segunda-feira, 18 de novembro de 2013

incontáveis distracções...

Incontáveis distracções...

Minha casa é um mundo aberto.
Onde cabe o mundo inteiro. 
Minhas portas,
Largas,
Estão sempre abertas.
Pode passar alguém cansado,
É só bater e pernoitar.

A lareira tem sempre fogo,
Nem que seja em lume brando.
Sempre à mão,
Há chá e há café.
Há cadeiras junto à lareira,
É só pôr a cafeteira ao lume
E nunca há horas para deitar.

Minhas janelas amplas
Não têm cortinas,
Além da bruma negra
Ou maresia em neblina.

Nas noites longas,
Sem o sono ou companhia,
Oiço o piar das toutinegras,
Conto estrelas ao luar...

Ouvindo Hélène Grimaud

Berlim, 19 de Novembro de 2013
7h8m
Joaquim Luís Mendes Gomes

mar da poesia...

Sem saber nadar,
Atirei-me ao mar da poesia
E não fui ao fundo...
Porque as ondas,
Batidas do vento,
Todas unidas,
Num imenso laço,
Prenderam meu corpo,
E me deram a mão.

Neste mar eu sonho,
Neste mar eu vivo.
É tal o encanto,
Como na terra firme não.

Posso abrir meus braços,
E abraçar o céu.
Não há nuvens negras
Que me escondam o sol.
Basta-me um mergulho leve
Para me sentir feliz
E me fazer voar...

Berlim, 18 de Novembro de 2’13
21h6m

Joaquim Luís Mendes Gomes

o meu candelabro...

O meu candelabro...

Sobre a minha mesa,
Tenho aceso um candelabro.
Muito luminoso.
Vou-o enchendo,
Com a luz de cada amizade
Que a vida me vai dando.

Já são dúzias...
Conheço cada vela.
E seu aroma.
Umas cheiram a mar.
Outras a serra.
Outras vêm duma padraria
De que não sei o nome.
São todas estrelas,
Com tanto encanto.
Um firmamento.

Minha vida ficaria noite escura,
Se se lhe extinguisse a chama,
Por ventania,
Ou por exaustão.

Cada dia o alimento
Com todo o fogo
Que me arde dentro...
.
Oxalá nunca mais se apague...

Berlim, 18 de Novembro de 2013
20h9m
Joaquim Luís Mendes Gomes




meu livro de poesia - Baladas de Berlim -

A fim de ir possibilitando a aquisição do meu livro- Baladas de Berlim - recém lançado, transcrevo aqui o que recebi da Editora que o editou :

Caro Joaquim Gomes, Boa tarde

A primeira fase do processo de distribuição demora cerca de 6 semanas.

O livro será apresentado às livrarias do comércio tradicional e aos grandes grupos comerciais (Fnac, Sonae, ECI, Bertrand e Bulhosa) que farão 
encomenda da obra se assim entenderem. No caso da não-encomenda a obra estará sempre disponível em qualquer balcão através de encomenda.

Online, estará disponível no nosso website, na Wook, Bertrand Online e Sitio do Livro.

Assim que o livro esteja disponível, envio-lhe uma lista de locais onde a obra pode ser encontrada.

Caso exista alguma livraria específica onde deseje ver a obra disponível, indique-ma, por favor.

Atenciosamente,

--
Maria Martins

Departamento Comercial

Chiado Editora
Break Media 

domingo, 17 de novembro de 2013

tudo miragem...

Tudo miragem...

Saí de casa à deriva.
Sem ser alpinista,
Queria subir seguro,
Ao ponto mais alto do mundo.

Larguei do fundo.
Ao pé da pradaria,
Onde cresciam livres,
Molhos e molhos de flores.
Cantavam melros.
E as abelhas,
Em labor perene,
Iam e vinham,
Pressurosas,
Carregadas,
Das colmeias.

Tudo era calmo,
Eterno,
Na sequência natural
Das leis da natureza.

O rio corria manso e fresco,
Em serpentina verde,
Pelos campos,
Entre as cortinas altas
De salgueiros.

Nas encostas, brandas,
Pastavam soltas,
Sem pastor,
Alapadas,
Ruminando,
Esparsos bandos de turinas.

Das sinetas,
Lá no alto,
Hora a hora,
Tão certas,
Como um pêndulo,
Vinham horas,
Tão  contadas,

-menos uma
para voltar para casa...

Mas, no horizonte,
Lá no cimo,
Havia estrelas,
Tão brilhantes,
Sedutoras,
Insistentes,
Irresistíveis,
A toda a hora,

Me chamavam...
Para a descoberta
De novos mundos.
................
Tudo miragem!...

Ouvindo Grieg,

Berlim, 18 de Novembro de 2013
7h24m
Joaquim Luís Mendes Gomes



















beijar a poesia...

Tardei a chegar à praia,.
A beijar a poesia...

Ao cair da tarde.
Quando o sol cansado
Descia tão lento,
Parecia parado,
Como quem espera alguém....

E um magnífico dossel dourado
Lhe cobria o leito.

E um longo lençol
De prata e linho
 Em renda,
Lhe cobria a cama...

Sobre a praia d’oiro
A reluzir,
Muito altas,
Esvoaçavam nervosas,
Bandos de gaivotas,
Como que afugentando a noite.

Era a lua, de tão cheia,
Que tardava...

Por isso, o sol,
Ao longe,
Tão impaciente,
Como um amante,
Teimava
Em não quer dormir...

Berlim, 17 de Novembro de 2013
22h25m
Joaquim Luís Mendes Gomes





poema d'oiro e dor...

Poema d’oiro...e dor

Quero registar aqui, convosco,
Um dos mais lancinantes momentos
Que a vida me deu...

Estávamos nas vésperas
De vir para a Alemanha.
Fomos a Válega,
Jantar com filha e netos.
O Tomás e o João.
Dois e oito anos.

Uma alegria triste.
Dias depois, chegámos a Berlim.

Pela primeira vez,
Minha filha ligou o Skype.
Rica surpresa
À nossa chegada.
Era já noite.

No pequenino écran,
Apareceram risonas,
As caritas esfusiantes
Dos dois netos.

Em primeiro plano,
A carita matreira do mais velho.
A desbobinar perguntas...
Atrás e ao lado,
Com muito esforço,
Uma carita de anjo,
Cabelitos loiros,
Encaracolados.
Muito preocupado.
Queria ver a avó Ana...

As macacadas
Que ele não fez...
A tal ponto,
Que o mais velho,
Saíu com o computador,
A correr para a cozinha...
Sem se importar com o irmão.

Um dia epois,
De manhãzinha,
O telefone tocou.
Era a filha...
-
Ó Mãe! O Tomás morreu!...


Tinha ido para a creche
E não mais voltou...
Um tumor no cérebro...
O derrubou...
Ninguém o detectara...

Berlim, 17 de Novembro de 2013
21h5m
Joaquim Luís Mendes Gomes