domingo, 29 de junho de 2014

minhas portadas brancas...

Minhas portadas …
Abro de par em par,
Minhas portadas largas,
Ao sol e ao sal
Do mar profundo.
Deixo entrar no vento
Os acordes ternos
Das ondas salsas.
Me banho, dos pés à cabeça,
Na sua espuma ardente,
Em chama branca.
Regalo meus olhos sedentos,
Na infinita vastidão azul.
Me lanço correndo,
A toda a força,
Por este mar aberto.
Para lá do mundo.
Minha alma sobe leve
Até às nuvens.
E voa, liberta  à solta,
Mirando a terra.
Como uma estrela de prata,
A vê serena e azul.
Só ela sabe
O que, de bem e mal,
Se vive nela.
Implora aos céus
Lhe chova intensa a paz
E, com pétalas de amor,
A faça feliz…
Berlim, 30 de Junho de 2014
5h22m
dia a nascer cinzento
Joaquim Luís Mendes Gomes

sábado, 28 de junho de 2014

até amanhã...

Dizer adeus…até amanhã!…

Uma chegada que se esperou em chama,

Vem iluminada de muita alegria.

Até parece que vai ser eterna.

Há abraços. Muitos festejos.

Se trocam prendas.

Se dão beijos.

Muitos desejos.

Há mil promessas.

Muitas certezas.

Uma onda enorme,

Cheia de espuma,

Tudo abraçou,

Se espraiou na praia.

Não foi o fim.

Foi o começo.

A vida é assim.

Um mar de ondas,

Que vão e vêm.

Que é bom surfar.

Ao sabor do tempo.

Braços abertos,

Um peito a arder,

Uma alma cheia,

Um receber e dar.

Um saber esperar,

Quando a noite vier.

Depois da serra um vale,

Onde é bom ficar.

Berlim, 29 de Junho de 2014

6h20m

Joaquim Luís Mendes Gomes

ferrugem...

Ferrugem…

Como o bicho da fruta,

Não escolhe idade.

Gosta do ferro.

Velho ou novo.

Quanto mais, melhor.

Primeiro, na capa.

Depois, no miolo.

Sem fazer barulho.

Como em nevoeiro,

Vai roendo tudo.

Nem o osso escapa.

Um paquete gigante.

Uma torre eifel.

Se não os pintam de tinta,

Nem para sucata dão.

São como o papel…

"Bar dos motocas", 28 de Junho de 2014

o sol anda por aí…

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

sem regatear...

Sem regatear…

 

A semente cai.

Na terra-mãe.

Apenas, se expõe.

Ao sol e á chuva.

O vento a cobre.

A terra a abraça.

Vem o calor

Desperta-lhe a vida

Em tons de verde.

Se espraia e se estende.

Em pèzinhos de lã.

A seiva a rega.

Recebe e dá.

Algo de cima a chama,

Atracção fatal.

E ela, mui lenta, vai.

Um fio de seda,

Tacteando o chão.

Até ver a luz.

Cora de verde.

Se expondo ao sol.

A vida circula

E a faz crescer.

Abre seus olhos.

Estende seus bracitos.

Como se fossem asas.

O vento meigo as beija

Se põem a bailar.

E num crescendo suave,

Que só o tempo tece,

Ela se vai expondo,

Com tanta arte o faz.

Faz o seu desenho,

Vai ganhando cor,

Vai riscando a forma,

Como ela quer ficar.

Quer ser igual à mãe

Que lhe deu o ser.

Se quer vestir de verde.

Até chegar a hora,

De dar flor e fruto.

Quer largar semente,

 

Quer voltar ao chão

Para não mais morrer.

Berlim, 28 de Junho de 2014

6h23m

dia cinzento, sem chuva…

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

 

 

minha claque...

segredos do mar...
quem quer saber os segredos do mar?...
só os búzios ao sol,
sabem contar.
...
venham ouvi-los,
ao pé dos rochedos.
chegam nas ondas,
dos fundos do mar.
quero saber o que se passa em segredo.
no seio das ondas,
nas profundezas sem fim.
cavernas tão fundas,
com estrelas de mar.
folguedos e bailes,
à luz do luar.
com sereias ocultas,
fugidas da terra.
cumprem as penas
de tanto amarem...
príncipes encantados,
as viram fugir...
Bar dos motocas, em Berlim, 27 e junho de 2014
10h dia com sol
Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 26 de junho de 2014

faminto...

Faminto…

Regalo meu corpo

E minha alma,

Com fome.

O alimento é escasso.

Estão secas as searas.

As ramadas sem vinho.

O estio impenitente

Derrama calor

E me cobre de sede.

Entro no chão das cavernas.

No reino da sombra

E do silêncio.

E pego nas redes.

Vou no barquinho.

Buscando a sorte

No meio do mar.

No regresso,

Só preciso de lenha

E de fogo ardendo.

Me rego de iodo

E perfume do sal.

Assim, me sacio

E derreto a fome.

Imploro do céu

Uma hora de chuva…

Confio na força do bem

Que tudo criou

Com fome e sede de vida,

Num mundo com sol

E sem chuva,

Haja o que houver.

Porque a esperança e a fé

Não secam nem morrem.

O dia nasceu…um pouco cinzento

Berlim, 27 de Junho de 2014

5h20m

Joaquim Luís Mendes Gomes

bezerro de oiro...

Bezerro de oiro…
No cimo do monte,
Ergui um bezerro de oiro.
...
Ao raiar da aurora,
O sol nasce
E ele chora…
Lágrimas de luz.
Correm pelo monte.
Abençoando as gentes
Ao nascer do dia.
Fico com ele
E medito…
Como pobre seria o mundo.
Só com bezerros.
Carregados de oiro!
Seria frio e seco.
Porque o calor a sério,
Vem doutra fonte.
Que nunca mais seca.
Princípio e fim.
ouvindo Luís Armstrong. Admirável mundo...
“Bar dos motocas” , 26 de Juno, dia de sol, tímido
9h46m
joaquim Luís Mendes Gomes