quinta-feira, 3 de outubro de 2013

mundo de paz...

Mundo de Paz...

Como folha de outono,
amarela e doirada,
raiada do sol,
batida do vento,
vou mundo fora,
Em busca da paz. 
Atravesso as nuvens. 
Pairo no limbo,
bebendo da luz,
caída dos céus. 
Minha alma adormece,
sonhando que o mal da terra,
morreu e foi sepultado,
nos fundos mais fundos,
dos longes do mar.

Só volto a voltar
quando o bem dominar
num mundo de paz.


Ouvindo sonata “ Claire de Lune” de Beethoven

Café “ Castelão” em Mafra, 3 de Outubro de 2013
10h55m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

nunca chove ao luar...

Porque nunca chove ao luar?...

Tanta vez, faz sol radioso e chove,
Engalanando a terra
De refulgentes arco-íris.
Enfeitando-a como a uma noiva
Que, em êxtase doce,
Vai subir
As escadas do altar.

É assim o inesgotável amor do astro-rei
Pela terra virgem,
Quando a banha com a chuva!...

Que haveria de ofertar a terra à lua
Quando se cobre
Daquele manto, albo e leve,
Que a enleva em sonho
E a faz cantar na madrugada...

Senão, serenatas
E tanta balada,
Perfumadas de amor plangente,
Na candura do silêncio
Que chove em pétalas,
No luar?...

Ouvindo “ Serenata de Schubert” por Nana Muskory

Mafra, 3 de Outubro de 2013
7h33m
Joaquim Luís Mendes Gomes



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

com fé e verdade...


Com fé e esperança...

 

Não importa o tempo que faz,

Se chove,

Se venta,

Se neva,

Fora ou dentro de nós,

Tristeza, alegria ou dor!...

 

Tudo se acaba...e passa.

 

Há sempre um sol

Que nasce e que brilha

E a doçura da noite

Que serena

E  refaz nossas forças

E nos põe, de novo a viver,

Quando o sol nos vier acordar...

 

Podem cair pedras

Do alto dos céus.

Pode a terra tremer

Ou o mar rebentar ,

Em fúria feroz.

 

Se nossa alma

Está quente de amor

E vontade de amar...

De verdade,

Com fé e a certeza

De que Aquele

Que nos trouxe ao mundo,

E foi por Amor...

Nos há-de acudir,

Como Pai que Ele é!...

 

Ouvindo Nabuco de Verdi...

 

Mafra, 1 d Outubro de 2013

6h53m

Joaquim Luís Mendes Gomes

desertos da vida...

Os desertos da vida...

Ausências lembradas
De vidas passadas.
Lembranças vazias
De casas fechadas.
Espaços sem vida
Que o tempo secou.

Esperanças perdidas
De quem partiu e não volta.

Braços caídos, sem forças,
De quem desistiu.

Desafios sem conta
Que nunca venceram.
Contas erradas
De quem sonhou e perdeu.

Gritos de dor
Que morreram sozinhos.
Feridas de amor
Que nunca sararam.
Liberdade perdida
Que nunca voltou.

Quimeras de sonho
Caladas na noite.

Amarras à solta
Dum barco perdido.

Fogueiras a arder
Se apagaram sem lenha.

Árvores crescidas
Sem folhas nem fruto.

Promessas de amor
Que a morte matou.

Aves canoras
Que perderam seu canto.
Raios de sol
Que nunca viram a terra.

Sementes de pão
Que o vento levou.

Pássaros vadios
Caídos no chão.

Mafra, 30 de Setembro de 2013
21h32m
 Joaquim Luís Mendes Gomes





subindo para o alto...


73.-

 

Subindo para o alto...

 

Lancei minha escada.

De degrau em degrau,

Subo incessante,

Enquanto o sol brilhar

E minha alma

Sentir o calor da vida

Que jorra,

Gratuita, abundante,

Com cor.

 

Não olho para o chão,

Me agarro bem preso,

Com a força que sinto

Da fornalha de fé

Que Alguém, sem fim,

Acendeu.

 

Quanto mais subo,

Mais leve e mais puro

É o ar.

Nada me atinge.

Não vou a fugir.

Só quero gritar

A quem me ouvir,

De longe e de perto:

- A vida é uma escada,

Infinita e segura.

Entre a terra e o alto.

Só se sobe com Fé...

 

Ouvindo Hélène Grimaud, em Adágio de Bach

 

Mafra, 230 de Setembro de 2013

8h8m

domingo, 29 de setembro de 2013

pescar à sorte...

Pesca sem sorte...

Lancei-me ao mar,
À pesca.
Lancei as redes,
Esperançado numa grande pesca.
Ao fim de horas, puxei as redes.

Que desolação!...
Vieram nuas.
Regressei a casa,
Desolado e triste.

Até o mar,
Me cerrou as portas.
Deixei o barco,
Pesado e triste,
Na areia morta.

Fugi para a serra,
A olhar o céu.
Contei as estrelas,
Pela noite fora.
Pensei na vida.
Fiz minhas contas.
Cheguei à conta
De mudar de vida.

Na minha horta,
Vou lançar semente.
Entreguei ao sol
Minha esperança e vida.

Ao raiar da aurora,
Do silêncio oculto,
Surgiu o verde,
Com vida ardendo.
Em pouco tempo,
Colhi o fruto.
Regalei a mesa,
Com feijões raiados
E meu caldo verde.
Bênção de Deus,
Criador da terra.
Fogueira de amor,
Com mesa posta,
Para toda a gente.
É só cavar!...

Mafra, 29 de Setembro de 2013
20h34m
Joaquim Luís Mendes Gome

tremendas frustrações...


Tremendas frustrações...

 

Emboscadas,

Nos derradeiros anos,

Quando a vida,

Que já dura há tanto,

Deveria ser de paz e amor,

Se converteu em pranto,

Tormenta e dor.

 

Quando o coração cansado

De tanto bater,

Sorria feliz,

Para se espraiar ao sol,

Sem contar o tempo,

Com contas bem feitas,

E nada faltar;

 

E, dos rebentos criados,

Com tanto carinho,

E tanto suor

Se ergueram árvores,

Robustas,

E só dão sombra...

Deveriam dar fruto;

 

Quando os céus escureceram,

De tanta nuvem de desordem

Negra

E desvalor

E a humanidade inteira

Ficou escrava do dinheiro imundo,

Para quem o homem

Nada conta...

Serão prenúncio final

Dos fins do tempo?...

 

Mafra, 29 de Setembro de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes