como seria o mundo,

Se  tudo estivesse bem.

Um hino feliz de céu na terra.

 

Mulhouse, 8 d Julho de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 7 de julho de 2013

a festa que acaba...


A festa que acaba...

 

Vai encerrar para nós,

este palco azul,

de diversões variadas,

em sessão permanente.

Ambiente de festa.

 

A plateia ridente,

exposta na praia,

bate as palmas

e sobe para o palco

quando lhe apetece.

 

Os camarotes são barcos

que dançam e balançam

nas ondas que passam.

 

Velozes as motas deslizam na água,

galgam atrevidas,

com piruetas.

 

Há barcos com mastros,

que assistem calados,

de velas cansadas.

 

Barquinhos de remos

brincam infantes,

 às voltinhas miúdas,

arreliam os pais,

com danças macabras.   

 

Os corpos molhados,

de vermelho pintados,

aguçam desejos ocultos,

aos olhos sedentos.

 

Há sons estridentes da arraia miúda,

brincando na areia,

arquitectos em potência.

 

E os velhos cansados,

patinham os pés,

de mãos amarradas.

 

Na areia pisada,

ficam marcadas pegadas de sonho,

da gente que veio e que vai,

esperando voltar...

 

Roses, 7 de Julho de 2013

20h58m

Joaquim Luís Mendes Gomes

sábado, 6 de julho de 2013

a procissão...


E ali vai o Padre atrás de oito andores...

 

Estamos numa procissão, claro.

Duma das muitas romarias que se fazem uma vez no ano, aos padroeiros dessas muitas ermidas brancas, no alto dos montes do nosso País, ou a partir do adro das igrejas paroquiais.

Dominam as cores das opas e das vestes domingueiras, a estrear, das nossas gentes. Normalmente domina o sol no horizonte que ruboresce aqueles rostos tintos, novos e velhos, que transpiram alegria sadia.

Há foguetes a estralejar no céu, largando tiros que não estrondam a guerra. Mas são de festa.  De alegria virgem.

Há andores ao alto, com todos os santos e Senhoras do Céu, com vestes largas e luzentes, acetinadas. Parecem cascatas de jardins em flor, das mais bonitas.

Há tapetes feitos de pétalas vivas, tão bem bordados, como arraiolos...

Há arcos erguidos, em volta ampla, duma berma à outra, tão frequentes, parecem dosséis de cor. Clamam hossanas em letras gordas de tinta, a Nosso Senhor.

 Há perfumes de ervas dos rios, de tantos matizes, que até embriagam...

Há coros  lindos, já tão antigos, cantam louvores...enchem os ouvidos e nunca cansam...

Há preces a Deus, em vozes uníssonas, tão bem timbradas, tão bem sentidas, que nem Ele resiste...

E há uma banda de música, com instrumentos de sopro, flamejando ao sol. Marchando certa, ao som dos tambores, bastariam eles para fazerem a festa...Tocam tão bem, como se fosse uma orquestra, mestria sem escola, melodias clássicas e modas de igreja, nos fazem vibrar.

 E atrás de todos, vem um palácio de panos, de brocardo d’oiro, suspenso do céu, pelas mãos de gigantes com opas.

Ali vai o Santíssimo...o nosso Criador...irradiando a Fé e a bênção, como se fosse o sol...

 

Benditas sejam estas romarias todas que, pelos meses de verão, põem o povo em festa e, bem no fundo, dão sentido à vida...

 

Roses, 7 de Julho de 2013

6h58m

Joaquim Luís Mendes Gomes

Roses ao anoitecer...


Roses ao entardecer...

 

Da minha varanda do 5º andar

tenho à frente um mar que dorme.

Já não há gaivotas nem andorinhas no ar.

 

Lentamente vai ficando deserta a praia negra.

Pelos passeios, muito enlaçados,

Pares de amantes que se trocam beijos.

Só a chilreada da pequenada vibrante

Teima em ficar.

 

Nos parques ermos,

Sossegam os carros

E as esplanadas acesas,

Escorrem de cervejas.

 

Uma brisa doce afaga o meu rosto.

Meus olhos sedentos

Se passeiam pelas encostas

Onde luzem as casas.

 

A pouco e pouco,

Vai ficando escuro

Este dossel de luzes.

 

Só os faróis dos carros

Rasgam as trevas densas.

 

Pelos telhados negros,

Ressaltam luminosos,

Cartazes de luz

Anunciando hotéis.

 

Quando cerrei as portas,

O silêncio voltou e

Me convidou a dormir...


Roses, 6 de Julho de 2013

22h50m

Joaquim Luís Mendes Gomes

transparências da tarde...


Transparência da tarde...

 

Refulge o sol.

E o mar e a serra,

Encrustada de casas brancas.

Até o castelo negro,

Em pedras bassas,

Cravado há séculos

Naquela encosta,

Cheio de ninhos,

De águias ou de gaivotas.

 

Sobem  sons

Dum cantor de ofício,

Através das palmeiras verdes.

Festa da praia

Em julho quente.

 

Corpos a arder,

Expostos ao sol.

Clamando tons de pele

Que a natureza trocou.

 

Os negros

Querem ser brancos

E os brancos de mel

querem ser negros...

É a insatisfação mortal.

 A loucura tonta

De quem está vivo

E não quer morrer...

 

Praia de Roses, 6 de Julho de 2013

14h10m

Joaquim Luís Mendes Gomes

a força dum sorriso...


Um sorriso só...

 

 

Quando a tristeza ameaça

e a chama parece no fim,

basta a brisa fresca e pura,

dum sorriso ou dum carinho ...

nem que seja dum mendigo.

 

De novo o fogo alastra

e uma labareda enche o céu,

de esperança verde.

 

Tudo se cobre de vida  

e a alma canta de alegria.

 

Qual brisa suave dum dia de praia,

Um só sorriso chega

para que desapareçam as nuvens densas,

Volte a luz

E o  jardim que todos somos,

Se cubra de perfume e

volte a florir.

 

Roses, 6 de Julho de 2013

11h53m

Joaquim lLuís Mendes Gomes

sexta-feira, 5 de julho de 2013

praia de roses...


Praia de Roses

 

Já reluzem os barcos ao sol.

Há-os que correm fugindo ao rasto

que deixam atrás.

 

E há-os parados,

apenas se voltam e tornam,

Sem leme,

 espanejando as ondas,

como os cavalos as moscas.

 

Abrigados no porto,

De mastros erguidos,

Sem velas,

Jazem iates,

de gente graúda

que veste casaca,

em noites de gala.

 

Pelos carreiros-passeios,

Chegam cortejos infindos,

de criançada miúda,

Sedenta de praia.

 

Pela estrada parados,

Em linha segunda,

Se quedam camiões frigoríficos,

 Com verduras e carnes

Para os restaurantes famintos.

 

Pela bordinha do mar,

Molhando os pés,

Caminham e conversam,

Sem fim,

Um par de senhoras,

De saias erguidas,

Para lá dos joelhos.

 

Enquanto o dono dos botes que aluga,

Medita sentado,

Como há-de pagar

a renda desta praia deserta...

 

 

Roses, 5 de Julho de 2013

9h22m

Joaquim Luís Mendes Gomes