domingo, 18 de agosto de 2013

grande gala da lua cheia...


Grande Gala da Lua Cheia

 

O dia escurece.

A noite fica brilhante de luz.

Bailam as estrelas refulgentes.

 

As nuvens recolheram sossegadas.

Abrem-se de lado a lado, as galáxias,

Ao longo da Via Láctea e Santiago.

 

Ressoam de júbilo

Os clarins em coros de anjos.

É a grande gala

Da lua cheia que começa.

 

Chegam todos os deuses do olimpo,

Em cortejo.

Flamejam as asas brancas

Dos cavalos incandescentes.

Estrondam clarões de trovoada.

 

É o grande baile que em festa

Se começa.

 

Jorram taças de champanhe,

Em grande escala.

Há brindes e saúdes em alvoroço.

 

Esbordam fartas as mesas de iguarias,

Nem os anjos e os arcanjos lhes resistem.

 

E no fim, imponente em majestade,

Aparece o sol, saudando todos,

Ardendo em luz

E convidando a Lua Cheia

A despedir-se.

 

Berlim, 18 de Agosto de 2013

22h00m

 

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

horas de seca...

Horas de seca...

 

 

Ó que secura

Caíu sobre mim...

Estou às escuras,

Com sede.

 

E, ao longe, há gente

Que espera...

Que hei-de eu levar?

 

Parado, não fico.

Vou pôr-me a caminho,

Caminho da fonte.

De água abundante,

No cimo do monte.

 

Mesmo que demore

E que custe

Ou que sangre.

 

Vou pelo caminho,

Procurando a sombra,

Sempre a subir,

Que me ensinaram em menino,

Menino de escola,

Em casa dos pais.

 

Nunca falhou.

Sei que vai dar.

 

Levo um cantil,

Que dê para todos,

Para encher e guardar.
 

Outras secas

Que venham.

Me há-de valer

E nunca secar.

 

Ouvindo Nocturnos de Chopin

 

Berlim, 18 de Agosto de 2013

9h12m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

revelações discretas...


Revelações discretas...

 

Quem busca sempre alcança,

Me diziam em criança.

E eu acreditei.

Por isso, procuro sempre.

Quando me falta alguma coisa

De que preciso,

Desde que seja boa para mim

Ou para alguém.

 

Fecho os olhos ligo a Deus...

Na hora certa, sem dar fé,

Nunca se esquece.

 

Aparece igual ou bem melhor

Do que pedi...

Sempre vem.

 

Impossíveis, se forem bons,

É coisa que não conheço.

Como uma nuvem espessa

Que tolda o céu,

Num repente, discretamente,

Se dissipa.

E, refulgente, brilhando azul,

Logo aparece o céu.

Desce a luz e o calor

Que ilumina e aquece todo o mundo.

Nunca há crise, no celeiro

Que Deus lá tem...

 

Ouvindo Michael Jackson em saxo

Berlim, 18 de Agosto de 2013

6h9m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

cartão matinal...


Cartão da manhã...

 

Que seja o mais belo, lindo e bom

Este cartão matinal

Que te escrevo

E te trago em mão.

 

Suas tintas foram compostas

Em segredo,

Com água pura

E muitas pétalas frescas

Do meu jardim a brilhar ao sol.

 

Não as comprei na s lojas.

Brotaram virgens.

Húmus da terra.

Das sementes

Que Alguém lá semeou,

Durante a madrugada.

 

Minha mensagem breve

É sempre, de muita alegria e paz,

Com fé e esperança...

Só assim, faz sentido

Viver a vida.

 

Sigamos em frente,

O caminho é longo,

É duro,

Por vezes, com muitos espinhos,

Mas sempre a subir

Para o alto da serra,

Onde há luz,

Serenidade e a paz total,

É onde mora o nosso Pai...

 

Ouvindo Mirúsia e André Rieu

Berlim, 16 de Agosto de 2013

7h59

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

como um chafariz ao vento...


Como um chafariz ao vento...

 

Quero espargir

Abundantes centelhas de luz e frescura

Que vão para o mundo,

Levadas pelo vento.

 

Queria chegar aos sítios mais secos.

Sem água, sem chuva.

 

Nas bermas das estradas,

Fazê-las jardins coloridos,

Alegrar os passageiros

Que correm à frente.

 

Solto golfadas de gotas,

Em volutas de fé e de esperança,

Que o vento há-de levar,

Como nuvem,

Fazendo chover,

Nos corações tristes,

Desertos de amor.

 

Não posso guardar para mim,

Tudo o que recebo,

Destinado a dar.

 

Oxalá consiga vencer as sombras

Que me passam na frente,

E escondem o sol.

 

Sem ele, se apagam o fogo e a luz.

Tudo arrefece...

Eu ficaria gelado...

Mas valia secar e morrer.

 

Ouvindo “Titanic” cantado por sax

 

Berlim, 15 de Agosto de 2013

7h53m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 13 de agosto de 2013

doce música das palavras...

Doce música das palavras...
 
Entoo versos
Como quem conta lendas.
De fadas, de reis e príncipes.
 
Conto contos.
Sempre à espera do fim da história.
Que vem e nunca sei
Onde vai parar.
 
Como chuva leve e pura,
A melodia cai suave,
Desponta do chão,
Cresce e frutifica.
Da mesma semente,
Seca e rica,
Que guardo em mim,
Donde nasci.
 
Quando fazia um sol perene,
Em cada dia
E o céu era tão azul
Como nunca mais eu vi...
 
São de lá estes tons de cor
Que eu sei de cor.
Sabem a pão,
Sabem a mel
E a cuco da ramalheira.
 
A boroa de milho,
A ressumar quentinha,
Daquele forno-inferno,
De boca aberta,
Sobre a lareira.
 
E das inflamadas desgarradas de romaria,
Cozinhadas a ali, a quente,
Como ditava a fonte,
Com força e graça.
 
Quando o límpido orvalho
Das madrugadas,
Cobria de tule,
A manta de urzes verdes
Que vestiam a mata fresca
Nas traseiras de minha casa...
 
São de lá as letras
E as notas simples
Com que escrevo,
Como os blocos de granito,
Que ergueram a minha casa,
Estas baladas de enlevo
E amor à vida
Oxalá assim fosse eterna...
 
Ouvindo André Rieu
Berlim, 14 de Agosto de 2013-08-14 7h48m
Joaquim Luís Mendes Gomes
 

paródia...ao gato

Paródia...

São o cão e o gato.
Andam por aí.
Sempre à pega.
Pé e sapato.

Ladram e miam.
Cobra e lagarto.
Mordem, rabunham....
Mosca no prato.

Se pégam ao corpo,
Cola e esponja,
Garfo e faca,
Em cima do prato.

Só se lembram do dono
Na hora da sopa.
Dormem a sesta
e ressonam à brava,
Com a língua de fora.

Um é leal.
Outro é gato.

Berlim, 12 de Agosto de 2013