domingo, 3 de novembro de 2013

não mais hawais!...

Não quero hawais!...


Que se lixe o dólar!...
E seu irmão da Europa!...
E todo o ouro
Que Joanesburgo gere...

A maior riqueza do mundo
É a amizade
E um abraço apertado,
Na hora da noite.

Façam havais...
Roubem o mar
Com altas torres...
Ergam kwaits de marfim e oiro...
Inundem desertos
De benzina a arder!...
Deixem-me viver em paz...
Como os meus amigos.
Sejam felizes...
Vão para o inferno...
Se não souberem amar.

Mafra, 3 de Novembro de 2013
Joaquim Luís Mendes Gomes


quem será o mendigo?...

Quem é mendigo?...

Como eu compreendo bem um mendigo...
Sem dinheiro...
Sem amigos.
Sua cama é um emaranhado
De cartão
E sacos de plástico.
Sua suite é o chão de pedra,
No vão duma escada
Ou a gare dos comboios.

Seu pijama é o fato de remendos
Ou o resto da minha roupa
Que eu já não quero.

Cada vez que os vejo
É uma facada aguda
No meu coração burguês...
Sempre a refilar...
Porque ainda não pude trocar de carro.

Que contas vou prestar a Deus
Que é seu Pai e meu?...

De nada me vale a vergonha
Que sinto!...
O mendigo, em boa verdade...
Sou apenas eu...
Um avaro pobre
E miserável,
Cego dos olhos
E do coração!...

Mafra, 3 de Novembro de 2013
15h2m

Joaquim Luís Mendes Gomes

sábado, 2 de novembro de 2013

beijo..e bofetada

O beijo e a bofetada...

São as duas faces
Da mesma moeda.
Sem curso legal.

Enchem e sobram,
Sem alma, sem forma,...
No rosto e na face
Do rico e do pobre.

Não é moeda de troca...

Mas tudo, na vida,
Se compra e se vende
Com ela.

Dois polos, vizinhos,
De carga contrária,
Nunca se encontram,
Se atraem e repelem.

Azeite e vinagre.
Se misturam à força.
Sem regra nem lei.

Quando esta se extingue,
De costas voltadas,
Doce e amargo,
A paz e a guerra,
O amor e o ódio,
O bem e o mal
Ficam como são.

Mafra, 2 de Novembro de 2013
9h14m

Joaquim Luís Mendes Gomes

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

fome de amor...

Fome de amor...

Andamos a vida inteira
Procurando amor...
Carecemos dele
Como a flor do sol.

Quando nascemos,
Lá muito atrás,
Não sentíamos essa necessidade.

Tudo nos vinha a tempo,
Abundante,
De todos os lados
E a toda a hora.

À medida que fomos crescendo,
E a caminhar por nós,
Fomos-lhe sentindo a fome
E passamos a correr-lhe atrás.

Para não sofrer...
O que é natural.

Mas é esta fome
Que nos traz de pé...

O problema está só
Em saber escolher.
O caminho certo
Que lá vá dar.

Tantas opções à vista,
À nossa mão.
Até confundem.

Há quem escolha o poder...
Tira cursos.
Faz-se atleta.
Um pugilista...
No final de tudo,
Torna-se tirano.
De quem todos fogem

Outros a fama
E não olham a meios.
Faz-se cantor.
Faz-se escritor.
Futebolista.
Lá bem no topo,
Se sente um vazio
E pobre.

Outros, o prazer d’ amigos,
Sem os saber escolher.
Lançam-se mundo fora.
Por todos os cantos.
Resplandescentes de luzes.
De estonteados,
Ficam perdidos no mundo.

Enquanto houver só
Quem pense em si,
Só queira receber,
Sem ter que dar,
Mesmo que faça doer,
E isso é que é amor,

Tudo no fim...
Vai desaguar
Na desilusão da fome.

Mafra, 1 de Novembro de 2013
16h57m
Joaquim Luís Mendes Gomes




oração à paz...

Oração à paz...

Sinto medo de mim
Ao sair de casa.
De os encontrar
Ao virar da esquina.

Seria o fim...
O deles
E talvez o meu.
Não posso ouvi-los,
Muito menos vê-los...

Bastaria um gesto
E voltaria a paz...
Que tanta falta faz.
Para o meu País...

No campo dos mortos,
 Onde ficariam seguros.
Para sempre. Amen!...

Com a devida vénia dum revoltado vivo...
Que só quer viver...em paz

Mafra, 1 de Novembro de 2013

Joaquim Luís Mendes Gomes

homem da saca...

homem da saca...


Todos os dias,
Chova ou faça sol,
Pelas nove/dez horas,
Ele ali vai...
Ele ali vem.
Cmo um pêndulo.
Entre Ericeira e Mafra.

É franzino.
Muito direito,
Já ancião.
Tudo nele é músculo.
Pele e osso.
Olhos fundos,
Num rosto enrugado.

Alpercatas nos pés.
Um boné na cabeça.
E a camisa é fina ou grossa,
Conforme o tempo.

Bem perfilado,
Fitando em frente,
Ali vai a pé...
Pela berminha da estrada,
Sempre a mesma,
Alheio ao mundo,

Que pensará ele?...

Uma vara ao ombro,
Dum ramo seco
A que rapou a casca.

E uma saca de pano,
Tecido de trapos,
De várias cores,
Conforme os riscos,
Cosido em casa.

É nele que cumpre
O dever que sente
De ganhar o pão,
Levando encomendas
Ao seu patrão...

Bar “ Os Sete Momentos”, em Mafra,
1 de Novembro de 2013
11h39m

Joaquim Luís Mendes Gomes

em frente!...

Em frente...sigamos...

É longa a caminhada.
Pedregosa e sinuosa.
Tem subidas
E planuras.
Tem obstáculos.
Temos rios caudalosos
E riachos a transpor.
Há escarpas alcantiladas,
Onde só a agilidade inata
Dos nativos consegue
Ultrapassar.

Mas, temos fogo em nós
Que chega e sobra
Para esta façanha ingente
De vida ou morte.

Nunca um tamanho descalabro,
Desabou sobre a nossa história...
E não foi a natureza,
Na sua incompreensível
E atroz crueldade!...

Fomos nós que, inocentemente,
Acreditamos nas regras douradas
Que puseram à nossa frente
E os escolhemos!...

Monumentais cavalos de tróia,
De cartazes e fitas coloridas,
Com promessas sedutoras,
Como faz a gente capaz e séria...
Traziam lá dentro,
Um bando de bandoleiros,
Petulantes, gananciosos,
Nada respeitam,
Como ensinaram os seus avós,
Uns infames!...Sem perdão...
Não olham a meios...
Merecem castigo e o pior degredo...
Só conhecem o venha a nós...
Dêmos as mãos!
Temos razão!
Peguemos em paus!
E vamos a eles!...

Ouvindo André Rieu

Mafra, 1 de Novembro de 2013
7h57m

Joaquim Luís Mendes Gomes