segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

mortificações...

Mortificações...

Haverá alguém no mundo
Que goste desta palavra?...

Se, em nós mesmos,
Sem nenhum motivo,
É masoquismo...
-penso eu.

Bem pior, será quando
Somos nós a mortificar alguém.

Bastam as da vida...
Por mais serena
E por mais cuidado,
Com que vivamos.

Há sempre algo ou alguém
Que, sem razões, se ocupe disso.

Desde a traição...
À simples rasteira.
Há sempre quem,
Por mero sadismo,
Goste de nos ver no chão...

Nem que seja só,
Por hipocrisia,
Nos vir acudir...

Tudo isto existe, à farta,
Neste mundo de Cristo.

E porque será?...
Aí eu penso.
- quem perde o norte
Que a consciência nos dá,
Está sempre pronto
A semear o mal.
Pensando errado
Que só assim...
Será feliz!...
Para nosso mal!

Berlim, 2 de Dezembro de 2013
13h26m
Joaquim Luís Mendes Gomes

domingo, 1 de dezembro de 2013

o meu cavalo...

Meu cavalo sedento...

Prendi o meu cavalo,
Com uma ligeira amarra
Ao tronco velho duma árvore,
Enquanto desci a beber na fonte...

Senti-me tão fresco,
Debaixo daquela fresca,
Deitei-me no chão,
Me esqueci
E fiquei a dormir.

Impaciente ou revoltado,
O meu amigo deu um esticão,
Com toda a razão,
Por mero acaso,
Não caíu a árvore,

Desceu à fonte...
Pôs-se a beber.

Que consolado!
Os cavalos também têm sede...

Ali ficou de pé,
Mas ao meu lado...

Ouvindo boa música...

Berlim, 2 de Dezembro de 2013
6h46m
Joaquim Luís Mendes Gomes


o meu cavalo...

Meu cavalo sedento...

Prendi o meu cavalo,
Com uma ligeira amarra
Ao tronco velho duma árvore,
Enquanto desci a beber na fonte...

Senti-me tão fresco,
Debaixo daquela fresca,
Deitei-me no chão,
Me esqueci
E fiquei a dormir.

Impaciente ou revoltado,
O meu amigo deu um esticão,
Com toda a razão,
Por mero acaso,
Não caíu a árvore,

Desceu à fonte...
Pôs-se a beber.

Que consolado!
Os cavalos também têm sede...

Ali ficou de pé,
Mas ao meu lado...

Ouvindo boa música...

Berlim, 2 de Dezembro de 2013
6h46m
Joaquim Luís Mendes Gomes


escrevendo nas nuvens...

Escrevendo nas nuvens...

Escrevo os meus versos,
Nas folhas albas das nuvens.
Leva-as o vento sem selo.
Atravessam fronteiras.
Sem destino marcado.

Algumas gelam de frio,
Se tornam em neve
Com que se fazem bonecos.

Outras ardem ao sol,
Se despedaçam em cinzas,
Caem na terra,
Servem de húmus,
Onde aparecem flores
E árvores de fruto.

Nenhuma se perde.
Só o sol as acaba
Porque é incapaz
De as ler...sem queimar.

Berlim, 1 de dezembro de 2013
14h44m

Joaquim Luís Mendes Gomes

impulsos...

Impulsos...

Meu coração é uma bomba.
Aspirante-premente.
Vive de impulsos.
Uns do bem,
Alguns do mal.

Está ligado,
Hora a hora.
Se lhe falta a corrente,
É um estertor.

Só carbura,
Se lhe derem a corda.

Só os amigos,
Lha podem dar.

Se me querem bem,
Estejam atentos...
‘inda sou muito novo
Para parar...

Não precisa de chave.
Basta puxar.
Tenho pontas dela
Em todo o mundo.
Quem me quiser bem,
É só puxar.

Aí, eu corro.
Aí eu danço.
Só na madrugada,
Me irei deitar.

Berlim, 1 de dezembro de 2013
13h59m
Joaquim Luís Mendes Gomes



para esquecer...

Mosquito num olho...

Entrou-me um mosquito num olho.
Ao pé da estação.
Fiquei parado, 
Esfregando, esfregando,
Aflito.

Perdi o comboio
Que me ia levar em viagem.
Fiquei revoltado.

Passei a manhã no café,
Bebendo cafés 
E lendo jornais.

O seguinte seria,
No meio da tarde.

Na praça de táxis,
Debaixo das tílias
Falavam e riam,
Alegres da vida,
Os dois taxistas,
À espera da vez.

Camionetas chegavam,
Quase vazias,
De gente.
Traziam galinhas,
De crista vermelha,
De patas atadas,
em cestas de vime.

No ar, ouvia-se o rádio, 
Da venda,
Com meia dúzia de mesas,
Com toalhas lavadas
E algumas surpresas.

Lá fora, a vendedora de roscas,
Com a voz meio rouca,
Cantava o refrão:

- quem quer regueifas...quentinhas e boas!?...
Veja freguês!...

Atrás do balcão, a dona do bar,
de faces rosadas,
cabeleira bem preta,
apanhada atrás,
Não tinha mãos a medir,
Nas horas de ponta.

Copos de vinho,
Saído da pipa.
Bacalhau em bolinhos,
Cebolada de iscas...
Bifanas grelhadas,
Na brasa a ferver.

Passou-se depressa ... aquela manhã
Que um mosquito me deu...
Por perder o comboio
Que seguia para a Régua.

Berlim, 1 de Dezembro de 2013
Joaquim Luís Mendes Gomes

mosquito num olho...

Mosquito num olho...

Entrou-me um mosquito num olho.
Ao pé da estação.
Fiquei parado, 
Esfregando, esfregando,
Aflito.

Perdi o comboio
Que me ia levar em viagem.
Fiquei revoltado.

Passei a manhã no café,
Bebendo cafés 
E lendo jornais.

O seguinte seria,
No meio da tarde.

Na praça de táxis,
Debaixo das tílias
Falavam e riam,
Alegres da vida,
Os dois taxistas,
À espera da vez.

Camionetas chegavam,
Quase vazias,
De gente.
Traziam galinhas,
De crista vermelha,
De patas atadas,
em cestas de vime.

No ar, ouvia-se o rádio, 
Da venda,
Com meia dúzia de mesas,
Com toalhas lavadas
E algumas surpresas.

Lá fora, a vendedora de roscas,
Com a voz meio rouca,
Cantava o refrão:

- quem quer regueifas...quentinhas e boas!?...
Veja freguês!...

Atrás do balcão, a dona do bar,
de faces rosadas,
cabeleira bem preta,
apanhada atrás,
Não tinha mãos a medir,
Nas horas de ponta.

Copos de vinho,
Saído da pipa.
Bacalhau em bolinhos,
Cebolada de iscas...
Bifanas grelhadas,
Na brasa a ferver.

Passou-se depressa ... aquela manhã
Que um mosquito me deu...
Por perder o comboio
Que seguia para a Régua.

Berlim, 1 de Dezembro de 2013
Joaquim Luís Mendes Gomes