sexta-feira, 6 de setembro de 2013

canção do amor...


Canção do Amor...

 

Se cada um desse a mão a seu irmão,

Na hora em que mais precisa,

E do pão que come,

Fosse capaz de repartir,

Além do que, por justiça,

Lhe for devido,

Sem esperar a lei do Estado

Ou a ordem cega dum tribunal;

 

Se soubesse ouvir primeiro,

Antes de impor

Sua vontade;

 

E desse sempre, o primeiro passo,

Para aceitar a desculpa

De quem o ofende;

 

Se trabalhasse para saber,

E fizesse sempre

O melhor que sabei,

No trabalho e no lazer;

 

Se se alegrasse,

De verdade e sem limites,

Com todo o sucesso

Que vai na casa do seu vizinho;

 

Se ao acordar e ao deitar,

O coração se elevasse ao céu,

Louvando grato

O Autor da vida

Em cada dia...

 

Seria bom viver

E reinaria a Paz no mundo...

 

Ouvindo “ canção do amor” com André Rieu

 

Berlim, 7 de Setembro de 2013

7h35m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

 

por cada bombeiro que morre...


Por cada bombeiro que morre...

 

 

Choro a vida de cada bombeiro,

Que cada ano,

É sacrificada aos incêndios malvados

De miseráveis mãos que os ateiam,

A soldo, de horrendos criminosos...
Devem ser rechaçados, sem clemência!...

 

Choro as lágrimas dolorosas

Dos seus pais e dos seus filhos,

Com seus irmãos,

E da gente toda da aldeia

Que carinhosamente os viu nascer!...

 

Choro...choro...até morrer...

Por esta prova de amor,

Gratuita, mesmo divina,

De cada bombeiro que morre,

Nosso irmão!...

 

Berlim, 6 de Setembro de 2013

9h30m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

neste lago verde...


Neste lago verde...

 

Como um cisne albo, suave e lento,

Navego livre

Sobre as nuvens deste mundo,

Que, apesar de tudo,

É um lago verde e azul,

 

Onde, alegres, voam pássaros

E, em permanente festa,

Crescem florestas magnas

Como fontes e berços

De vida pura.

 

Onde há água gelada e presa

Em gigantescos calotes

Encrustados sobre os pólos,

Mas escorre,

Abundante e sinuosa,

Pelas escarpas e pelos rios.

 

Não tenho margens nem fronteiras

Que me prendam.
 

Minhas asas batem soltas, à deriva,

Ao sabor acre e doce do pensamento.
 

Brilhem estrelas os meus versos

Para os olhos que os lerem...

 

Ouvindo Baile do Cisne com André Rieu

 

Berlim, 6 de Setembro de 2013

7h1m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

canto...sonho...e choro...


Canto...sonho e choro...

 

 

Choro o meu povo em paz

Que assiste aflito,

Impotente,

A tanto fogo-posto

Por mão do crime indecente.

 

E choro insistente

A dor que chora

Por não ter amor.

 

E a chuva bem-vinda

Que chove incessante,

Dum céu tão sujo.

 

Mas, canto ao sol em chama

De cada dia

Que só inebria e aquece.

 

E canto ao canto sonoro

Das andorinhas

Que em bandos alegres,

Esvoaçam rentes,

À minha frente,

Beijando o chão,

De contentes.

 

Canto ao mar sem fim

Que afoga de amor

Nossa terra-mãe,

Verde e virgem.

 

Me consolo ver

Tanto prado e horta florida

E debicar as uvas e cerejas

Que os pássaros me deixaram.

 

Adoro deitar-me à sombra dos carvalhos,

Pelas sestas,

E ouvir a queda livre das bolotas...

 

Canto, sonho e choro...

 

Berlim, 5 de Setembro de 2013

14h5m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

outro apocalipse...Não!...


De novo...outra medonha atrocidade!...

 

Acordei estremunhado.

Olhei o céu.

Chamuscado de cinza

E uns laivos vermelhos

Dum tímido sol a nascer.

 

Senti-me triste.

Abri o jornal.

O terror estava ali anunciado!...

De novo, o grande aerópago americano

Aprova a morte eminente

Das vidas douradas

De tanto inocente...

Com tanto direito à Vida

Como esses poderosos têm!?...

 

A loucura paira à solta

Neste mundo,

Como lava imunda,

Dum vulcão que explode.

 

Já vejo nuvens de cinza ardente

Jorrando morte...

Em vez da vida na chuva

Que fertiliza a Terra.

 

Se levantem das suas entranhas

Todas as potências máximas

Que como um raio mortal

Fulmine, de vez,

Outra tamanha  atrocidade!...

 

Ouvindo “ Cavalgada das Valquírias”

 

Berlim, 5 de Setembro de 2013

7h35m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

amoras de Berlim...


Amoras de Berlim

 

Acabo de encontrar uma silva com amoras.

Quando fui levar o meu cão a passear.

 

Quatro estavam negras de maduras.

Comi três.

 

A outra caíu-me ao chão.

 

Trinquei-as uma a uma,

Com certo receio.

Berlim de leste...

 

Eram doces.

Mas não como as que eu colhia,

Pelos silvados da minha aldeia,

Quando era puto...

 

As outras ainda estão rubras.

São meu segredo

Para um dia me consolar...

 

Afinal, não é preciso saber alemão...

Para comer amoras.

 

Só sei

Que me souberam bem,

Na minha língua...

 

Berlim, 3 de Setembro de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

abraço à vida...


Abraço à vida...

 

 

Doces horas nascem lentas,

Convidando a viver.

O caminho é longo.

Nunca sobra.

É caminhando que se vive.

 

Tudo muda como um rio

Que se espraia

E vai crescendo.

Novas sendas,

Novas terras,

Novas gentes.

Novos matizes.

 

Muda o sol e muda o tempo.

O que conta é o presente.

O que falta ninguém conhece.

 

Intenso deve ser o nosso abraço.

Que tudo erga

E que aqueça tudo

Em nosso redor.

 

Chovam torrentes de alegria

Pela vida que nos banha,

Dia a dia,

Desde o berço.

 

Está na hora de viver.

Se a dor vier, dá-lhe a mão,

Cuida-a bem...

Até se apagar.

 

Como a sombra tapa o sol,

É da noite que vem o dia...

 

Ouvindo “Adágio” de Mozart por H.Grimaud

 

Berlim, 3 de Setembro de 2013

7h23m

Joaquim Luís Mendes Gomes