quarta-feira, 13 de novembro de 2013

estrela cadente...


Estrela cadente...

 

Perdi horas à espera

Duma estrela cadente.

De repente, ela passou.

Nem deu tempo

De lhe dizer adeus.

Só eu a vi.

 Fiquei a pensar.

Um mundo morreu.

Igual ao meu.

 

E eu que sou,

Tão importante,

Com tantos sonhos

Que Deus me deu?...

 

Um ponto minúsculo,

Com alma de gente.

Sopro divino,

Onde cabe o mundo,

Capaz de amar,

Filho de Deus...

 

Quem é maior?

A estrela ou eu?...

 

Berlim, 13 de Novembro de 2013

22h26m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

os meus segredos...


Os meus segredos...

Estão bem guardados.
Numa caixa forte.

Não tem portas,
Não tem janelas.
Em aço puro.

Não tem chaves.
Cadeados,
Nem grades de ferro.

Guardo-os de noite,
À luz da lua.
Na minha mente.

Não há patente,
Por mais inteligente
Que os consiga decifrar.

São meu tesouro.
Uns de oiro,
Outros de prata.
Incorruptíveis.

Nem a ferrugem,
Muito menos a traça.
Não há raio de sol,
Por mais potente,
Que os consiga devassar.

São só meus
E da minha mente.
Não há preço,
Por que eu os venda.
Minha riqueza.
Não há morte
Que os mate.
Sua sorte é forte,
Como um castelo em pedra,
No pino agudo
Do mais alto monte.
Como um degredo.
Nem os fantasmas
Lá podem entrar.

Irão comigo,
Na derradeira hora.
Só Deus os lê...
E mais ninguém.

Berlim, 13 de Novembro de 2013
13h15m

terça-feira, 12 de novembro de 2013

bênção de Deus...

A bênção de Deus...

Peguei no meu cavalo branco.
Fogosamente, saímos,
Até à aldeia dos meus amigos.
Fomos de porta a porta,
Com um alforge.

Distribuimos abraços,
Por sorrisos alegres
E também lamentos.

Com o alforge cheio,
Viemos embora.
Como num sonho...
Era noitinha.
Fomos dormir.
Abri-o...
E um a um,
De Deus,
Para todos,
Eu pedi a bênção...
Que só Ele a tem!

Berlim, 13 de Novembro de 2013
8h29m
Joaquim Luís Mendes Gomes




abençoado mundo...


Abençoado seja o mundo...

Onde vivem pobres
Que são mais felizes
Que se fossem ricos.

Onde correm ricos,
Em correria louca,
Por serem pobres,
De corpo e alma.

Onde o sol nasce
E brilha igual
Para pobre e rico.

Onde o mar se ri
Do paquete enorme,
Que se arremete ao alto,
Contra a vaga estranha,
Convencido de que
Nada o afunda.

E se alegra em festa,
Com a traineira leve
Que, respeitosamente,
Lhe lança a rede,
Para ganhar o pão.
Onde há quem consuma a vida,
Fazendo o bem,
A quem mais precisa,
Sem olhar à cor
Se é lindo ou não,
Sem cobrar vintém...

E quem se dê,
De corpo e alma,
A descobrir segredos
Em favor do bem...

Bendito o mundo
E o poder do Amor
De quem o fez...

Berlim, 12 de Novembro de 2013
21h7m
Joaquim Luís Mendes Gomes



domingo, 10 de novembro de 2013

pareço um pássaro...

Pareço um pássaro...

Irrequieto...morrendo de curioso,
Voando de copa em copa,
Olhando o chão
Ou os caminhos,
Onde passa gente.

Ali vão frenéticos.
Para um e outro lado.
Que os faz mover?...
Tenho pena deles..
Não sabem voar.

É cá do alto
Que se enxerga tudo.
Rentinhos ao chão,
Só andam formigas,
Na faina delas...
Lição de cor.
Que não ligam nenhum...
São uns coitados,
Uns infelizes.
Têm cabeça
E braços...
E tão tristonhos.
Não sabem usá-las.
Uns inteligentes...
Tão vagabundos.

Ibis, 10 de Novembro de 2013
22h42m

Joaquim Luís Mendes Gomes

minha lira...

Minha lira...

Alguém se esqueceu
Duma lira dourada,
Que não sei tocar,
Nas minhas mãos.

Mas, por magia,
Ou graça d’Alguém,
Eu a abraço a mim,
Só lhe empresto os dedos
E ela põe-se a vibrar as cordas
Com tão lindos tons,

Como sereias,
Que entoam hinos,
Fingem serpentes
Que encantam presas,
Sem as devorar.

Tecem lendas, lindas,
Quais teias de linho,
Cintilando ao sol,

Inundam quadros,
Com o fulgor das serras,
Refulgem ao sol,
Espelhando o céu.

Fico a ouvi-la,
Tão atento,
Dias a fio,
Com tanto encanto,
Me encanta tanto
Que eu não resisto
A pô-la a vibrar,
Ao pé da porta
Dos meus amigos...
Oxalá vibrem também.

No Ibis de Liège, 11 de Novembro de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

a caminho de Berlim, 2ª e 3ª étapes



A caminho de Berlim...2ª e 3ª étapes


O Ibis de Valadolid.
Recomendo-o vivamente.
Sóbrio. Asseado.
Com tudo o que é preciso.
Económico.
Uma grande rede de hotéis,
Espalhada por todo o mundo.
Nos sítios mais convenientes.

Um bom jantar requintado
E em conta.
Uma noite feliz.

Pela manhãzinha,
Zarpamos para Perpignan.
Um lindo amanhecer
E uma manhã de sol.
Por Castela dentro.

A paisagem é deslumbrante.
Uma vastidão de terra verde.
E, onde apenas larada,
A terra virgem vestia cores,
Em tantos tons,
De assombrar os olhos.

O nosso guia é o tom-tom...
Infalível. Sempre fiel.
Leva-nos a todos os cantos,
Por mais recônditos.

Só que, sei lá porquê.
Quando chegou ao ponto de virar à esquerda,
Por Logronho...calou-se.
E fomos dar no caminho Paris...
(o mais curto...)

Um desastre descomunal.
Em vez do sol radioso,
Apanhamos chuva da grossa.
O fim do mundo...
Que martírio!...
Cada ultrapassagem, era de arrepiar.
Não se via um palmo.

Fomos para a Tours.
Com os nervos em franja.
Toda a noite...só pesadelos.

O troço de hoje foi bem melhor.
Pouco trânsito.
Por ser Domingo.
Viemos dar a Liége.
Ao pé de Bruxelas...
Aquele paraiso de sonho...
Para os nossos figurões...
Que nos rapam a carteira!...
E vivem a rir...
Dos papalvos todos
Que ali os sustentam...

Liège, 10 de Novembro de 2013
20h 30m
Joaquim Luís Mendes Gomes