segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

criação da Terra...


Criação da Terra...

Houve um Ser,
Ninguém sabe
Quando e como
Nem o porquê.

Se lembrou de dar ser
À Terra.
Uma arca gigante,
Navegando à solta!

Como dossel,
Um universo infinito.
Cravejado de estrelas,
Muitas galáxias.
Girando em órbita,
Com rigor matemático.

Acendeu-lhe um sol,
Ardendo em fogo,
Para a aquecer, de dia.
E uma lua fria e brilhante,
Para lhe iluminar a noite.

E compô-la, assim:
A maior parte em água,
Para espelhar d’azul
E outra, de matéria bem viva,
Mas parecendo bem morta.

Vestiu-a de vento,
E pô-la no céu,
Como ave a voar.

Encheu-a de plantas,
De caules gigantes,
Bem presos ao chão,
Para não caírem.

Cobriu-as de folhas,
Para respirarem o ar.

E deu-lhes raízes
E deu-lhes flores
E também os frutos,
Para serem perenes,
E, também, iguais.

Criou animais,
De todos os tamanhos,
Em escala infinita.
Em várias ordens.
Uns invisíveis,
Outros,
Elefantes.
Baleias.
Muitos menores.

Denominador comum:

Um sopro de vida oculta,
Com força inscrita.
Capaz de criar,
Sentir e sofrer.
Na terra e no mar.

E, para culminar sua ideia,
De artista,
Sem par,
Uma obra-prima:

Com dois bocadinhos de barro,
Tirados da terra,
À sua imagem,
Modelou-lhes as formas,
Soprou-lhes a vida,
Com força imortal,
Homem-Mulher...
Fê-los
Donos daTerra,
Capazes de amar.

Ouvindo Chopin

Berlim, 21 de Janeiro de 2014
7h45m
Joaquim Luís Mendes Gomes



hoje, não irei à praça...


Hoje...não irei à praça...

Muito menos ao hipermercado.
Não porque não goste.

Vou, antes, subir ao monte.

É madrugada.

Há luar. A lua reina.
E algo me afirma
Que o sol irá nascer sorrindo,
Um balão a arder
Que irá aquecer
Este gelo que me queima
E fará arder de novo a chama
De viver vivo
E não um nado-morto,
Com forma humana,
Mas vegetal...

Vou lá acima.
Sorver ar puro.
Estou faminto.
Respiro mal
Nestes fundos.
Há tanto tempo,
Não neva
...não chove
Minha casa fica tão longe
,
Não há rios...
E o mar tão longe....
‘Inda continuará azul,
Bailando ao vento?...

Ouvindo Grieg
Berlim, 20 de Janeiro de 2014
9h53m
Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 19 de janeiro de 2014

com porte pago...


Com porte pago...

Pega na caneta e escreve.
Esta carta que vou ditar.
Com aviso de recepção.

Manda a cada um dos teus amigos.
O porte está pago.

Conheço-os muito bem.
Desde a hora em que os criei.
Filhos meus.
Não os quero abandonar.
Sei onde eles moram.
E como estão.
Uns estão alegres.
Outros tristes.
Uns aflitos...
A vida dói...
Que não se aflijam...

Eu estou com eles.
Sei bem o que cada um tem
E do que precisam.
Confiem em mim.
Como eu neles...

A vida só tem um sentido.
O que vem para minha casa.
Que também é sua.

Podem ser pesados
Os dias que nascem.
O sol não vai faltar.
A colheita está garantida.
Basta colher...
Confiem nem mim,
Como seu Pai.

Conheço cada um
Pelo seu nome.
Quero-lhes bem,
Como se fosse o único.

Deixem comigo
Seus problemas.
Por maiores que sejam.
Confiem no Pai...
Basta-lhes bater à minha porta...
Eu estou atento.

Ouvindo Brendan Perry

Berlim, 19 de Janeiro de 2014

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

por magia...

Por magia...ou arte do Supremo...
O que seja...

Vão meus versos, mundo fora,
Despertar o mundo inteiro,
Nenhuma porta se lhes cerre.
Se sentem lado a lado.
Com uma mensagem de harmonia.
Um abraço de fraternidade,
Seja aquela faulhinha ténue,
Que reacenda a chama
E a vontade de viver.

Desperte, novamente,
O desejo de ver
O nascer do sol,
Sair para o campo,
Cheirar o feno
A secar ao sol
Para alimento no inverno...

Abrir sorrisos no olhar,
A vontade de ajudar
Quem precise de se erguer.

Funda o gelo
Que estreme e arrepia
O peito onde bate o coração,
Com desejo de amar...

Semeiem flores,
Nas bordas dos caminhos,
Por onde os passos
Tenham de passar,
No desafio de viver...

Ouvindo Grieg e Smetana
Berlim, 18 de Janeiro de 2014
8h5m
Joaquim Luís Mendes Gomes





quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

se...


Se, para sempre, o sol se apagasse...

Vivemos todos ,
Pobres, ricos,
Velhos, novos,
Brancos, negros
Ou amarelos,
No extremo leste
Ou ocidente,
Dependurados,
A voar,
Presos à cordinha fina,
Dum simples balão!...

Um simples esticão,
Rebenta o fio
E uma picadela de alfinete,
E aí vem ele,
Com a multidão,

Ó que ilusão!...
Que se suponha tão firme...

Ar abaixo
E se desfaz em pó
E nada!...

E se aquela bola redonda,
Flamejante,
No céu.

Que cada dia,
Se levanta cedo
E à mesma hora,
Para nos servir o pequeno almoço,
E nos alumia o caminho
De ir para o trabalho,
Buscar o pão
Do dia a dia...

Resolvesse,
Por simples birra,
Um mês de férias...
Cerrasse as portas
Ou fechasse de vez!?...

Qual Obama,
Ou Dalai Lama,
Ou excelso Hirohito...
E essas majestades todas,
Impertigadas,
Que infestam a Terra
De tanto poder
E tanta glória...

Nem uma faúlha acenderiam
Para repor a vida sua
E a que, de graça, nos anima
A todos!?...

Ouvindo Brendan Perry

Berlim, 17 de Janeiro de 2014
7h20m
Joaquim Luís Mendes Gomes



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

até apeteceria...

Até apeteceria...

Viver é complicado...
A via é sinuosa.
Tanto sobe como se afunda.
Por vezes, é tão estreita.
Como fio de navalha,
Com barrancos de cada lado.

Se não fosse a luz do sol...
Que vem e vai.
Farol do céu,
Durante o dia.

E um mar de estrelas,
Cravejadas como pedras,
Luzindo preciosas,
Nas noites escuras.

Se não fosse a força do sonho,
Que sempre renasce
Até das cinzas,
E incendeia as nossas vidas.

E as prendas de natal,
Nos Dezembros findos,
De cada ano,
Embrulhadas de mil beijos,
Haja muito... haja pouco...
Até apeteceria dizer:
Basta! Assim...viver não!...

Ouvindo Grieg
Berlim, 16 de Janeiro de 2014
7h23m
Joaquim Luís Mendes Gomes