quarta-feira, 21 de agosto de 2013

cortejo colossal...


Cortejo colossal...

 

Manhã sorridente de sol a abrir.

Contente de pegar ao trabalho

De mais um dia,

Que o universo lhe encomendou.

 

Em roda louca, incessante,

Dá voltas à terra amante

Que se volta,

Que se revira,

Vezes sem fim.

 

Há um laço vital, oculto,

Tão constante,

Redondo e firme

Que tudo prende

Neste universo infindo.

 

Que cadeia misteriosa,

Que cortejo colossal,

Em carrocel,

Nos transporta por esse além sem fim.

Sem darmos conta.

 

À frente da minha janela, ridente,

É o silêncio verde, a arder,

Dum mar de tantas copas altas,

Luzindo ao sol,

Apontando ao céu

Seus ramos, pujantes,

Em oração perene.

 

E eu com eles...

 

Ouvindo “nocturnos” de Chopin

 

Berlim, 22 de Agosto de 2013

7h59m

Joaquim Luís Mendes Gomes

intuição...


Intuição

 

É milimetricamente exacta e precisa

Quando actua.

Adivinha e perscruta

Em ondas ocultas, reais

Que nos passam à frente

E os sentidos não sentem.

 

Zonas que existem em nós,

Presentes e activas,

Janelas abertas,

À espera de luz.

 

Tantos domínios no mundo

Vendado aos olhos,

Só a alma os vê.

 

Sem distâncias nem tempo,

Tudo atravessa e atinge,

No momento preciso e exacto.

Sem cálculos ou somas.

Nem antenas celestes.

 

São os olhos da alma

Que o corpo não vê...

 

Ouvindo Chopin

 

Berlim, 21 de Agosto de 2013

11h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes

lembranças...


Lembranças...

 

Não basta chorar

Quem partiu e não volta.

É preciso honrar sua memória.

Da vida vivida connosco ao lado.

 

Sorrindo, sofrendo,

Das dores que sentíamos,

Como se fossem suas também.

 

As mais lindas flores

São os dias vividos,

Do modo que eles gostariam de ver...

Esperando por nós.

 

ouvindo nocturnos de Chopin

Berlim, 21 de Agosto de 2013

10h55m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 20 de agosto de 2013

elevado do chão...


Elevados do chão...

 

 

Quem nunca um dia não caíu ao chão?...

Ninguém. É natural.

Porque o chão é o termo último

Deste corpo que cai porque é mortal.

 

A alma voa livre, à solta,

Mesmo dentro deste corpo que cai.

O termo infinito, dos dois,

É o céu.

Foi assim que nasceu

Este corpo animado por Deus.

 

A alma é sua boia

Que o prende e segura,

Bem firme,

Amarrada por laços de abraços

A quem os criou.

 

Não te importes se cais...

Há sempre uma mão e um braço

A puxar para cima,

A cuidar as feridas,

Com desvelo de Mãe,

Das pedras ou espinhos da terra.

E não leva um tostão...


Basta acreditar e querer!

 

Ouvindo Kenny G e o seu sax

 

Berlim, 21 de Agosto de 2013

8h8m

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

o meu castelo...


O meu castelo

 

Tudo que tenho

Dá para mim e para ti.

As coisas nunca são só nossas.

São a soma de parcelas de esforço

Que vêm de tantas mãos.

 

Somos um castelo erguido,

Desde os alicerces

Até às ameias

Com a ajuda dos que moram dentro

E também os que gastam

Do seu tempo e vida

Para o cuidar e encher da vida que nele vai.

 

Por nós sozinhos,

Que faríamos neste mundo?

Não valeria nada

Nem o muito nem o pouco.

Sem um espelho,

Mesmo minúsculo,

Nunca chegaria a saber

Como é o meu rosto.

 

Precisamos do calor que nos dão os outros,

A cada passinho curto que nós dêmos...

Para não arrefecer...

É assim agora como era no começo...

 

O dinheiro não paga tudo...

Muito do que sou ficou na conta...por pagar.

A alguém o devo.

 

Ouvindo Saxofone

 

Berlim, 20 de Agosto de 2013

7h42m

Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 18 de agosto de 2013

despertar...


Despertar...

 

 

Ao amanhecer, aí vou.

Casaco ao ombro,

Um cajado na mão,

Por causa das feras,

Caminho fora.

Sem rumo marcado.

 

O acaso me guia e me espera.

Ele é que sabe o que faz e que quer.

A mim, só basta ouvir,

Cantar e marchar.

 

O resto será o que for.

 

Há ordem em tudo...

Universal harmonia.

Em todas as ordens dos seres.

 

 

Afinal,

Sou simples folhinha...

De alma com cor,

Sem sombra, nem peso,

Com muitas nervuras

E letras inscritas

Que uma brisa ligeira

Levará onde quer...
Deixai-a poisar.

 

Ouvindo Sax romântico

 

Berlim, 19 de Agosto de 2013

7h39m

Joaquim Luís Mendes Gomes

grande gala da lua cheia...


Grande Gala da Lua Cheia

 

O dia escurece.

A noite fica brilhante de luz.

Bailam as estrelas refulgentes.

 

As nuvens recolheram sossegadas.

Abrem-se de lado a lado, as galáxias,

Ao longo da Via Láctea e Santiago.

 

Ressoam de júbilo

Os clarins em coros de anjos.

É a grande gala

Da lua cheia que começa.

 

Chegam todos os deuses do olimpo,

Em cortejo.

Flamejam as asas brancas

Dos cavalos incandescentes.

Estrondam clarões de trovoada.

 

É o grande baile que em festa

Se começa.

 

Jorram taças de champanhe,

Em grande escala.

Há brindes e saúdes em alvoroço.

 

Esbordam fartas as mesas de iguarias,

Nem os anjos e os arcanjos lhes resistem.

 

E no fim, imponente em majestade,

Aparece o sol, saudando todos,

Ardendo em luz

E convidando a Lua Cheia

A despedir-se.

 

Berlim, 18 de Agosto de 2013

22h00m

 

Joaquim Luís Mendes Gomes