segunda-feira, 2 de setembro de 2013

abraço à vida...


Abraço à vida...

 

 

Doces horas nascem lentas,

Convidando a viver.

O caminho é longo.

Nunca sobra.

É caminhando que se vive.

 

Tudo muda como um rio

Que se espraia

E vai crescendo.

Novas sendas,

Novas terras,

Novas gentes.

Novos matizes.

 

Muda o sol e muda o tempo.

O que conta é o presente.

O que falta ninguém conhece.

 

Intenso deve ser o nosso abraço.

Que tudo erga

E que aqueça tudo

Em nosso redor.

 

Chovam torrentes de alegria

Pela vida que nos banha,

Dia a dia,

Desde o berço.

 

Está na hora de viver.

Se a dor vier, dá-lhe a mão,

Cuida-a bem...

Até se apagar.

 

Como a sombra tapa o sol,

É da noite que vem o dia...

 

Ouvindo “Adágio” de Mozart por H.Grimaud

 

Berlim, 3 de Setembro de 2013

7h23m

Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 1 de setembro de 2013

a caminho do mar...


38.-

A caminho do mar...

 

 

Me renovo cada dia,

Com a força

Do dia que passou.

 

Assim,

Passo a passo,

Vou seguindo.

Pés no chão,

Olhos no céu.

 

Só quero a luz.

Não temo subir.

 

Braços abertos,

O peito a arfar,

O coração em fogo,

Fujo das sombras

E do abismo das descidas.

 

Meu oceano

É a humanidade.

Igual. Sem cor.

Seu sangue é rubro.

Igual ao meu.  

 

Simples gota...

Sei que sou.

Não se quer perder

Nem secar ao sol...

 

Gota a gota,

Rio a rio,

A força do Sol,

Se dá vida ao mar...

 

Ouvindo Kimi Scota e Mirusia, com André Rieu

 

Berlim, 2 de Setembro de 2013

7h38m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

peregrinos...


Peregrinos...

 

A quem me hei-de queixar, se não a ti,

Meu peregrino companheiro de viagem.

Aqui ao lado.

Com destino igual.

De alegria e dor.

 

Só a hora de partida foi diferente.

 

Em caravana universal,

Oriunda lá das brumas, indefinidas,

Não sabemos se como pioneiros seres humanos, originários,

Ou como elos de evolução

Na forma e fundo,

Por um augusto toque

De sabedoria divinal.

 

Não somos máquinas.

Nem simples seres com vida.

 

Temos olhos de alma

Que medita e que reflecte.

 

Se desdobra em perscrutar, tudo em redor.

À procura dos porquês,

D’agora e sempre.

E que transforma...

 

Temos uma chama a arder, dentro de nós,

Sabendo bem no fundo

Que não fomos quem a acendeu.

 

Que inflama e se inflama

Com a chama que arde ao pé.

Que se alegra e que chora,

Como seus,

Com o bem e mal

Do companheiro de romagem.

 

Ouvindo Hélène Grimaud

 

Berlim, 31 de Agosto de 2013

8h23m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

horas serenas...


Serenas horas...

 

Tenho fome e sede

De horas serenas

Nos rochedos,

Debruçadas sobre o mar.

 

Meus olhos,

Duas gaivotas,

Barco à vela,

Livres,

Sem limites,

Sobre as ondas,

Sobre as nuvens,

Me embalando a sonhar.

 

Serenar os meus ouvidos,

Aturdidos do ruido louco

Que, dia e noite,

Sem sentido,

Brame na terra,

Em todo o lado.

 

Encher meu peito

De ar puro,

Em vez do fumo pestilento,

Que o progresso,

Ávido de lucro,

Impunemente,

Me impõe a toda a hora.

 

Inebriar minha alma,

Tão cansada,

De perdida,

No emaranhado desta vida,

Sem sentido,

Rasteira ao chão,

Com a candura infinita

Do altar da natureza,

Como a vestiu o Criador...

 

Ouvindo André Rieu

Berlim, 30 de Agosto de 2013

8h29m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ventos negros da História presente...


Ventos negros da História presente

 

Estão a desabar em velocidade louca,

Todos os alicerce firmes

Que a História de séculos,

Fabricou com muito sangue e dor.

 

Que consagrou em códigos

De honra e argamassa sã,

Rasgando caminhos

Ao progresso e bem-estar.

 

Tantas refregas onde,

Cruel, imperou a morte.

Tantas revoluções de irmãos

Que depois deram em uniões.

 

A paz e a justiça,
À parte algumas sombras,

Cobriu a Terra, de oiro e prata.

Brilhou o sol. 

Diluiram-se quase todas as fronteiras e cortinas entre os povos.

A inteligência descortinou caminhos

Que, num instante só,

Tudo põem ao dispor e à vista.

De todos os povos.

A riqueza circulou,

Livre à solta,

Na base da troca verdadeira e real,

Dum bem por um bem.

Em que a pauta era só o valor...

 

Eis que, uma praga de insectos vorazes,

Como um exército larvar e estéril,

Oriundos, não se sabe donde,

Dum deserto de honra

E farto em miragens falsas,

Assentou arraiais na banca,

Nas bolsas perversas,

Avassalou a política porca

E fez despejar a confusão geral,

De cima a baixo,

Tudo empestando de mentira suja...

 

Só um tornado gigante ...

Poderá exterminar tanta sujeira!...

Ouvindo Rachmaninov

Berlim, 29 de Agosto de 2013

8h2m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ao nascer do dia...


Ao nascer do dia...

 

 

Por entre aquele entrançado

De arvoredo verde,

De ramos e hercúleos troncos negros,

 

Entram o sol

E estes meus olhos,

Sedentos de luz e paz.

 

Nem as sombras caladas

Que o envolvem, densas,

Me desanimam de o perscrutar.

 

Baforadas de halos calmos,

Tão serenos, se desprendem,

Embriagantes,

Como duma vulcânica caldeira,

Semiapagada e livre.

 

É tal o conforto que minh’alma banha

Que, logo, humilde,

Uma prece ardente

Se exala e vai,

Faúlha acesa,

 

Para lá das tantas nuvens negras

Que me toldam o céu

E me roubam a paz.

 

Ouvindo Hélène Grimaud, em Adágio

 

Berlim, 28 de 2013

7h43m

Joaquim Luís Mendes Gomes

grande banquete...


Grande banquete...

 

Venham os pobres.

Venham os mendigos,

De todo mundo.

Hoje, será vosso o dia.

 

Tenho um banquete exposto,

Toalhas de linho,

Em mesa farta,

Ao vosso dispor.

 

 Saciai para sempre a vossa fome.

Dou-vos Justiça.

Dou-vos a Paz

Que o mundo,

É todo mendigo...

Por mais que encante,

Não é capaz de dar...