domingo, 20 de abril de 2014

Páscoa...



Páscoa...


Subam da Terra ao céu
Hinos de Paz,
Hinos de Glória.
Hinos de Amor.
Jesus. Morto na cruz.
Mistério maior.
Ressuscitou!...
Aleluia!

E com Ele,
Se abriu para nós,
Mortais,
Da Terra inteira,
De todos os tempos,
A glória final.
Da vida eterna
Junto de Deus.
Criador.
Nosso Deus.
Nosso Senhor
E nosso Pai.

Não enxergamos bem
A riqueza que é!...
Só a Fé
E sua graça
Nos revela
O que será!...
Só assim, a vida faz sentido.
Sem a mão de Deus
No nosso caminho.

Tudo fica escuro.
Tudo é negro.
Aterrador
Aleluia!

Ouvindo André Rieu

...Mafra, 20 de Abril de 2014
6h16m
Joaquim Luís Mendes Gomes

sábado, 19 de abril de 2014

centelhas de luz...

Centelhas de luz..

Um mar de centelhas de luz,
Reluz nesta terra negra.
E crepita
frente ao universo estrelado
De estrelas presas,
Nos longes do céu.

Frias. Ausentes.
São pontos.
Sem história.
Perdidas. Sem tempo.
Se escondem de dia.
Ressurgem salpicos.
Sem conta.
Nas brumas da noite.

Fazem figuras. Com ondas.
No mar das galáxias.
Olhitos vidrados,
De peixes parados,
Sem escama.

Por vezes, saltitam.
Fugindo com medo.

Grassam o céu.
Cometas em fúria,
Se precipitam no nada.

Simulam de chuva.
Parecem granizo.
Se esvaem em fumo.
Não chegam ao chão.

Não fazem buracos.
Na morada que deixam.
São como ratos
Sem cauda,
Fugindo dos gatos,
Que se perdem
Nas brumas da noite.

Mafra, 19 de Abril de 2014
20h55m
Joaquim Luís Mendes Gomes




sete momentos...

Sete momentos...

Me deslumbram as estrelas do céu,
Numa noite luarenta do mês de Agosto.

Me emociona o olhar triste
Dum rosto cansado de esperar.
Como um sorriso de quem passa.

Me consola ver flores derramadas
Por essas encostas fora,
Onde nunca entrou a enxada nem o arado.

E aqueles painéis
De  sol e chuva,
Pintados só
Com as tintas do arco-íris.

Corro ligeiro
Ao lado das águas do rio
Que fluem sem ninguém a puxar por elas.

Oiço enfeitiçado a chilreada alegre
Que brinca à solta,
A mistura com o relinchar dos cavalos,
Meus vizinhos da frente.

E do tinir grave e agudo ao despique
Que me chegam do convento de Mafra.

Regresso a casa
Com minha alma cheia
De aqui voltar
No dia seguinte.

Café-restaurante – os sete momentos, em Mafra,
15 de Março de 2014
9h40m
Joaquim Luís Mendes Gomes


****************************************************************

Manhã de Sábado. Sem sol.
O céu está coalhado de leite e cal.
Correm  lentas estas horas mortas.
Há conversas confusas por essas mesas
E chilreada alegre de crianças.
Oiço o secador das mãos
Na casa de banho,
Em vez do silêncio albo
Das toalhas lavadas.
Tilintam chávenas brancas
Atrás do balcão,
Nas mãos mexidas
Dos empregados.

Já cá não estão
Os velhos donos
Que nos enchiam de sorrisos,
À chegada e à partida.

Alugaram a casa
Mas tudo continua na mesma.

Mafra, 19 de Abril de 2014
10h35m
Joaquim  Luís Mendes Gomes


*************************************************************

sexta-feira, 18 de abril de 2014

peregrinando a leste...

Peregrinando a Leste...

No seio da Europa verdejante e alta.
Montanhas de escarpas,
Cheias de luz e de cores,
Onde se passeiam rios.
Longos. Veias de pão.
De vinho e sangue.

Escorre alegria.
Naqueles rostos tão vivos.
Agarrados ao chão.
Como apaixonados.
Vestidos de sol.
E do linho branco
Tecido de luz.

Cantarolando.
Contemplando estrelas,
Ao luar dançando.
Ao pé do Moldau
E do Volga sem fim.

Imponentes catedrais.
Em fulgurantes torres.
Tecidas de pedra em flor.

Muitos vitrais de sonhos,
Lhes filtram o sol.
E aquecem as naves
Das Catedrais.
Gente que ora.
Quente crente
Naquele Senhor grande
Que tão bem
Os brindou!...

Que deslumbramento...
De vida a arder...
Apaixonante.

No ventre da Europa!...
Onde valeria viver...
Onde é sempre Primavera,
Cheia de cor
E verdejante!

Ouvindo Smetana...

Mafra, 19 de Abril de 2014
7h7m

Joaquim Luís Mendes Gomes 

voltar atrás...

Voltar atrás...

Como seria bom
Poder-se voltar atrás.
Tanta coisa errada
Se não faria.

Tantas passadas em falso,
Se não dariam.
Tantas escadas
Se não subiriam.

Tantas bandeiras
Se não desfraldavam.

Haveria mais calma.
A pressa é sempre avessa.
Inimiga.
As mais das vezes.

Devagar e bem
É mais certo
E mais seguro.
Quase sempre se chega.

Tanta miragem
A seduzir ao longe.

Suaves caminhos.
Verdes ramagens.
Falsos perfumes
Secas flores.
A seduzirem.

Afinal, desertos.
Ou hortas secos.

Tantas nuvens,
De glória branca,
Se esboroaram.
Ou enegreceram.

Por sua via,
Se andou perdido e só,
Resvalando aqui.
Caindo além.
Ora sangrando,
Se foi curando.
Vezes ganhando,
Outras perdendo.
Com tanta luta,
Afinal,  escusada.
Se houvera senso.

O pior de tudo
É se já não há tempo!...

Ouvindo Wagner, e Rimsky Korsakov
Mafra, 18 de Abril de 2014
22h38m

Joaquim Luís Mendes Gomes

uma névoa negra...

Uma névoa negra...

Uma nuvem negra,
De lado a lado,
Cobria todo o meu céu.
Sentia-me triste.
Tão prostrado.
Tanta saudade eu tinha
De ver o sol.
Senti-me frio.
Parecia o fim.
De olhos presos,
Olhava o céu.
Uma frestinha
Uma só réstea,
Por onde viesse um raio só.
Me incendiasse,
Em fogo ardente,
Toda a fogueira
Que em mim ardia
Tão de repente,
Com tanta tristeza,
Se me apagou.
Deambulei perdido
Por esses caminhos.
Olhando ao alto
E olhando o chão.
De alma atenta,
Ao menor sinal...
.
Uma esperança
Em mim ardia,
Em chama ténue.
Bastaria o sopro breve
Duma só brisa...
Bastaria o lampejo,
Mesmo triste,
Duma estrelinha,
Para a fogueira
Reacender!...
Enfim chegou...
Ouvindo Camané e Mariza
Mafra, 18 de Abril de 2014
7h53m
Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 17 de abril de 2014

garcia marquez...

Em memória de Garcia Marquez...


Cada vez sinto mais
Que minha vida é curta...
Despertei tarde.
Já o sol a pôr-se.
Queria que os dias fossem mais longos
Para saborear o sol
E o azul do mar.

Se apagam as estrelas.
Sem chegarem à terra.
Terra escura.
Carente de luz.
E do sabor do sal.

Garcia Marquez morreu.
Que estrela brilhante
O mundo perdeu.
Ficou o rasto.
Incandescente.
Ficará a arder
Até ao fim dos tempos.
 Vou conhecê-lo melhor
Para me aquecer.
E me sentir viver.
Neste resto de vida
Que me falta viver.

Grande abanão.
Me fez tremer.
Tremeu a terra
Sob meus pés.
Quero apagar esta escuridão.
Com o seu sol
Que não vi brilhar.
Vou ficar a lê-lo.
Até à exaustão.

É sempre tempo
Para reviver
O mundo novo
Por conhecer
Que hoje morreu.

Mafra, 17 de Abril de 2014
22h39m

Joaquim Luís Mendes Gomes