sexta-feira, 20 de junho de 2014

pássaros....

Pássaros…

Não são vitais no mundo.

Pois não.

Mas, seria muito mais pobre e triste,

Se os não houvesse.

Companhias, aparentemente alheias,

Só estão bem e alegres,

Onde estiver o homem.

E cercam-no. O rodeiam.

Poisam-lhe aos pés.

Nos seus quintais.

Fazem os ninhos

Nos seus beirais.

Têm os filhos,

Nos sobrados.

São os seres primeiros,

A acordar nas madrugadas.

Louvando, em nosso nome,

O Criador.

Fazem rezas tão intensas.

Tão entoadas.

Deus as ouve

E, dos céus,

Chovem bênçãos

Em abundância.

A terra germina verde.

Se engalaneia de cores.

Onde dá gosto viver.

Cheira a feno,

A vinho mosto.

E a trigo loiro.

E a passarada baila…baila…

Em constante festa.

Fazem excursões.

Atravessam os mares.

Levam e trazem as novas

Que nos dão sabor.

Que grandes ninhos

Os das cegonhas.

Em cima das torres.

Ao pé dos sinos.

Desafiando o fogo,

Poisam nas linhas

De alta tensão.

Dali serenas,

Vão para os arrozais.

Em planados voos.

Constante labor

E não fazem greve.


Ouvindo Lang Lang, concerto nº2 Tchaikowsky piano

Berlim, 21 de Junho de 2014

5h20m

clareia o dia de cinza

Joaquim LuísMendes Gomes

união das distâncias...

A união da distância…

Não é a ausência,

Nem a distância

Que afastam.

Elas estreitam

E apertam.

Dão o nó mais forte

Que ninguém desfaz.

Solda e fica.

Resiste ao rigor do gelo.

Ou ao calor da amazónia.

Outra corrente o faz vibrar.

Olhos da alma,

Que nunca cegam.

Vêm no escuro,

Como se fosse dia.

E tão velozes

Como o pensamento.

Não há montanhas.

Não fronteiras.

Tudo desvendam.

E chegam fundo.

Não têm noite.

Não têm dia.

Sempre alerta.

Dão fé de tudo.

E, se algo está a correr mal,

Bradam aos céus…

Nunca mais se calam.

Clamam aos santos.

Chamam por Deus…

É seu amor que corre perigo.

Berlim, 20 de Junho de 2014

21h30m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 19 de junho de 2014

carapaças da vida...

As carapaças da vida…

Carrocel em movimento,

Umas vezes oito,

Outras, montanha russa,

Em rodopio louco.

Vai pelo caminho.

Em alvoroço,

Garras ao fundo,

É pedregoso,

Quase vertical,

Cheio de abismos,

Coração nas mãos

E braços estendidos,

O peito a arfar.

Descendo e subindo.

E logo, deslizando,

Em paz,

Pelo vale extenso,

Local de encontro.

Das águas cadentes

Que vão num rio,

Dos campos verdes,

Com flores e trigo.

Da passarada garrida

Que não pára quieta,

Sempre a cantar.

Das ermidas brancas,

Em presépios de luz.

Das casinhas caiadas

E telhados rubros.

Das festas alegres,

Com moçoilas dançando

E rapaziada em fúria,

Querendo viver a vida

Num dia apenas.

E das ramadas de verde,

A escorrerem vinho.

Os poços redondos,

Onde se enleiam vacas

Para extraírem regas.

Dos abades de preto,

Olhos luzindo,

Pastoreando aldeias.

Dos bazares de música,

Onde reluzem as fardas

E , alegres, no palco,

Tocam os músicos.

Aqui e além, desalmados,

Sobem foguetes,

Rebentando estrondos.

E, de festa,

Os sinos repicam.

E, assim, vai correndo a vida…

Ouvindo piano romântico, no youtube

Berlim, 20 de Junho de 2014

5h14m ( há muito, já nasceu o dia…)

Joaquim Luís Mendes Gomes


desafio de viver...

O desafio de viver…

Do mar da vida,

Tocou-nos um pedacinho.

Umas vezes, amargo,

Outras vezes, doce.

Nos arrebata.

E puxa até fazer doer.

Tem horas boas.

Outras de fazer esquecer.

Ora sabe a mel

E tantas, com muito fel.

Gota a gota,

Ela lá vai pingando.

Tem tantas sombras.

E zonas de luz.

Tem escarpas vivas.

Soalheiros vales.

Horas de sonho.

Em torrentes de amor.

Desertos de areia.

Onde não apetece ir.

Vagas de fundo,

Proceloso mar.

Um lago de cisnes,

Com luar de Agosto.

Seara de brisa.

Plumas ao vento.

Chegam às nuvens.

Pétalas de cores.

Aves voando,

Num céu sem fim.

Um natal de prendas.

Em lares de amor.

Sorrisos e lágrimas

De fazer chorar.

Que rica pérola

Nos enfeita o peito.

Cercada de oiro,

Um jantar perfeito…

De não mais esquecer.

Berlim, 19 de Junho de 2014

20h10m

joaquim Luís Mendes Gomes

 

terça-feira, 17 de junho de 2014

pensamentos alados...

Pensamentos alados…



Vêm-me do mar os meus pensamentos.

Vêm molhados,

Com espuma. Sabem a sal.

Dá-lhes o vento,

Abre-se as asas

E eles, ladinos,

Se escapam, me fogem,

Como passarinhos

Do ninho.



Fico a vê-los, rodopiando ao sol.

Em bandos.

Cachos de prendas,

Rosas de Abril.

Poisam nos ramos.

Braços abertos.

Entram nos lares,

Com fome de mimo.

Riem, conversam.

Choram com lágrimas de fogo.

Rezam e oram

A todos os santos.

Cantam quadras,

Baladas de amor.

Dormem e sonham

Com o dia que volta.

Se deitam na praia,

Virados para o sol.

Mergulham nas ondas.

E vão pelo fundo.

Procurando seu ninho…

Berlim, 18 de Junho de 2014

8h32m

Joaquim Luís Mendes Gomes


gravitação dos seres...

Gravitação dos seres…

Vivemos no universo,

Como astros, muitos tamanhos.

Todos diferentes.

Cada um seu brilho

E história.

Arde em nós a mesma chama.

Do mesmo fogo sideral.

Cada um tem sua órbita.

Seu começo

E o seu término.

Se cruzam e se entrelaçam,

Como feixes de harmonia.

Se repelem, quando há oposição.

Se atraem e se misturam.

Como a água e como o vinho.

Interagem. Se miram.

Aglutinam.

Proliferam.

Tão diferentes,

Tão iguais.

Não são bolas de sabão.

Têm fogo

E chama própria.

O eterno

É seu destino…

Berlim, 18 de Junho de 2014

6h30m

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 16 de junho de 2014

arte de ser feliz...

Arte de ser feliz…

 

Há tantas linhas que cosem

O vestido da felicidade.

Com que gostamos de andar na rua.

Que toda a gente veja

E goste de nós.

Das suas cores.

Bem combinafas,

Da cabeça aos pés.

Por vezes, cai-lhe uma nódoa.

Quando e onde

Nunca se espera.

Fica-se triste.

Tem remédio.

Limpeza a seco.

Mo cinque à sèque…

Barato e bom…

Como novo.

Pegaos nele outra vez

E lá vamos nós.

Raiando ao sol.

Como brilham estas linhas

Coloridas.

Cheias de azul e verde,

Em fundo preto.

No colarinho,

Um cachecol de lã.

Ou algidão branco.

Protejendo o col…

Conforme o frio ou o sol.

A camisa é furta-cores.

Vai mudando,

Conforme a estação.

É escura, no inverno.

Capta melhor a luz e calor.

É verde e rosa,

Primaveril.

Amarela e rubra,

Nos dias de estio.

Lilás e azul,

Como as flores de lis.

De setembro a novembro,

Pelo colher das uvas.

Que lindo lenço,

Vai no bolso ao peito.

É bom sinal.

Que lá dentro há fogo.

Ardendo e é para se ver…

As calças são paralelas

Rectas.

Nossa base de sustento.

Querem-se de cinza ou pretas.

Com permanente vinco.

A roçar os pés…

E os sapatos,

Reluzem verniz.

Servem de espelho,

Ao nosso nariz…

Por eles sei

E sabem

Se vou feliz…

Ouvindo Gershwin- Rha psody in blue

Berlim, 17 de Junho de 2014

6h36m

Joaquim Luís Mendes Gomes