terça-feira, 3 de dezembro de 2013

por fim fui pirata...

Por fim, fui pirata...

Desiludido de tudo,
Vesti-me pirata
E fui pelo mundo.

Entrei nas cidades,
Largas avenidas,
Vazias de gente,´
Pejadas de carros.

Entrei nas igrejas,
Envoltas de incenso,
Nevoeiro cerrado,
Onde não apetece viver.

Escalei as montanhas,
Cobertas de neve,
Tolhido de frio,
Desci para os vales.

Cerquei as aldeias,
Com rosto de paz.
Vi mais feras que lobos,
Tive medo e fugi.

Subi às favelas,
Reinos sem lei.
Vivendo da cola,
Inferno a ferver,
Onde se não pode roubar.

Entrei nas florestas,
Procurando a fresca,
Vi-me enrolado
Em tantas lianas,
Por pouco
Era um bombo de festa.

Cansado de andar,
Voltei para casa,
Vesti o meu fraque,
Tomei as lunetas...
Hoje sou filósofo pedinte,
Sem cheta...
À espera que caia a pensão
Que me dão de gorjeta!...
Um pirata escondido
Mas muito feliz...

Berlim, 3 de Dezembro de 2013
14h15m
Joaquim Luís Mendes Gomes


por fim fui pirata...

Por fim, fui pirata...

Desiludido de tudo,
Vesti-me pirata
E fui pelo mundo.

Entrei nas cidades,
Largas avenidas,
Vazias de gente,´
Pejadas de carros.

Entrei nas igrejas,
Envoltas de incenso,
Nevoeiro cerrado,
Onde não apetece viver.

Escalei as montanhas,
Cobertas de neve,
Tolhido de frio,
Desci para os vales.

Cerquei as aldeias,
Com rosto de paz.
Vi mais feras que lobos,
Tive medo e fugi.

Subi às favelas,
Reinos sem lei.
Vivendo da cola,
Inferno a ferver,
Onde se não pode roubar.

Entrei nas florestas,
Procurando a fresca,
Vi-me enrolado
Em tantas lianas,
Por pouco
Era um bombo de festa.

Cansado de andar,
Voltei para casa,
Vesti o meu fraque,
Tomei as lunetas...
Hoje sou filósofo pedinte,
Sem cheta...
À espera que caia a pensão
Que me dão de gorjeta!...
Um pirata escondido
Mas muito feliz...

Berlim, 3 de Dezembro de 2013
14h15m
Joaquim Luís Mendes Gomes


Berlim...

Berlim

Cidade gigante.
Um parque brinquedos...
De estontear...
Tem rodas de sol.
Tem circos e bosques.
Um carrocel.
Milhões de cavalos de força,
Puxando à uma.
Arrastam o mundo,
Com graça e felizes
Que dá e que sobra...
De portadas abertas,
Onde apetece viver
E ficar...
Há fartura a granel.
Espalhada ao vento.
É só respirar
E sonhar.

Assim fossem todos os povos,
Com tanto que dar.
Façam as malas...
Não há tempo a perder...

Berlim, 3 de Dezembro de 2013
13h12m

Joaquim Luís Mendes Gomes 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

rasgão na minha camisa branca...


O rasgão da minha camisa branca...

 

Sempre sonhei ter uma camisa branca,

Não de seda.

Em popelina fina.

 

Não queria laço.

Nem botões de punho.

Só uma gravata azul.

E tivesse um bolsinho à frente,

Onde coubesse uma flor.

Para levar a Nosso Senhor...

 

Ma deu minha madrinha,

Que Deus a tenha...

No dia grande,

Da minha comunhão solene.

Tinha dez anos.

 

Meus sapatos novos

Em couro preto

E sola,

Verdadeiros.

 

Feitos à mão,

De encomenda,

Pelas mãos tão habilidosas,

Do meu tio António.

Saí à pressa.

Com pressa de chegar à igreja.

 

Ao subir as escadas de pedra,

Tropecei...e contei-as todas,

De cima abaixo...

Fiquei na mesma.

Só minha camisa nova, não...

Tinha-me esquecido

Do meu casaco em casa...

 

Ouvindo Hélène Grimaud...

 

Berlim, 3 de Dezembro de 2013

8h42m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

esperei por ti...

Esperei por ti...

Estou cansado de te esperar.
Subi ao monte,
Atrás da minha casa,
Donde se alcança
Quase o infinito.

Olhando o céu azul.
Podia ser que uma ligeira nuvem
Te transportasse.

Esquadrinhei todas as copas densas
Dos bosques que cobrem a terra.

Podia ser que uma fada encantada
Me desse a sorte
De te trazer.

Escutei atento todos os cantos
Da passarada.
Podia ser que um cortejo deles
Me trouxesse a minha amada.

Ouvi os sinos de todos os campanários,
Das igrejas,
À minha volta,
Podia ser que algum deles
Tocasse em festa,
Pelo teu regresso
À nossa terra.

Foi tudo em vão...
Por isso estou triste.
Só me resta de sonhar contigo,
Se conseguir dormir,
Quando repousar na minha cama...

Berlim, 2 de Dezembro de 2013
22h57m

Joaquim Luís Mendes Gomes

lua cheia...

Lua cheia...

Esta noite,
Dourada de prata
Vou dormir com a lua,
Da minha aldeia,
A seu convite.
Promessa nossa.

Tantos anos à minha espera.
Viu-me nascer.
Viu-me crescer,
Até ser homem
De seguir para a guerra.

Vai ser uma lua de mel,
Quente e vaporosa.
Com muito champanhe
E pão de ló,
Com fartura.

Vai ser uma festa grande.

Foi promessa que nos fizemos.
Com juramento de honra.

Acompanhou-me,
Sempre atenta,
Palmo a palmo,
Lá do alto,
No firmamento,
Cheio de estrelas,
Pelos caminhos barulhentos,
Emaranhados da Guiné.

Ora, de dia, atascado nas bolanhas,
Ora, tremente,
Entre os negrumes negros da floresta.

Fomos dois amantes apaixonados.
Sempre presentes,
Em cada instante.

Não houve dia,
Não houve noite.

Tanta promessas de amor...
Até à morte,
Oxalá distante,
Se a sorte bendita
Me deixasse
Voltar são e salvo,
À terra mãe da minha aldeia.
Vão cumprir-se...todas,
Na madrugada doce e quente
Desta noite...

Ouvindo guitarras portuguesas...

Berlim, 2 de Dezembro de 2013
21h44m

Joaquim Luís Mendes Gomes

mortificações...

Mortificações...

Haverá alguém no mundo
Que goste desta palavra?...

Se, em nós mesmos,
Sem nenhum motivo,
É masoquismo...
-penso eu.

Bem pior, será quando
Somos nós a mortificar alguém.

Bastam as da vida...
Por mais serena
E por mais cuidado,
Com que vivamos.

Há sempre algo ou alguém
Que, sem razões, se ocupe disso.

Desde a traição...
À simples rasteira.
Há sempre quem,
Por mero sadismo,
Goste de nos ver no chão...

Nem que seja só,
Por hipocrisia,
Nos vir acudir...

Tudo isto existe, à farta,
Neste mundo de Cristo.

E porque será?...
Aí eu penso.
- quem perde o norte
Que a consciência nos dá,
Está sempre pronto
A semear o mal.
Pensando errado
Que só assim...
Será feliz!...
Para nosso mal!

Berlim, 2 de Dezembro de 2013
13h26m
Joaquim Luís Mendes Gomes