segunda-feira, 9 de junho de 2014

tabernáculo do templo...

Tabernáculo do templo…

Algures no universo de mim,
Reside um templo de alabastro
E num altar exposto,
Uma arca de marfim.

A guardá-la, permanentes,
Quatro elefantes da Índia,
Elegantes e poderosos....

Sobre ela impende,
Suspensa por umas correntes,
Um candelabro aceso,
Em madrepérola,

Sua chama arde,
Umas vezes viva
Outras tremeluzente.
Com um sopro brando
Duma fonte oculta,
Incessante e permanente.

À sua volta, gravitam estrelas brancas
Cintilantes,
E no seu seio,
Corre um rio extenso
E caudaloso.

Suas águas límpidas,
Nascem no hiperurânio.

Atravessam fragas pedregosas
E areias.

Correm-lhe cardumes
De ideias, abundantes,
De espécies várias.

Todas etéreas.
Quase divinas.

Têm asas lindas
De borboletas.
Suas folhas,
Onde em versos,
Escritos à mão,
Se cantam cantos,
Se entoam hinos.
Quase divinos.

Que eu escuto,
Religioso, no meu silêncio,
E transmito ao mar do mundo…

Ouvindo “ Ave Maria” por Olga Szyrowa

Essen, 9 de Junho de 2014
5h37m
Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 5 de junho de 2014

terror do sexo...

Terror do sexo...

O sexo domina o mundo.
Tudo gira à força dele.
Se brota do coração,
É o amor que reina.

Se não, é o terror do mal.
Egoísta. Dominador.
Tudo devora.

Gera só ódio.
É o pai da guerra.
Tudo avassala.
Erva daninha.
Se sobe ao poder,
Espalha o terror
Sem qualquer escala.

O mundo é pequeno.
Para tamanha avidez.
Nada respeita.
Tudo conquista
Para sua mesa.

Desfaz a presa.
Goza com ela.
E joga fora.
Pior que a selva.

Joga a dinheiro.
Vai para o casino.
Desbarata tudo.
Fica feroz.

E volta de novo.
Se  veste de santo.
Como um senhor.
Assalta inocentes.
Despe-os ao frio.

Joga-os fora
Volta ao governo.
Como um malvado.
Tudo lhe serve
Para seu reinado.

Como seria o mundo,
Se o amor brotasse
Do coração do rei!...

Berlim, 5 de Junho de 2014
14h29m
Joaquim Luís Mendes Gomes


terror do sexo...

Terror do sexo...

O sexo domina o mundo.
Tudo gira à força dele.
Se brota do coração,
É o amor que reina.

Se não, é o terror do mal.
Egoísta. Dominador.
Tudo devora.

Gera só ódio.
É o pai da guerra.
Tudo avassala.
Erva daninha.
Se sobe ao poder,
Espalha o terror
Sem qualquer escala.

O mundo é pequeno.
Para tamanha avidez.
Nada respeita.
Tudo conquista
Para sua mesa.

Desfaz a presa.
Goza com ela.
E joga fora.
Pior que a selva.

Joga a dinheiro.
Vai para o casino.
Desbarata tudo.
Fica feroz.

E volta de novo.
Se  veste de santo.
Como um senhor.
Assalta inocentes.
Despe-os ao frio.

Joga-os fora
Volta ao governo.
Como um malvado.
Tudo lhe serve
Para seu reinado.

Como seria o mundo,
Se o amor brotasse
Do coração do rei!...

Berlim, 5 de Junho de 2014
14h29m
Joaquim Luís Mendes Gomes


sábado, 31 de maio de 2014

fiz-me ao mar...



Fiz-me ao largo...

Alheio às vagas,
Fiz-me ao mar.
Fui para o largo.

Sem artes,
Sem redes.
Desarmado.
Uma vontade louca
De me ver solto.

Olhar de longe a terra,
E sua costa extrema,
No silêncio.
Pacata e submissa.

Ignorar as suas guerras.
Suas arruaças.
Como das estrelas
Eu estou alheio.

Ver nela o nascer do sol.
E se erguer para um céu azul.
Quero afastar-me,
A perder de vista.
Ficar só eu
E a vastidão do mar,
Uma parcela do infinito.

Vou começar de novo,
Do lado de lá.
Ganhar raízes,
Noutro chão puro.

Onde não haja ruas,
Mortas,
A fervilhar de carros,
Nem torres ao alto,
Só com janelas.

Colmeias vazias,
Estéreis,
Sem favos e sem abelhas.

Onde a rainha seja só
A natureza virgem,
Prenha de paz.

Quero viver na terra,
De pé e nu,
Como vim ao mundo
E começar do nada.
Ser pai Adão com nova Eva...

Berlim, 1 de Junho de 2014
6h52m
Joaquim Luís Mendes Gomes


olhos da alma...

olhos da alma...

A lua e o sol
São os olhos da Terra.
Por ela vê de noite.
De dia, pelo sol.

Nossa alma tem um corpo.
Sua nave.
Ela o move.
Com ele voa por toda a vida.
Por ele, respira e vê o mundo.

Tem dois faróis.
Que ela acende
Ao nascer do dia.
E os apaga
Ao cair da noite.

Guia seus passos.
Em todo o caminho.
Sentinelas alerta
Contra o inimigo.

Lhe conta histórias
De rir e chorar.
Duas janelas abertas,
Para ver o mar.

E duas fontes santas,
Para lavar o rosto,
Quando a dor chegar.

Ouvindo Brendan Perry

Berlim, 31 de maio de 2014
22h17m
Joaquim Luís Mendes Gomes







varina da Torreira...

Varina da Torreira...


Agora, está velhinha.
Vive na mesma casa baixa,
De azulejo azul,
Desde nova,
Em frente ao mar.

Perdeu seu companheiro.
Toda a vida foi pescador.
Um dia ele foi...
E não mais voltou.

Ela chora...chora...
Passa o tempo,
Ali de pé.
Olhando ao longe.
Olhando o céu.

Pode ser que ainda volte.
Aquele amor que ela perdeu.

Tem tantas ondas aquele mar...
Uma delas o levou.
Pode ser que haja outra,
Sua vizinha,
Lho venha cá trazer.

Berlim, 31 de maio de 2014
12h00

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 29 de maio de 2014

quatro ramos cardiais



Quatro ramos cardeais...

Do meu tronco exposto ao sol,
Brotaram quatro ramos.
Me cobriram de muitos ramos,
Flores e frutos.
Fiquei à sombra.

Cada um a seu ponto cardeal.

O do norte, braços erguidos,
Muito alto,
Com pés na terra,
Olhos no céu,
Muito pujante,
Cheio de sonhos,
Não pára quieto.
Sempre a crescer.

Vive em pleno.
Tem ligações.
Para lá das nuvens.
Para além do Ártico.
Vive encantado.

Adora o polo branco
E sua aurora boreal...

O do leste
É cheio de fogo.
Ramificou-se em força.
De dois botões.
Cheios de cor.

Tão rutilantes.
Tão perfumados.
Vieram tardios.
Dão tanta esperança.
Brincam alegres.
Graças de Deus.

O do sul é esbelto
E esguio.
Raia de sol.

É verdejante.
Muito moreno.
Sempre escaldante.
Muito tenaz.

Atravessou o deserto.
O Equador.
Rumou ao Cabo.
Passou as tormentas.

Dá tantas flores
Cheias de fruto,

Ó que sabor!...
Não há tempestade,
Nem arruaça.
Que o faça parar.

O último nasceu tardio.

Muito seguro,
Bem preso ao tronco.
Muito calado.
Muito arguto.
Observador.
Tudo medita.


É metafísico.

É tão profundo.
Desvenda segredos,
Tão bem escondidos...
Do princípio do mundo.

Ninguém mais viu.
O futuro dirá
Onde irá chegar...

Berlim, 29 de Maio de 2014
20h44m
Joaquim Luís Mendes Gomes