quinta-feira, 11 de julho de 2013

outro mar de ondas...


Outro mar de ondas...

 

Se abro as janelas,

Um mar de vagas,

em marulhar constante,

ressoa estridente,

como se tempestade.

Não vejo a espuma

Mas fumos de carros

Que correm na estrada.

 

Em vez da praia,

Um dossel vibrante,

Jorrando verde,

Das copas vibrantes,

Como se fossem algas.

 

Uma brisa meiga corre no ar.

Que nos consola o rosto

E enxuga as lágrimas.

 

Em vez de gaivotas brancas,

Esvoaçam corvos negros.

Grasnam sedentos

E devoram os vermes.

 

Nos bosques da selva

Dormem os esquilos.

Saltitam nos ramos,

Como se fossem aves.

 

Não oiço cucos

Nem poupas gementes.

Se ouvem pombas

Caçando os grilos.

 

Quando fecho as janelas,

Chove silêncio...

Me convidando ao sono.

 

Berlim, 11 de Julho de 2013

13h40m

Joaquim Luís Mendes Gomes

parece utopia...


Parece utopia...

 

Horas sagradas verdes

que despertais solenes,

nestas terras de longe,

Longe do mar.

Vertem paz ,

convidam à vida.

Sabem a amor.

Reina a harmonia.

Terras de ordem.

Cada um faz o que deve fazer.

Alegria nos rostos,

Reluz igualdade,

Sobra riqueza que sacia em geral.

 

De portas abertas, sem discutir,

Abre o hospital pronto a cuidar...

As carteiras da escola fervilham lareiras,

São lâmpadas acesas,

Iluminam e aquecem

A todos igual.

 

A segurança da rua,

A todas as horas,,

Dá para dormir e sonhar,

de janelas abertas,

 Em qualquer lugar.

E tudo é assim,

porque o contrato se cumpre,

sem discutir,

e há gente à frente

que sabe mandar...

 

Berlim, 11 de Julho de 2013

9h25m

Ouvindo Vangellis

 

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

o milagre do pão...


Milagre do pão...

 

Desde pequeno, assistia de graça,

a um milagre semanal.

Quando minha Mãe

que Deus tenha em bom lugar,

Com um montão de farinha milha,

Água da fonte, mexia...mexia...

E fazia uma pasta branca,

Na gamela de madeira,

Parecia um barco.

 

Juntava-lhe um pedaço doutra

A que chamava fermento

E voltava a mexer...a mexer.

Deixava-a a dormir,

em silêncio profundo,

durante um certo tempo.

Com uma cruz de bênção...

 

O forno de barro ardia em chamas...

Até ficar rubro ao fundo.

 

Sobre uma pá de madeira,

Erguia montes de massa

Que colocava lá dentro.

Até encher.

Fechava o forno com uma porta

E betonava bem,

Com bosta de boi...

 

Depois era só esperar.

Um milagre à vista ia romper:

 

Aqueles montões de massa,

Quando se abria a porta,

Tinham crescido tanto...

Que lindas boroas de pão

Surgiam cheirosas...

Eram o nosso pão

P’rá semana inteira!...

 

Berlim, 10 de Julho de 2013

15h00m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 9 de julho de 2013

outro regresso ao lar...


Outro regresso ao lar...

 

Ó que suave milagre,

quando dei com estes olhos

ainda sonolentos,

Num painel de verde,

deslumbrante e belo,

das copas altas e recheadas,

tão bem pintadas,

suportando um ténue céu de tule azul,

luminoso e puro,

desde a varanda exposta

da minha casa em Berlim.

 

Como se eu fosse gnomo bento

numa floresta virgem,

onde tão escondidos,

também correm estradas,

com autocarros e silenciosos autos

vão para seu labor...

 

Uma disneilândia solene, a sério,

sem trapézios em brasa.

Um pedaço de Sintra...

 

Só não sinto ao longe

o mar salgado de Ericeira,

minha feiticeira azul!

 

Nem diviso os zimbórios reais

onde retinem os sinos,

à moda de Mafra!

 

Nem os meus vizinhos corcéis,

que se banqueteiam à solta,

na tapada sem fim,

Para me darem bons dias,

quando vou à janela...

 

Mas a vida é assim!...

 

Berlim, 10 de Julho de 2013

6h11m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

de Mulhouse a Berlim...


De Mulhouse a Berlim

 

São 900km de autoestrada livre e boa,

Onde não se paga um tostão.

E é assim em toda a Alemanha.

Retraçada duma rede delas,

Em todos os sentidos,

De cima abaixo...

De lés a lés,

Para todo lado.

 

Um sistema de irrigação de vida e de riqueza

Que gera força...dá cor à vida

De toda a gente.

E aqui está à vista.

 

Circular apenas custa o preço do combustível gasto.

Muito inferior ao das portagens

Cujo montante sobe

Ao deus dará...

Quando o patrão quer...

Um contra-senso

Que nenhum economista são aceita.

Um mega-investimento inútil,

Sub-aproveitado

Que se desperdiça!...

Só por má-fé!...

 

Berlim, 9 de Julho de 2013

23h47m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

aqui vamos nós...


Aqui vamos nós...

 

Mulhouse já está no papo...

De Roses aqui foi um saltinho de 900Km.

Através da França verde, cheia de vida.

Dum lado, as montanhas altas,

Do outro o Mediterrâneo grande e belo.

Que mundo lindo!...

Cheio de marcas dos ancestrais.

Castelos mortos, que só enfeitam.

Muitas igrejas nobres,

Cheias de Fé.

Os albigenses com suas lendas.

Estradas abertas cheias de carros.

Um formigueiro de gente viva.

Alegria a jorros em rostos belos.

Comboios velozes vencendo distâncias.

Uma Europa imponente

Irradiando cores...

Aqui vamos nós peregrinos de esperança

Correndo para os abraços

Da nossa gente que nos espera...

Contando as horas.

Ó que mistério de amor bendito!...

Como seria o mundo,

Se  tudo estivesse bem.

Um hino feliz de céu na terra.

 

Mulhouse, 8 d Julho de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 7 de julho de 2013

a festa que acaba...


A festa que acaba...

 

Vai encerrar para nós,

este palco azul,

de diversões variadas,

em sessão permanente.

Ambiente de festa.

 

A plateia ridente,

exposta na praia,

bate as palmas

e sobe para o palco

quando lhe apetece.

 

Os camarotes são barcos

que dançam e balançam

nas ondas que passam.

 

Velozes as motas deslizam na água,

galgam atrevidas,

com piruetas.

 

Há barcos com mastros,

que assistem calados,

de velas cansadas.

 

Barquinhos de remos

brincam infantes,

 às voltinhas miúdas,

arreliam os pais,

com danças macabras.   

 

Os corpos molhados,

de vermelho pintados,

aguçam desejos ocultos,

aos olhos sedentos.

 

Há sons estridentes da arraia miúda,

brincando na areia,

arquitectos em potência.

 

E os velhos cansados,

patinham os pés,

de mãos amarradas.

 

Na areia pisada,

ficam marcadas pegadas de sonho,

da gente que veio e que vai,

esperando voltar...

 

Roses, 7 de Julho de 2013

20h58m

Joaquim Luís Mendes Gomes