quarta-feira, 27 de novembro de 2013

ouvi-te cantar...

Ouvi-te cantar esta noite...

Eras tu, minha Mãe saudosa,
Que me embalavas,
Esta madrugada de insónia,
Para eu dormir...
Como quando era menino de berço.

Aquela voz tão linda...
Soava tão doce.
Vinha do céu.

Onde moras,
Com teu Amor,,
Há muitos anos.
Ao pé de Deus!...
Bendita sejas!...

( lembrando minha Mãe...no seu derradeiro dia)

Berlim, 27 de Novembro de 2013
10h38m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 26 de novembro de 2013

vale das estrelas mortas...

Vale das estrelas mortas...


Lancei-me de paraquedas
Duma nave espacial,
Das que fazem carreira diária,
Pelas alturas do universo...

Rodeado de estrelinhas brilhantes,
Faziam rendas, tão acesas,
Como em feirinha de Natal.

Passei por montanhas,
Em cordilheira,
Eram estradas,
Eram serpentes,
Sobre os cumes,
Onde giravam
Cometas, planetas,
E  asteróides,
Uns luzentes,
Outros apagados,
Mais perdidos
Do que eu...

Dobrei os cabos,
Promontórios,
Alcantilados,
Cavernosos,
Com faróis,
Que alumiam lá no céu.

Atravessei buracos,
Com ozono,
Sem ozono,
Eram negros,
Mais que túneis
E fui dar um grande vale.

Sem portas,
Sem fronteiras,
Fumegante.
Com velinhas
Dum campo santo...

Lentamente,
Quase a medo,
Bem preso
À minha nave,
Poisei nele.

Eram alamedas longas,
Infinitas,
A perder de vista...
Ali jaziam mortas,
Todas as estrelas,
Longos milénios,
Foram génios de luz,
Que o Criador deixou morrer...

Ouvindo Brendan Perry

Berlim, 27 de Novembro de 2013
8h31m
Joaquim Luís Mendes Gomes







comboio da meia-noite...


Comboio da meia noite...

Apanhei o comboio da meia-noite.
Sem destino.

Meti-me nele e fui.
Ia vazio meu camarote.

Pus-me à janela.
A escuridão dos campos.
De longe alonge uma luzinha tíbia,
Na encosta do monte.
- Ali há gente.- pensei.
Como eu vive e sonha.
Sofre e ri.
Mais à frente,
O comboio parou.

Junto à estação.
Toda iluminada,
Ninguém no cais,
Além da bandeirinha
Que nos fez seguir.

E veio um rio.
Uma ermida além.
E mais casais, espalhados,
Como pirilampos.
Aqui vou eu.
Centro do mundo...
Ao deus dará.

Sorridente, com ar garboso,
O revisor entrou.
- o seu bilhete?
Pus-me à procura.
Em todos os bolsos...
Depois me lembrei
Que o não tinha tirado!...

Atónito, voltou:
- Para onde vai?

Caí em mim.
Nem eu sabia.
- até ao fim da linha...
- e donde vem? – retorquiu,
Naturalmente.

- Da primeira estação..donde partiu.

- vai pagar multa...além do bilhete!...
- assim seja.- lhe respondi.

E aqui vou eu
Sem saber para onde.
Onde vou dormir!...

Berlim, 26 de Novembro de 2013
20h18m
Joaquim Luís Mendes Gomes
Berlim,




cofre das ausências...

O cofre forte das ausências...

Guardo na minha cave,
Num sítio que só eu sei,
Muito bem escondido,
Um baú
A que chamei
“o meu cofre forte
Das ausências...
- São minhas lembranças doces do passado...

Está a abarrotar.

Quando a vida se me amarga,
Abro-o, com todo cuidado,
E dele tiro, na hora,
Aquela de que mais preciso.

Hoje, roidinho de saudade
Fui buscar a do meu primeiro amor.
Tinha uns doze anos.

Estava eu numa encruzilhada:
Ou seguia o caminho
De ser padre...
Ou vivia o sonho
Do primeiro amor...

Tinha o nome duma flor...
E era mesmo.
Muito linda.
Muito meiga.
Um botão de rosa a abrir.
Foi dela, futura mulher,
Que recebi meu primeiro beijo...
Nunca mais o esqueço!

Berlim, 26 de Novembro de 2013
17h27m

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

não aprendi a amar...

Nunca aprendi a amar...

Não se ensina.
Não se aprende.
Como nunca ninguém
Me ensinou a respirar...

O mundo acaba,
Se eu não respiro.
Amar está inscrito a fundo,
E nunca se apaga,

Na alma da gente.
E acompanha o corpo
Até à morte...

Como não existe o ódio
Químicamente puro.

E se parece existir,
É só o medo absurdo
Que ele esconde
Profundamente...

Só odeia quem não é amado.
Como lava ardente,
Tudo lava e cura
O amor que ama...

Berlim, 26 de Novembro de 2013
22h51m
Joaquim Luís Mendes Gomes



as libelinhas...


As libelinhas...

Há quem deteste as libelinhas...
Sentem pavor, se uma só se abeira.
Agora, imaginem-se num descampado.
Há um avião de caça,
Teatro de guerra,
Com o prego a fundo,
Direitinho a si...

Se não se morrer de susto,
Não há quem escape...
Falo, por experiência própria...
Foi na Guiné.

Ainda aqui estou.
E cada vez mais gosto das libelinhas!...

Berlim, 26 de Novembro de 2013
22h26m
Joaquim Luís Mendes Gomes



as libelinhas...


As libelinhas...

Há quem deteste as libelinhas...
Sentem pavor, se uma só se abeira.
Agora, imaginem-se num descampado.
Há um avião de caça,
Teatro de guerra,
Com o prego a fundo,
Direitinho a si...

Se não se morrer de susto,
Não há quem escape...
Falo, por experiência própria...
Foi na Guiné.

Ainda aqui estou.
E cada vez mais gosto das libelinhas!...

Berlim, 26 de Novembro de 2013
22h26m
Joaquim Luís Mendes Gomes