sábado, 21 de junho de 2014

túneis da vida...

Túneis da vida…

De precipício em precipício,

Só uma maneira de os vencer.

Uma ponte, pelo ar.

Ou furando a terra a fundo,

Sem dó nem piedade.

É custoso. Demora tempo.

Custa vidas.

Mas é um preço

Que torna perto

E mais barato

O que parecia inalcançável

Ou impossível.

Não há montanhas íngremes,

Não há rochedos.

Não há mais margens longínquas,

Separadas pelas águas.

Geram longas pausas nas estradas já cansadas.

Trazem a paz e o silêncio atónito

Das vertigens.

Nos apagam e fortalecem

Nas pusilâmines tentações do retrocesso.

Nos animam a seguir em frente,

Prosseguir viagem,

Com toda a esperança.

E são a prova evidente,

De que a fé em nós,

Se o quisermos,

É capaz de chegar à lua

E arrasar montanhas.



Ouvindo Lang Lang

Berlim 22 de Junho de 2014

6h35m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

viajar sózinho....

Viajar sózinho…

Quem gosta de ir sózino,

Numa carruagem.

O comboio sobe.

Corre as encostas.

Os povoados,

Atravessa túneis.

Rebanhos de cabras.

Vai aos cumes

E nos abre as portas.

Põe-nos a ver a terra ao longe.

Como se fosse perto.

Em paz total.

Encher o peito.

A ver o mar.

Tudo isto só?…

Se fica mais pobre.

A não ser que

A alma esteja ligada ao Criador…

Aí, tudo resplandece e brilha,

Encanta e enche.

Com Deus em si,

Ninguém está mais só!…


Ouvindo Lang Lang emRachmaninov, conc. Nº 2

Berlim, 21 de Junho de 2014

6h1m

Joaquim Luís Mendes Gomes

pássaros....

Pássaros…

Não são vitais no mundo.

Pois não.

Mas, seria muito mais pobre e triste,

Se os não houvesse.

Companhias, aparentemente alheias,

Só estão bem e alegres,

Onde estiver o homem.

E cercam-no. O rodeiam.

Poisam-lhe aos pés.

Nos seus quintais.

Fazem os ninhos

Nos seus beirais.

Têm os filhos,

Nos sobrados.

São os seres primeiros,

A acordar nas madrugadas.

Louvando, em nosso nome,

O Criador.

Fazem rezas tão intensas.

Tão entoadas.

Deus as ouve

E, dos céus,

Chovem bênçãos

Em abundância.

A terra germina verde.

Se engalaneia de cores.

Onde dá gosto viver.

Cheira a feno,

A vinho mosto.

E a trigo loiro.

E a passarada baila…baila…

Em constante festa.

Fazem excursões.

Atravessam os mares.

Levam e trazem as novas

Que nos dão sabor.

Que grandes ninhos

Os das cegonhas.

Em cima das torres.

Ao pé dos sinos.

Desafiando o fogo,

Poisam nas linhas

De alta tensão.

Dali serenas,

Vão para os arrozais.

Em planados voos.

Constante labor

E não fazem greve.


Ouvindo Lang Lang, concerto nº2 Tchaikowsky piano

Berlim, 21 de Junho de 2014

5h20m

clareia o dia de cinza

Joaquim LuísMendes Gomes

união das distâncias...

A união da distância…

Não é a ausência,

Nem a distância

Que afastam.

Elas estreitam

E apertam.

Dão o nó mais forte

Que ninguém desfaz.

Solda e fica.

Resiste ao rigor do gelo.

Ou ao calor da amazónia.

Outra corrente o faz vibrar.

Olhos da alma,

Que nunca cegam.

Vêm no escuro,

Como se fosse dia.

E tão velozes

Como o pensamento.

Não há montanhas.

Não fronteiras.

Tudo desvendam.

E chegam fundo.

Não têm noite.

Não têm dia.

Sempre alerta.

Dão fé de tudo.

E, se algo está a correr mal,

Bradam aos céus…

Nunca mais se calam.

Clamam aos santos.

Chamam por Deus…

É seu amor que corre perigo.

Berlim, 20 de Junho de 2014

21h30m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 19 de junho de 2014

carapaças da vida...

As carapaças da vida…

Carrocel em movimento,

Umas vezes oito,

Outras, montanha russa,

Em rodopio louco.

Vai pelo caminho.

Em alvoroço,

Garras ao fundo,

É pedregoso,

Quase vertical,

Cheio de abismos,

Coração nas mãos

E braços estendidos,

O peito a arfar.

Descendo e subindo.

E logo, deslizando,

Em paz,

Pelo vale extenso,

Local de encontro.

Das águas cadentes

Que vão num rio,

Dos campos verdes,

Com flores e trigo.

Da passarada garrida

Que não pára quieta,

Sempre a cantar.

Das ermidas brancas,

Em presépios de luz.

Das casinhas caiadas

E telhados rubros.

Das festas alegres,

Com moçoilas dançando

E rapaziada em fúria,

Querendo viver a vida

Num dia apenas.

E das ramadas de verde,

A escorrerem vinho.

Os poços redondos,

Onde se enleiam vacas

Para extraírem regas.

Dos abades de preto,

Olhos luzindo,

Pastoreando aldeias.

Dos bazares de música,

Onde reluzem as fardas

E , alegres, no palco,

Tocam os músicos.

Aqui e além, desalmados,

Sobem foguetes,

Rebentando estrondos.

E, de festa,

Os sinos repicam.

E, assim, vai correndo a vida…

Ouvindo piano romântico, no youtube

Berlim, 20 de Junho de 2014

5h14m ( há muito, já nasceu o dia…)

Joaquim Luís Mendes Gomes


desafio de viver...

O desafio de viver…

Do mar da vida,

Tocou-nos um pedacinho.

Umas vezes, amargo,

Outras vezes, doce.

Nos arrebata.

E puxa até fazer doer.

Tem horas boas.

Outras de fazer esquecer.

Ora sabe a mel

E tantas, com muito fel.

Gota a gota,

Ela lá vai pingando.

Tem tantas sombras.

E zonas de luz.

Tem escarpas vivas.

Soalheiros vales.

Horas de sonho.

Em torrentes de amor.

Desertos de areia.

Onde não apetece ir.

Vagas de fundo,

Proceloso mar.

Um lago de cisnes,

Com luar de Agosto.

Seara de brisa.

Plumas ao vento.

Chegam às nuvens.

Pétalas de cores.

Aves voando,

Num céu sem fim.

Um natal de prendas.

Em lares de amor.

Sorrisos e lágrimas

De fazer chorar.

Que rica pérola

Nos enfeita o peito.

Cercada de oiro,

Um jantar perfeito…

De não mais esquecer.

Berlim, 19 de Junho de 2014

20h10m

joaquim Luís Mendes Gomes

 

terça-feira, 17 de junho de 2014

pensamentos alados...

Pensamentos alados…



Vêm-me do mar os meus pensamentos.

Vêm molhados,

Com espuma. Sabem a sal.

Dá-lhes o vento,

Abre-se as asas

E eles, ladinos,

Se escapam, me fogem,

Como passarinhos

Do ninho.



Fico a vê-los, rodopiando ao sol.

Em bandos.

Cachos de prendas,

Rosas de Abril.

Poisam nos ramos.

Braços abertos.

Entram nos lares,

Com fome de mimo.

Riem, conversam.

Choram com lágrimas de fogo.

Rezam e oram

A todos os santos.

Cantam quadras,

Baladas de amor.

Dormem e sonham

Com o dia que volta.

Se deitam na praia,

Virados para o sol.

Mergulham nas ondas.

E vão pelo fundo.

Procurando seu ninho…

Berlim, 18 de Junho de 2014

8h32m

Joaquim Luís Mendes Gomes