domingo, 14 de julho de 2013

meu rumo...


Cada dia armo e desarmo

minha tenda onde durmo

e me abrigo.

 

Avanço ao ritmo surdo

das minhas marés.

Levo bem presas

minhas amarras

com asas,

que me fazem voar.

 

Não tenho fronteiras.

Meu destino é o infinito,

Sem amarras nem tendas

Para armar...

 

Berlim, 15 de Julho de 2013

5h35m

Joaquim Luís Mendes Gomes

noite de sol...


Noite de sol...

 

Acabo este dia de sol

com os meus dois netos

a dormir aos pés da nossa cama...

“-avô, gosto tanto de ficar na tua casa...”

- é a letra da mais linda melodia

que nos podiam  cantar para nós dormirmos...

 

Momentos belos,

mesmo divinos!...

Dois anjinhos estão a dormir ao pé de nós...

 

Duas promessas que irão ocupar nosso lugar,

Quando chegar a hora de partir...

 

Berlim, 13 de Julho de 2013

00h14m

Joaquim Luís Mendes Gomes

sexta-feira, 12 de julho de 2013

é agora!...


 

É agora!...

 

Arremesso ao mar

todas as amarras que me prendem.

E vou.

Livre como vela solta ao vento,

puxando meu barco.

 

Atento às estrelas que, lá do alto,

me fazem sinais,

 apontando o caminho.

 

Levo em mim, promessas firmes

em que eu acredito.

 

Respiro do mar que me dá alento,

sigo em frente, sem olhar para trás.

 

Espero chegar a tempo

de ver o sol a nascer

Outra vez.

 

Berlim, 13 De Julho de 2013

7h46m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

Berlim ao entardecer...


Berlim ao entardecer...

 

Não há horizontes ao longe,

Para enxergar.

Só ao alto do céu.

As nuvens iluminadas

Parecem icebergues gigantes alados

Escorrendo luz em cataratas.

 

O sol quase adormecido

Apenas adeja brando

Como um condor alado.

 

Reluzem as pontas verdes

Das copas, como velas arfantes,

Quase a apagar.

 

Não se enxergam cumes

De serras distantes.

Vogamos serenamente,

Como se fôssemos só peixes num aquário.

 

Lentamente, as árvores gigantes

Se vão despindo.

Trocando suas vestes verdes

Por túnicas da noite.

 

Se acendem os círios

Nas bordas das ruas,

Como archotes da festa da noite,

Que vai começar.

Pelas ruas desertas,

Cirandam carros

De janelas cerradas.

 

Não há andorinhas rasteiras

Aos zigue-zagues.

Só bicicletas avançam caladas,

Com golpes de pernas

Que não custam nada...

 

Berlim, 12 de Julho de 2013

19h56m

Joaquim Luís Mendes Gomes

oração da manhã...


Oração da manhã...

 

Como um menino chama pela mãe

Que não tem,

Porque ma levaste,

Tão cedo,

Na aurora da vida,

Clamo por Ti, meu Senhor,

Cada manhã, ao acordar.

 

Sózinho, não sou capaz de viver.

 

Podem chover trovoadas,

Pode raiar,

Contigo ao lado,

O barco avança,

Com rumo certeiro,

Atinjo o porto seguro,

Onde quero aportar.

 

Foi sempre assim,

Nesta viagem já longa.

Houve negrumes e trevas...

Senti-me perdido,

Dei cabeçadas...

A culpa foi minha.

 

Na hora exacta,

Tu aparecias sorrindo

E me fazias sorrir,

De contente.

 

Demos as mãos

E foi sempre a andar...

Como se nada houvesse.

 

Bendito legado

Me deixaram meus Pais

Ao ensinarem no berço

Que Tu és Deus e Senhor

E também que és Pai,

Porque é  assim,

Que Tu o quiseste...

 

Berlim, 12 de Julho de 2013

14h30m

Joaquim Luís Mendes Gomes.

 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ao meu netinho Tomás...


O meu netinho Tomás

 

Partiu com dois anitos...

Chamado por Deus.

Moeda de troca.

Ele canta no céu...

E eu choro na terra,

Rezando estes versos

Que me fazem sangrar.

 

Sorriso de luz,

Olhinhos brilhantes,

Bracitos de amor

Chamando pelos meus.

 

Brincava às escondidas,

Sem se cansar.

Corria descalço,

Passarinho a fugir.

Se rojava no chão,

Cavalinho de corda.

Até ficar a dormir.

 

Te guardo em mim,

Meu pedacinho de avô.

Meu anjo da guarda

Que esperas no céu

Para continuares a brincar.

 

Te lembro meu velho,

Tamanha saudade,

Te peço beijinhos,

Para continuar a viver...

 

Berlim, 11 de Julho de 2013

22h22m

Joaquim Luís Mendes Gomes

 

 

 

 

outro mar de ondas...


Outro mar de ondas...

 

Se abro as janelas,

Um mar de vagas,

em marulhar constante,

ressoa estridente,

como se tempestade.

Não vejo a espuma

Mas fumos de carros

Que correm na estrada.

 

Em vez da praia,

Um dossel vibrante,

Jorrando verde,

Das copas vibrantes,

Como se fossem algas.

 

Uma brisa meiga corre no ar.

Que nos consola o rosto

E enxuga as lágrimas.

 

Em vez de gaivotas brancas,

Esvoaçam corvos negros.

Grasnam sedentos

E devoram os vermes.

 

Nos bosques da selva

Dormem os esquilos.

Saltitam nos ramos,

Como se fossem aves.

 

Não oiço cucos

Nem poupas gementes.

Se ouvem pombas

Caçando os grilos.

 

Quando fecho as janelas,

Chove silêncio...

Me convidando ao sono.

 

Berlim, 11 de Julho de 2013

13h40m

Joaquim Luís Mendes Gomes