sexta-feira, 15 de agosto de 2014

rampa de lançamento...

Rampa de lançamento...

Abeiro-me, erguido,
em bicos de pés,
de braços abertos,
cada manhã,
e lanço-me à vida,
com tormenta ou bonançosa.

Espero o vento
e deixo-me ir nas suas asas.
por esse mundo.
desço, subo correndo
pelas encostas, pelas fragas.
sobre os abismos.

regalo estes olhos
com as cores
que matizam um quadro,
imenso e rico,
onde peleja a humanidade.

traço rotas nos escaninhos do pensamento.
oceano inesgotável
que banha nossa alma.
onde abundam sonhos lindos
em cardume.

declamo alto os meus versos.
umas vezes ricos,
e muitas, muito pobres.
que me brotam em brasa,
cá de dentro,
com a mensagem
que na hora me ressoa.

Fico orando cheguem sempre
ao sítio certo
e, humilde e grato,
fico à espera de ouvir,
dum só que seja,
um brando eco...

Mafra, 16 de Agosto de 2014
6h31m
Joaquim Luís Mendes Gomes

minhas alegias...

minhas alegrias...

São muitas.
Arremessei ao mar minhas tristezas.
Fiquei leve.
Pesavam em mim.
Pareciam chumbo.

andava de olhar soturno,
preso ao chão.

como um devedor
que não consegue pagar
as suas dívidas.

Fui ao meu passado.
corri todos os meus caminhos,
onde, uma vez ao menos,
eu fui feliz.

desde meus tempos de menino,
até às horas soltas da brincadeira,
no regresso da minha escola.

Quando ia aos ninhos
ou saltava o muro das quintas fidalgas,
onde a fruta era de graça
e era divina.

Aqueles banhos à pai adão,
nas enseadas largas
do nosso rio.

Das guerras à pedra,
onde vencia só
o mais ladino.

Das noras da rega,
que nós enchíamos
e nos levava em voo,
por umas horas.

E as escaladas às arvores mais altas,
tudo a pulso,
até ao cimo.

E das corridas a pé,
a toda a brida...
onde quem ganhava
era um herói.

E, por aí fora,
foram tantas minhas alegrias,
me sobram saudades
do tempo delas...

Mafra, 15 de Agosto de 2014
22h3m
Joaquim Luís Mendes Gomes

espaços vazios...

espaços vazios...

há espaços na nossa alma,
tão vazios,
nenhum oceano imenso
os consegue preencher.

os que o tempo
nos foi levando,
como vento
em tempestade.

só de novo,
os perfumes da primavera,
com flores
ou as cores de outono,
em chama,
e os sabores,
acri-doces
da sua fruta.

nem um mar de ondas,
das pradarias,
alegrarão
os nossos olhos.

e suas brisas breves
suavizarão
as nossas lágrimas.

só o regaço quente e terno
da nossa Mãe
seria capaz de os saciar.

agora, só a sua bênção
lá dos céus,
será o consolo,
adequado e puro
para que esta vida
nos continue a fazer sonhar...

Mafra, 15 de Agosto de 2014
14h00

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

é preciso parar...

É preciso parar...

Se caio em mim,
de olhos fechados
e olho para trás,

ó que aridez.
ó que vazio.
ó que deserto!...

Esquadrinho o mar e suas águas,
só encontro algas,
e ondas meigas que me banham os pés.

me lanço ao rio
e vêm os cardumes,
em correria,
para me abraçarem.

me elevo ao ar,
num balão de fogo.

fico pasmado
com a terra leve
que voa lá em baixo.

se caio em mim,
de olhos fechados,
e olho para trás,

ó que aridez.
ó que vazio.
ó que deserto!...

ouvindo sonata nº 2 "moonlight" ao piano de Beethoven por Valentina Lisitsa

amanhecendo, com um ténue e brando céu de nácar

Mafra, 15 de Agosto de 2014
6h47m
Joaquim Luís Mendes Gomes

até ao fim do mundo...

Até ao fim do mundo...

Irei até ao fim do mundo
para ver reinar
a felicidade total,
num paraíso tal,
como imagino.

Onde o sol nasça
e brilhe igual
para todas as casas.

Onde o mar dê peixe de sobra
a todas as bocas.

E a terra dê pão e vinho
que cheguem para todo o ano.

Onde não haja secas
nem ciclones mortais,
nem tsunamis.


Que cada um cresça
segundo os dotes
que lhe deu a Natureza.

Se for artista em qualquer arte,
sua obra fique brilhando
e alimente a alma sedenta
de quem quer ser
sem o poder.

Se for cantor,
sua voz ressoe canções
tão lindas...
até os anjos desçam
para as escutar.

Se for actor, de palco,
ou de cinema,
simples fotógrafo
ou retratista,
seus passos e seu olhar
sejam certos
e tão reais
como a vida o é
para quem a vive.

E minha alma volte
acesa em brasa
e ateie chamas
por todo o mundo
com o amor divino
que lá reina,
em estado puro.

ouvindo concerto para piano de Grieg
 a partir do youtube, por Alice Sara Ott


 Mafra, 14 d Agosto de 2014
21h57m
Joaquim Luís Mendes Gomes

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ave Maria...

Ave Maria...

Ave Maria das naus e caravelas
das nuvens no céu
e das estrelas.
Dos mares e continentes
que enchem esta Terra.

Sois mais bela que as estrelas
e todo o firmamento
que é tão belo.

Deste vida terrena ao Criador..,
Como mulher és Rainha
no Reino eterno do Senhor.

ouvindo Ave Maria de Schubert, por Lang Lang

madrugada a abrir em flor

Mafra, 14 de Agosto de 2014
5h54m
Joaquim Luís Mendes Gomes

grândola, vila morena...

Grândola, vila morena...
Acabamos de chegar do almoço em Grândola. Verdadeiramente, uma vila morena e terra de fraternidade. Aliás como todas as vilas alentejanas.
Têm todas o mesmo figurino. Suas casas baixinhas, de paredes brancas afitadas,ao longo das ruas esquadrinhadas, sempre com um renque de árvores de sombra e carregadas de flores, no tempo delas.
Ao centro, um lindo jardim, muito bem cuidado, cheio de bancos e estâncias, para o convívio .De novos e anciãos.
Uma casa de repouso a sério para os reformados, erecta pela solidariedade local, através duma associação de reformados, levada a sério.
E muitas casas de repasto. Primoroso no seu cozinhar alentejano.
Fomos ao do costume." A Coutada".
Íamos om a dúvida sobre se hoje estaria fechado. Mas não. Estava em pleno funcionamento.
Fomos os primeiros clientes a entrar na sala. O rapaz começou então a abrir as luzes nos candelabros.
Uma sala airosa. Fresca.
Veio a ementa. Meus olhos devem ter faiscado. Quando deram com o " cozido" na ementa.
Me lembrava do último há uns bons meses.
Chegou a travessa.
Não vos digo nada.
Começámos a debicá-lo. Religiosamente. fazendo-o render o mais possível.
Impossível encontrar-se outro melhor...Sério!
.
Em sabor. Qualidade das carnes, das hortaliças...Uma variedade rica. Um verdadeiro primor.
E o vinho tinto da casa. Em cantarinha!?......
Só indo lá...e ver...
O preço. Nem vos digo. Escandalizava-vos. Muito em conta.
Às quartas-feiras...de vez em quando, lá estaremos de novo.
Porque, só com poesia, a coisa não vai...