domingo, 7 de setembro de 2014

tarde de domingo...

tarde de Domingo...


está azul o céu.
como há muito não.

há cavalos tranquilos a debicar o chão,
para mim,
de olhos baços,
só me restam
as nuvens a bailar festivas...

mais as copas verdes
duma mata em flor.

oiço acordes
duma música lenta
minha alma aspira.
e canta sonora.

louvores sem fim.
de louca a arder.

baladas tristes,
me chegam do fundo
dum mar profundo.
soam a eterno
dum amanhecer.

voo no ar
como se fora ave.
rumo ao infinito
do entardecer.

meu barco alado
de asas abertas.
parece uma gazela triste
a que abri a porta.

vou esbaforido.
se ninguém me alacançar,
darei a volta ao mundo.
e ficarei sonhando.

perdi tantos dias
neste porto morto.

só hoje me chegou o vento.

ouvindo Brahms piano concerto nº 2 por Baremboim
Mafra, 7 de Setembro de 2014
17h4m
Joaquim Luís Mendes Gomes







quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ave Maria...

Ave Maria,
Senhora,
Mãe de Jesus!

Rei dos Reis,
Senhor deste mundo,
que é o nosso,
com todas as coisas,
umas, boas, belas,
outras, menos, muitas,
só na aparência,
porque Ele é justo
e todo poderoso...

criado por amor,
para seus filhos
que somos nós,
Tu e eu,
que temos um nome,
e o nosso rosto,
à Sua imagem,
por amor de Sua vontade...

Avé, Mãe de todos,
por Sua vontade.
sejas Bendita!...

ouvindo Kimy Kota, e André Rieu, Ave Maria...

6ªfeira, a nascer com sol

Mafra, 5 de Setembro de 2014
7h20m
Joaquim Luís Mendes Gomes


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

oração da manhã...

da desgraça de cada dia...
Nos livrai hoje, meu Criador.
Pai Nosso. Ave Maria!
vossa bênção chova abundante.
esteja presente
cada hora, cada instante.
em todo o dia.
me faça ver cada passada
que eu der
seja para a frente
nunca para trás.
para fazer mal.
o que deu bem.
sinta fome de bem fazer.
abraçar o mundo
e saber viver.
segundo a ordem
do Teu querer...
ouvindo "claire de lune" e Claude Debussy em piano
amanhece piano e triste...esta 5ª feira doce...
Joaquim Luís Mendes Gomes

as minhas pestanas...

As minhas pestanas...
Minhas pestanas longas,
negras,
são como canas verdes,
na borda do rio.
baloiçando ao vento,
parecem indiferentes.
filtram o sol,
como duas cortinas...
ninguém consegue ver para dentro.
sem sua licença.
quem quiser passar o rio,
tem de atravessar a ponte...
e só conseguem mergulhar no rio
se elas o permitirem...
mafra, 3 de Setembro de 2014
21h26m
Joaquim Luís Mendes Gomes

*a solta...

à solta...

solto as asas
do meu pensamento
e vou voando livre,
sem tema algum.

ora subindo.
ora descendo.

como um condor,
nas alturas,
mirando a terra.
ou gaivota,
leve,
espreitando a presa.

tudo absorvo em mim
enquanto divago.

tantas clareiras,
sem nada à vista.

tantas sendas,
sem rumo claro.
tantas rotas
num mar sem fim.

tantos temas,
sem resposta à mão.
tantas portas,
que ainda falta abrir.

como ao condor,
arguto
e à gaivota atenta,
só cabe saber esperar...

ouvindo Leo Rojas - White Arrows

Mafra, 3 de Setembro de 2014
18h30m
Joaquim Luís Mendes Gomes









terça-feira, 2 de setembro de 2014

fique om o troco...

fique com o troco...

preocupado.
coisas da vida.
sentei-me à mesa.

Uma linda sala.
bem decorada,
à moda antiga.
em fino gosto.

Lindos quadros,
pinturas de sonho.
com reis e povo.
amplas searas
montanhas de branco.
cataratas no rio.

grandes espelhos,
em mldura doirada.
candelabros acesos,
derramando luz.

vem o empregado,
de casaco branco,
muito aprumado.
como um senhor.

dá-me os bons dias.
esboça um sorriso.
seus olhos brilham.

- que vai tomar?
- um café curto, se faz favor.

abro o jornal.
fico a saber as últimas.
até que a bica chega.
com um rebuçado ao lado.

entro noutra onda,
que me alivia a carga.
por tão pequenino preço.

bendita porta aberta,
onde me senti alguém,
onde fui senhor,
onde se vê mais gente
e me fez feliz.

muito ou pouco...
porque não lhe deixar o troco
que o ajude a viver?...

Mafra, 3 de Setembro de 2014
o dia nasceu cinzento, mas vai abrir...

Joaquim Luís Mendes Gomes

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

lang lang...

Lang Lang...

as palmas da assembleia soam.
como a chuva a caír do céu.

um vulto de escuro vem palco fora.
rumo a um piano negro.
faz uma vénia funda.
esboça um sorriso
e se apronta para tocar.

seus dedos começam a saltitar nas teclas,
puxando cordas que exalam sons,
em resposta exacta,
ao que sai da mente,
com um fulgor brilhante,
daquele jovem.
que nos transcende.

numa sequência harmónica,
que não é a dele,
tudo de cor,
mas a que escreveu Beethoven,
sob inspiração divina,
um diálogo infindo,
entre um piano
e uma grande orquestra...


  - como é possível,?!...
de estontear.

ouvindo Lang Lang no concerto nº1 de Beethoven
o dia ainda dorme a sono solto...

Mafra, 2 de Setembro de 2014
6h3m
Joaquim Luís Mendes Gomes