quinta-feira, 4 de julho de 2013

amanhecer em Roses, à beira-mar...


Amanhecer em Roses

 

A noite vai clareando serenamente.

O dia vai reaparecendo,

Dando cor e forma ao mar,

Demarcando fronteiras longe,

Entre as serras altas e o reino do céu.

 

Despertam calados os barquitos ancorados,

Nem seus mastros finos, apontados,

Se mexem, de tão firmes sobre as águas.

 

Uma ligeira brisa doce se espreguiça

Sobre o mar,

Deixando preguinhas breves

Que bruxuleiam à superfície.

 

Na areia molhada,

Sem ninguém,

ainda se notam as pégadas-mil

do dia de ontem.

 

Só as gaivotas se passeiam

nela livremente,

enquanto esperam

sua hora de partir.

 

Um a um, saem barcos, com certo porte

do porto para a pesca,

Carregados de esperança.

Oxalá a sorte também os favoreça.

 

Roses, 5 de Julho de 2013

6h55m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

minhas toadas às cores...


Minhas toadas de cores...

 

Escrevo versos livres

 como quem toca guitarra.

Troco sons por notas de conto.

 

Canto fados.

Teço loas de lua,

como quem fia rendas.

 

Faço prendas de cor

Em arranjos breves

Para oferecer ao vento.

 

Curto meus passos curtos,

Como quem sobe escarpas.

 

Me regalo a ver quem vem

E me traz carinho.

Pago a cem por um

A quem me quiser ouvir.

 

Só recebo sorrisos

Se mos quiserem levar.

 

Não quero enriquecer

Para ficar mais pobre.

Sempre ouvi dizer e bem

Que a felicidade

Está em agradecer...

 

Roses, 4 de Julho de 2013

14h2m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

caravela ao vento...


Caravela ao vento

 

Caravela ao vento,

vai pelo mundo,

Minha alma sedenta.

Procurando a luz.

Em rumo feliz.

 

Carregando a alegria,

Sofrendo a dor,

De viver e sonhar.

 

Como um relógio de corda

Que sente as horas

Que bate e que conta,

Em sortilégio sem fim.

 

Como folha seca,

Soltada da árvore,

Emigrante,

Que o vento leva

Por esse mundo,

Rodopio em circuito lento,

Descobrindo hora a hora,

O que está escrito sobre mim,

Enquanto durar a corda...

 

Roses, 4 de Julho de 2013

8h48m

Joaquim Luís Mendes Gomes

pela costa brava...


Na Costa brava...

 

 

Como seara de vento e sol,

Este mar de luz,

Que o céu de azul

Pinta e espelha,

Alimenta e regala,

 como nenhum mais

Que nós saibamos,

Tantos olhos e tão sedentos,

Como os nossos.

 

Por mim, em êxtase,

Ficariamos a vê-lo, eternamente,

Se outros laços

Bem dentro,

Nossas  almas não prendessem...

Por  lei da vida!

 

Assim, já dou graças,

Se, ao menos,

 uma vez no ano,

por privilégio,

que regalo,

Aqui venhamos repeti-lo...

 

Golfo de Roses, 4 de Julho de 2013

7h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes

terça-feira, 2 de julho de 2013

meu par de sandálias...


Meu par de sandálias

 

São leves, ligeiras.

Ponho-as nos pés

E vou por aí fora,

sem rumo traçado.

 

Aberto à vida dum dia que nasce.

É o passado que vai

E o futuro que vem,

 

Comboio fechado,

cheio de gente,

Janelas abertas,

Com destinos incertos,

Com bilhete pré-pago,

Entregue e aberto

no fim da chegada.

 

Subindo e descendo.

Por campos e serras,

Com horas tristonhas

E dias de sol.

Sentindo o vento,

Cantando cá fora.

Rasgando o tempo,

Vestido de dia e de noite

Com estrelas de sorte.

Cada um tem a sua.

Para si e para dar.

Enquanto durarem

Minhas sandálias nos pés...

 

Roses, 3 de Julho de 2013

7h12m

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 1 de julho de 2013

hora das gaivotas...


Hora das gaivotas...

 

Aqui do alto,

Da minha varanda aberta,

Só a praia ainda deserta.

Está na hora só das gaivotas.

Foram elas em algazarra

Que me acordaram, atrevidas.

Esvoaçam loucas. Parecem nervosas.

Na borda do mar.

Quase sepegam.buliçosas,

levantam voo ,

ensarilhadas,

e se revoltam desconexas

largando penas..

que as ondas escondem.

 

Não há vivalma.

De vez em quando,

lá vai um esgrouviado notívago,

que não tem família

e velou na areia.

 

 Uma fila de bolas túrgidas,

Presas ao fundo

Ainda sonolentas,

Delimitam os limites da praia.

 

Do porto avista,

Sai uma traineira de pesca,

Rasgando as águas.

Buscando peixe

Para o nosso almoço

No mar de cinza.

 

Agora, ali vai sozinha,

uma mulher madura,

Caminhando descalça,

Na borda das ondas,

Semeando-me  inveja...

Faria o mesmo,

Se eu fosse rei
ou só gaivota...

 

Roses, 2 de Julho de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

de novo em Roses...


De novo em Roses...

 

Aqui estamos frente ao Mediterrâneo azul e calmo.

Entre nós  e ele,

Apenas uma marginal com palmeiras,

Uma restinga de areia fina.

 

O resto é festa...

com muita cor e alegria nos rostos de tanta gente.

Todas as idades. De todos os lados.

 

Há quem nade. Quem chapinhe nas ondas.

Há quem pesque.

Há chilreios da criançada alegre,

Saboreando os pais presentes,

que não são de mais ninguém.

 

Quem deambule de trás prá frente,

Com a água nos pés.

E esplanadas cheias com guarda-sóis abertos.

Há patinadores que aprendem.

E ski aquático com motas de água.

 

Cães que brincam buscando pedras aos donos.

 

Há música de fundo, dos anos vinte.

E um sol sereno, dardejando calor.

Amantes quentes que sonham felizes.

E o nosso reencontro enfim,

Ao fim de mais um ano.

 

Roses, 1 de Julho de 2013

22h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes