segunda-feira, 4 de novembro de 2013

minha flauta trágica...

Minha flauta trágica...

Achei-a à borda dum rio.
De cana amarela,
Crestada do sol.

Talvez d´algum pescador.

Lavei-as nas águas correntes,
E pus-me a tocar, ao luar.

Vieram sereias vestidas de tule,
Pareciam estrelas do céu
E puseram-se, de encanto,
A bailar...

Até que uma mais atrevida,
Me pediu a flauta
E fugiu...

Tão triste fcou minha alma,
Enchi de lágrimas o rio
E fui-me nele a banhar.

Mafra, 4 de Novembro de 2013,
19h12m

Joaquim Luís Mendes Gomes

minha tablete ipade...

A minha tablete nova...

Por acaso, não é de chocolate.
Mas sabe melhor que ele.

Com ela no bolso,
Entro em casa dos meus amigos,
Se ma abrirem,
Corro o mundo...
E ninguém me bate.

Vou levá-la quando morrer.
Para continuar a ler
As boas novas que,
Cá debaixo,
Me quiserem dar...

Uma caixinha doirada
Foi minha prenda, rica,
Que alguém me deu,
Pelas Baladas simples
Que cantei em Berlim...
Vou pô-la render...
Num off shore decente
E distribuir os lucros
Por que mos pedir
Ou quiser receber...

Mafra, 4 de Novembro de 2013
17h49m

Joaquim Luís Mendes Gomes

minha tablete...nova

A minha tablete nova...

Por acaso, não é de chocolate.
Mas sabe melhor que ele.

Com ela no bolso,
Entro em casa dos meus amigos,
Se ma abrirem,
Corro o mundo...
E ninguém me bate.

Vou levá-la quando morrer.
Para continuar a ler
As boas novas que,
Cá debaixo,
Me quiserem dar...

Uma caixinha doirada
Foi minha prenda, rica,
Que alguém me deu,
Pelas Baladas simples
Que cantei em Berlim...
Vou pô-la render...
Num off shore decente
E distribuir os lucros
Por que mos pedir
Ou quiser receber...

Mafra, 4 de Novembro de 2013
17h49m

Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 3 de novembro de 2013

hei-de morrer a trabalhar...

Hei-de morrer a trabalhar.

Sou escultor de pedra do monte.
Meus cinzéis têm a dureza
Da forja.
Uso martelos de aço
Que o fogo gerou.

À chuva e ao vento,
Vibro pancadas de cor.
Aqui eu aliso,
Ali eu afago,
Com sopro divino.
Viro e reviro rochedos,
Como se fosse um tambor.

Me enleio a esculpir
Com traços de cordas,
Escrevo imagens,
Como se fosse pintor.

Canto trinados,
Como se fosse cantor.
Só espero que o sol
Os faça brilhar...

Mafra, 3 de Novembro de 2013
19h54m

Joaquim Luís Mendes Gomes

brincando a pintor...

Brincando a pintor...

Peguei numa palete
E num cavalete.
Um baú de pincéis.
Um saco de tintas.
Óculos de sol.
Pus o boné.
Acendi o cachimbo
E fui para um monte,
Pronto a pintar.

Olhei para o céu,
Inundado de sol.
Fiz uns rabiscos
Pareciam bonecos.
Carregados de cor.

Passaram as nuvens.
Cobriram de sombras
Minha paleta de mestre.
E os bonecos fugiram
Com medo da chuva.
E deixaram-me só.

Guardei a paleta
Vim-me embora.
Nunca mais fui pintor...

Mafra, 3 de Novembro de 2013
18h47m

Joaquim Luís Mendes Gomes

brincando a pintor...

Brincando a pintor...

Peguei numa paleta
E num cavalete.
Um baú de pincéis.
Um saco de tintas.
Óculos de sol.
Pus o boné.
Acendi o cachimbo
E fui para um monte,
Pronto a pintar.

Olhei para o céu,
Inundado de sol.
Fiz uns rabiscos
Pareciam bonecos.
Carregados de cor.

Passaram as nuvens.
Cobriram de sombras
Minha paleta de mestre.
E os bonecos fugiram
Com medo da chuva.
E deixaram-me só.

Guardei a paleta
Vim-me embora.
Nunca mais fui pintor...

Mafra, 3 de Novembro de 2013
18h47m

Joaquim Luís Mendes Gomes

queria ser caracol...

Queria ser caracol...

Naquele muro de pedras empilhadas,
Cobertas de musgo,
Vivem caracóis.
Calados.
Não se metem com ninguém.

Não sei de que vivem
Não pedem esmola.

Só os vejo,
De palitos ao sol,
Muito calados.
Parecem dormir.

Sem senhorio.
Libertos do fisco.
Sem computador.
Só esperam o dia
Que está para nascer.

Não têm sótão.
Nem sequer garagem.
Deslizam sem fumo.
Trepando no muro,
Subindo descendo.
Só sabem comer e dormir.

Como eu os invejo...
São como são.
Vivem sem stress.
Alheios a tudo.
Não vão cantigas...
Não vêm tv.

Mafra, 3 de Novembro de 2013
17h8m
Joaquim Luís Mendes Gomes