quarta-feira, 23 de abril de 2014

meu pensamento...

Meu pensamento...

É como um monge,
Perdido e solitário,
Nos claustros dum convento.

Uma ave sedenta,
De asas abertas,
Batendo ao vento
Que quer voar.

Um rouxinol atento,
De cordas vibrando,
À espera que se lhe abram
As portas da sua prisão.

Um balão às cores,
Todo impante,
Só aguarda a hora
De poder subir.

Um paquete de sonhos,
De mastros ao alto,
Preso ao porto,
Está mesmo morto
Por seguir viagem.

Uma canoa de proa erguida,
Sem leme à ré,
A esbordar de arroz.
Só pede a Deus
Que lhe dê boa maré.


Um moinho, alegre,
Tão triste alado,
No alto do monte.
Esperando pelo vento...
Só quer moer.

Madrid, 23 de Abril de 2014
20h54m
Joaquim Luís Mendes Gomes



terça-feira, 22 de abril de 2014

constelação de flores...

Constelação de cores...

Vou pegar nas mais lindas flores do meu jardim.
Com suas cores, vou pintar,
No céu estrelado, uma constelação.

Será a maior.
Será a mais bela
A luzir...
Todo o mundo irá vê-la.
E vai ficar feliz.

Com os pés no chão.
Virando as costas para o mal
E a olhar para o céu.

É de lá que o sol virá,
Ao raiar da aurora.
Inundando o mundo,
De luz e cor.
Derramando esperança.
Almas sofridas.
Chegou a hora
De pensar em Deus.

A única chave de oiro,
Que nos liberta
E põe a navegar à solta,
Com segurança,
Num mar feliz,
Quaisquer que sejam os ventos
E apesar da tempestade.

Ouvindo Adágio de Albinoni
Madrid, 23 de Abril de Abril de 2014
7h12m

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 21 de abril de 2014

sete momentos- 21/04/14

“Sete momentos...”

Através das portas envidraçadas,
Sob toldos largos de veraneio,
Vejo um céu cinzento e albo,
Em constante transformação.

Um painel de linhas
Descreve monstros.
Desenhas mares,
Mapas dum mundo,
Com muitos gigantes,
Clarões a arder...

Imensa fornalha,
De poeira e pó,
Em labaredas,
Sempre a botar,
Poisa na terra,
Nasce no mar.

Pela estrada aos soluços,
Corre um cortejo,
Cheio de carros.
Andam na faina constante,
Do traz e leva.

Só alguns aqui páram.
Tomam café
Lambem os dedos,
Mesmo ao balcão.
E seguem viagem.

Enquanto acostado,
A este teclado,
Manejo as letras,
Pinto quadros,
Grafias secretas,
Que brotam dos olhos,
Sem tinta ou tinteiro,
Enchem paletas,
Traçam nervuras
Folhas de couve
Ou palmas da mão.

Mafra, 21 de Abril de 2014
11h38m

Joaquim Luís Mendes Gomes

cruzeiro do sul...

Vozes de Além...


Ao cair da tarde
Fui para a praia,
Mesmo à beirinha do mar.
Pus-me a ouvir
As  vozes de além.
Vozes de sonho
Vinham no vento,
Poisadas nas ondas,
Correndo para mim,
Me embalando,
Outra vez,
Criança, menino,
Como minha Mãe me fazia,
Nas manhãzinhas,
Nos Agostos de infância.

Sinto arrepios.
Não do gelo da espuma,
Nas mãos do banheiro,
Pescador poveiro,
De camisa de estopa,
Bordada em xadrez.

Sinto-lhe o sal.
Curtindo-me a pele,
Provo-lhe o iodo.
Me deixo enlear
Nos laços e abraços das algas,
Sou menino outra vez.

Meus cabelos, compridos,
Outrora, curtinhos
 Escorrem, em mim,
Perfumados de espuma,
Da cabeça aos pés.

Me envolvo em toalha de linho,
Como se fosse bandeira,
Me sinto um herói,
Cansado e feliz,
Deitado na areia,
Ouvindo sereias,
Ao longe,
Cantando e
Olhando para o céu...

Ouvindo “Avé Maria” por Mirúsia e Kimy Kota ...com André Rieu

Mafra, 21 de Abril de 2014
8h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes




domingo, 20 de abril de 2014

o nada...

O nada...

Tudo desaparece.
Deixa de ser real
Na escuridão total.

Até os holofotes possantes
Que tudo iluminam.

Se o sol vai,
Vem a noite com seu manto
E num instante,
Aparece o negro.
Fica só o reflexo
Na nossa mente.

A memória esquece.
Derramando esquecimento
Como uma glândula.
Feroz e inclemente.

Vão-se todas as résteas de luz.
E o deserto avança.
Frio. Seco.
Sepulcro profundo.
Devorador.
Chegam os vermes.
Tudo mastigam
Reduzindo a nada.
Vai-se a fome.
E germina a ausência
Potente e eterna.
Nada germina.
É o fim.
Inclemente e cego.
Nem há fumo
Que se eleve no ar.
Até o cheiro seca.
Desfeito em cal.
Não há bem
Nem mal.
É o nada com toda a força.

Só um milagre
O fará reviver.

Mafra, 20 de Abril de 2014
21h10m

Joaquim Luís Mendes Gomes

dia de Páscoa...

Nos "sete momentos"
Dia de Páscoa


Cerraram-se as cortinas brancas das janelas.
As portas largas de alumínio
Ainda estão fechadas.

Dormem na manta do silencio,
Sob os telhados
As gentes cansadas do labor.

Pelas estradas ainda ermas,
Só a chuva corre
Pelas bermas e valetas.

Pelas encostas cobertas
De giestas amarelas,
Correm fios de correntes,
Lá dos cumes.
Rumo ao rio que corre grosso,
Lá mais ao fundo.

É deles que lhes vem
A força toda
E aquela vontade de correr
Com pressa.
De chegar depressa até ao mar.


Oiço Bethoven.
Na sua sonata moonligth,
Ao piano.

Com toques tão brandos.
Quase tristes.
Me dá vontade de chorar...


Mafra, 20 de Abril de 2014
11h23m

joaquim Luís Mendes Gomes

Páscoa...



Páscoa...


Subam da Terra ao céu
Hinos de Paz,
Hinos de Glória.
Hinos de Amor.
Jesus. Morto na cruz.
Mistério maior.
Ressuscitou!...
Aleluia!

E com Ele,
Se abriu para nós,
Mortais,
Da Terra inteira,
De todos os tempos,
A glória final.
Da vida eterna
Junto de Deus.
Criador.
Nosso Deus.
Nosso Senhor
E nosso Pai.

Não enxergamos bem
A riqueza que é!...
Só a Fé
E sua graça
Nos revela
O que será!...
Só assim, a vida faz sentido.
Sem a mão de Deus
No nosso caminho.

Tudo fica escuro.
Tudo é negro.
Aterrador
Aleluia!

Ouvindo André Rieu

...Mafra, 20 de Abril de 2014
6h16m
Joaquim Luís Mendes Gomes