quarta-feira, 14 de agosto de 2013

como um chafariz ao vento...


Como um chafariz ao vento...

 

Quero espargir

Abundantes centelhas de luz e frescura

Que vão para o mundo,

Levadas pelo vento.

 

Queria chegar aos sítios mais secos.

Sem água, sem chuva.

 

Nas bermas das estradas,

Fazê-las jardins coloridos,

Alegrar os passageiros

Que correm à frente.

 

Solto golfadas de gotas,

Em volutas de fé e de esperança,

Que o vento há-de levar,

Como nuvem,

Fazendo chover,

Nos corações tristes,

Desertos de amor.

 

Não posso guardar para mim,

Tudo o que recebo,

Destinado a dar.

 

Oxalá consiga vencer as sombras

Que me passam na frente,

E escondem o sol.

 

Sem ele, se apagam o fogo e a luz.

Tudo arrefece...

Eu ficaria gelado...

Mas valia secar e morrer.

 

Ouvindo “Titanic” cantado por sax

 

Berlim, 15 de Agosto de 2013

7h53m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 13 de agosto de 2013

doce música das palavras...

Doce música das palavras...
 
Entoo versos
Como quem conta lendas.
De fadas, de reis e príncipes.
 
Conto contos.
Sempre à espera do fim da história.
Que vem e nunca sei
Onde vai parar.
 
Como chuva leve e pura,
A melodia cai suave,
Desponta do chão,
Cresce e frutifica.
Da mesma semente,
Seca e rica,
Que guardo em mim,
Donde nasci.
 
Quando fazia um sol perene,
Em cada dia
E o céu era tão azul
Como nunca mais eu vi...
 
São de lá estes tons de cor
Que eu sei de cor.
Sabem a pão,
Sabem a mel
E a cuco da ramalheira.
 
A boroa de milho,
A ressumar quentinha,
Daquele forno-inferno,
De boca aberta,
Sobre a lareira.
 
E das inflamadas desgarradas de romaria,
Cozinhadas a ali, a quente,
Como ditava a fonte,
Com força e graça.
 
Quando o límpido orvalho
Das madrugadas,
Cobria de tule,
A manta de urzes verdes
Que vestiam a mata fresca
Nas traseiras de minha casa...
 
São de lá as letras
E as notas simples
Com que escrevo,
Como os blocos de granito,
Que ergueram a minha casa,
Estas baladas de enlevo
E amor à vida
Oxalá assim fosse eterna...
 
Ouvindo André Rieu
Berlim, 14 de Agosto de 2013-08-14 7h48m
Joaquim Luís Mendes Gomes
 

paródia...ao gato

Paródia...

São o cão e o gato.
Andam por aí.
Sempre à pega.
Pé e sapato.

Ladram e miam.
Cobra e lagarto.
Mordem, rabunham....
Mosca no prato.

Se pégam ao corpo,
Cola e esponja,
Garfo e faca,
Em cima do prato.

Só se lembram do dono
Na hora da sopa.
Dormem a sesta
e ressonam à brava,
Com a língua de fora.

Um é leal.
Outro é gato.

Berlim, 12 de Agosto de 2013

domingo, 11 de agosto de 2013

a vida custa...


A vida custa...

 

Se às vezes penso

Que viver não custa,

Me engano sempre.

 

Custa e custa muito.

Depende de mim

Que não sou sempre o mesmo

E de tudo, à volta,

Sempre a girar...

 

Por vezes, nada se pode contra,

A não ser, usar a cabeça,

Fazer de conta

E saber esperar.

 

Foi assim que Alguém o quis.

Esse mesmo que nos fez a nós,

Tal qual somos.

Somos obra sua.

Todos diferentes.

Todos iguais.

Entre nós e Ele.

 

Com uma agravante

Que nos é favorável.

Não é só o Artista...

É também o Pai...

Omnipotente e rico.

Por sua vontade!...

Vá-se lá saber porquê...

 

E aqui está o segredo.

Basta crer e ser leal

Como um filho ao Pai.

Só assim, a vida não custa.

 

Ouvindo André Rieu

 

Berlim, 11 de Agosto de 2013

10h22m

Joaquim Luís Mendes Gomes

sexta-feira, 9 de agosto de 2013


É sempre possível...

 

Há sempre espaço e tempo

para o perdão.

É sempre possível

reabrir as portas do coração.

Por maior que seja ofensa

E duro o não...

 

Muito mais...dum pai ao filho.

 

Afinal, nunca se sabe

Se a nossa mão

Também esteve presente

Naquela acção...

 

Cada momento ausente,

entre dois amigos,

por causa da ofensa,

É tempo de vida perdido na sombra.

É tempo morto...sem calor de sol.

 

E é tão lindo e doce rever

O nascer do sol...

 

Ouvindo um saxofone a arder de amor...

 

Berlim, 10 de Agosto de 2013

7h1m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

regresso ao lar...


Regresso ao lar...

 

Saboreio estas horas doces

que o destino me reservou ao cair da tarde.

Quando voltam aos lares as ridentes andorinhas.

Quando caem as trindades do anoitecer.

Uma onda mansa de melancolia

me banha este corpo cansado da caminhada.

 

Pelas frestas dos telhados rubros,

saem cheiros acres dos estrugidos de banha pura.

 

Aqui e ali, ainda se ouvem rezas,

de Pais nossos e Ave marias,

soletradas pela terna voz dalguns avós...

 

E, lentamente, como via o meu avô, já velhinho,

eu vou subindo lento,

a ladeira em terra que vai da estrada

até à capela de Pedra Maria,

onde, em menino, joguei à bola

e, banhado em lágrimas, vi, há muito,

subir para sempre,

os corpos defuntos de meus Pais...

É a hora doce do meu regresso.

 

Ouvindo Marisa, em Ó Gente da minha terra...

 

Berlim, 9 de Agosto de 2013

22h32m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

só presságio...


Só presságio...

 

Sinto no fundo de mim, um mau presságio.

Há nuvens muito negras ao longe.

Aproximam-se terríveis.

O mar vai enfurecer-se com elas.

Vai estrebuchar.

Meu barco agitado vai correr o risco

De, para sempre, se afundar.

 

Apenas uma centelha brilhante de céu me reluz.

É a luz da esperança e fé...

O mar vai serenar.

 

Hei-de chegar a bom porto...

Estou certo.

 

Ouvindo “titanic” com sax

 

Berlim, 9 de Agosto de 2013

7h25m

Joaquim Luís Mendes Gomes