sexta-feira, 18 de outubro de 2013

o teu rosto...

Teu rosto belo...

Me quedo absorto,
Quase perdido,
Diante da beleza
Do teu rosto.

Mar profundo,
Mergulho nele,
Suas ondas ,
Cheias de espuma,
Inebriam minha alma.

Repouso cansado
Os meus olhos
Nessas rugas de mistério.

E leio lendas,
Oiço acordes,
Diviso estrelas,
Entre as nuvens,
Só eu entendo,
Embaciam o meu olhar.

Tuas faces, de tão albas,
Quase infinitas,
São duas dunas,
Tão brilhantes,
Ofuscam toda a tristeza,
Que me afoga
Na maldade deste mundo.

Tuas pálpebras doces,
Duas cortinas...
Sem qualquer sombra,
São só minhas

Que se abrem,
Tão suaves,
Tão serenas,
Me arrebatam,
Como um náufrago,
Céu acima...

Os teus olhos,
De lua cheia,
São dois anjos,
Tão brilhantes,
Fascinantes,
Me encandeiam,
E me levam até às estrelas
Onde me perco a sonhar.

Mafra, 18 de Outubro de 2013
19h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

sem lugar para o mal...

Sem lugar para o mal...

Irrompem rutilantes,
Em qualquer lado,
Como um manto real,
Ao calor do sol
E carícias da natureza.

Surgem de graça,
Da terra estreme e virgem,
Como açucenas
Ou rosa amarela,
Enfeitando as serras,
Desde os pés aos cumes.

São azuis e albos,
Da cor das estrelas.
São luminosos,
Como o sol nascente.

Miosótis, estrelícias, em cachos,
Prendas de inverno,
Archotes vivos.
Fogos de amor...

Fazem-nos felizes,
Só de olhar para eles.  
Tanta candura.
Tanto perfume a brotar para os céus.
Enchem-nos a alma...de paz e luz...
Parecem o céu...

Como é possível,
Haver na terra tanto lugar para o mal?...

Ouvindo André Rieu...

Mafra, 18 de Outubro de 2013
7h38m

Joaquim Luís Mendes Gomes

sementes de paz...

Sementes de paz...

Acredito na força final
Que o homem,
Tem para gerar a paz
Em seu redor.

Muito mais que no mal.
De que é capaz.

E na sedução fatal do bem,
No seu ser e agir,
No seu cantinho.

A lei é simples...

Porque, no fundo,
Lhe bate dentro
Um coração...

De pai ou mãe.

Que só quer o bem
De quem deu à luz,
Fruto de amor...

É esta a ordem da vida...

Começo e fim.
Semente de paz.

Ouvindo Hélène Grimaud

Mafra, 17 de Outubro de 2013
8h28m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 15 de outubro de 2013

festa geral...

Festa geral...

Gostava de fazer uma grande festa.
Convidar o mundo inteiro.
Nunca mais tivesse fim.
Soasse música ardente.
E muita dança.

Comer à farta.
E toda a gente alegre.
Com a certeza
De que, em todo mundo,
Acabara a guerra e a fome,
Brilhava o sol
E reinava a paz.

Que a humanidade inteira,
Vertical e humilde,
De mãos dadas,
Habitasse a terra,
Com os pés assentes,
De olhos no céu.

Que a inteligência geral
Fosse um archote a arder,
Abrindo caminhos,
Cada vez mais largos,
Com equilíbrio,

Rasgando trevas,
Desvendando os segredos,
Que a natureza guarda,
Para o bem do homem.

Onde o nascer para vida,
Com os nossos limites,
Com lugar para a dor,
Fosse a porta aberta
Para um paraíso
De paz e amor...
Bastaria o homem
Querer ser só
E apenas homem...
Como Alguém o fez.

Oxalá não fosse
Querer demais!...

Ouvindo Pavarotti

Mafra, 16 de Outubro de 2013
6h39m
Joaquim Luís Mendes Gomes



se um dia, este sol se me apagasse...

Se se apagasse o sol...

Se me se apagasse este sol que tenho,
Me alumia, noite e dia,
Me absorve a vida,
Me sacia de toda a pobreza,
Que encontro...em mim,

Seria capaz de dar a volta ao mundo...
Esgotar todas as forças
Até de novo o encontrar...

Como quem experimentou,
Um dia,
Um só instante,
Que fosse,
O encanto celeste do despontar do sol,
Ao raiar da aurora,
Tudo daria para o voltar a ver...

E despertou para a vida, um dia,
Num jardim em flor,
Reino de amor e paz,
Tudo fará
Para fazer na vida igual...

E quem um dia foi rico,
Até pode esquecer,
Ou até preferir
Ser pobre feliz...

Também eu já não seria capaz
De existir
Sem esta sorte imensa
Que, de graça,
Deus me deu...

Ouvindo Plácido Domingo

Mafra, 15 de Outubro de 2013
8h31m
Joaquim Luís Mendes Gomes


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

não sinto pressa...

Não sinto pressa...


Enchi meu cálice, sedento,
Com sumo de vento e de luar.
Fui servi-lo fresco à sombra,
Aos meus amigos do caminho.

Fiquei suspenso,
Tanta sede
Que havia...

Voltei para casa.

Enchi um saco
De pão fresco
Acabadinho de cozer.

Voltei ao ponto.
Abri-o ao vento.

Tanta gente mo pedia.
Fiquei suspenso.
Tanta fome caminhava lenta,
E encoberta de vergonha
P’lo caminho...
Senti vontade de chorar.

Mafra, 14 de Outubro de 2013
19h43m

Joaquim Luís Mendes Gomes

venha daí o teu abraço...

Venha daí o teu abraço!...

Escassos são os abraços,
Fortes, puros,
De alma e coração.
Naquela hora,
Justa e certa
De alegria
Ou de tristeza...

Quem não tem?..

Como seria melhor o mundo!...

Afinal, somos todos,
Fruto e semente,
Das mesmas mãos
Que criou este jardim

E o pôs ao sol
Que o abraça,
Ternamente,
Cada dia,
Ternamente,
À mesma hora,
Sem faltar.

Venha daí o teu abraço!...
É esta a hora!

Façamos desta terra amada,
O nosso jardim,
A toda a hora...

Ouvindo Grieg

Mafra, 14 de Outubro de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes