domingo, 5 de janeiro de 2014

anjo da madrugada...


O anjo da madrugada...

Qualquer jardineiro,
Quando planta uma árvore de fruto
Ou uma floreira,
Põe ao lado uma estaca firme
Para sustentar seu crescimento.

A planta cresce.
Engrossa o caule.
Resiste ao vento
E floresce.

Fez o mesmo quem nos criou.
A cada um destacou um ser
Para nos acompanhar,
Pela vida fora.
E pede-lhe contas...

Ao longo da vida,
Foram tantos os escolhos,
Onde não caímos..
Sem saber porquê.

Quando a solidão vem,
Falo com ele.
E o reconforto vem.
É tão real,
Como a minha sombra,
Quando caminho ao sol.

Se vem a insónia,
Pela madrugada,
Sem chat ou facebook,
Ligo para ele
E a resposta certa,
Chega na hora.
Clara e justa.
Ninguém tem razão
Para se sentir sozinho.

É tão real como
Respirar o ar...
Basta crer e confiar.

Berlim, 5 de Janeiro de 2014
21h37m
Joaquim Luís Mendes Gomes


sábado, 4 de janeiro de 2014

não sigo ao acaso...


Não sigo ao acaso...

Tenho em mim uma força
Inata,
Com raízes no indefinido
Que me guia em cada passo.
Mas respeitando o meu querer.

Não sou um adestrado,
Que uma corda puxa.

Procuro ser apenas recto
 E fiel
A essa luz que me alumia.

E, com tropeços,
Alguns enganos, avanço.
Vou subindo a encosta.

Lá de cima, vejo e sinto.
Tem sido certo o meu caminho.

Isso me conforta e me confirma.
Não é preciso ver
Para crer.
A verdade existe e nunca a vi...

Singapura é uma cidade,
Nas longínquas terras orientais...
Extremamente moderna
E cheia de verde!
E nunca lá estive...

Pelas pégadas frescas
Que deixaram à minha frente
E eu não vi,
Vejo e sei
Que alguém passou
E era gente...

Por isso vou seguro e firme.
Hei-de chegar
A um porto seguro.
Porque assim vivi.

Ouvindo música vária e linda...
Berlim, 5 de Janeiro de 2014
8h34m
Joaquim Luís Mendes Gomes








sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Portugal anémico...

Portugal anémico...

Era rubra e verde a Bandeira Nacional.
Com tantos castelos conquistados
a ferro e fogo,
Dos nossos avós.
Está exangue.

Tinha a glória da esfera armilar.
Que galvanizava o povo inteiro.
E envolvia todo o mundo.

Irradiava força e muito orgulho.
Cobria de esperança este País.
Por elas se sacrificaram muitas vidas,
Na flor da idade!...
Ao pé de nós...

Bastou uma geração de apátridas,
Uma praga feroz
De ervas daninhas,
Pior que sapos.

Sugou-lhe o sangue...
Reduziu-a cinzas..

A cobriu de vergonha
E a rasgou em trapos...

E não há fogo...
Não há pó...
Não há pólvora
Que a extermine!?...

Berlim, 3 de Janeiro de 2014
23h7m
Joaquim Luís Mendes Gomes



como árvore seca...


Como uma árvore seca...

Às vezes penso
Que seria melhor não pensar...

Nascer da terra,
Ficar preso ao chão,

Crescer e abrir os ramos,
Com folhas ao vento.
Indiferente às ventanias
E ao arder do sol.

Dar meus frutos.
Tudo de graça.
A quem os colher.
Ou cair para o chão.

Queria ser vertical,
Rumo ao infinito.
Sorver do ar,
A respiração.

E que meu oxigénio,
Como um relógio certo,
Fizesse pulsar
O coração das gentes,
Fazê-las sentir
Que precisam de mim
Como eu deles
E são meus irmãos.

Queria morrer só...de pé.
Como uma árvore seca.

Berlim, 3 de Janeiro de 2014
Joaquim Luís Mendes Gomes


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

amplexo solar...



Amplexo...solar

Não preciso de mantas de lã da serra
nem de lençóis de linho.

Nem de camas de mogno
ou colchões de penas.

Preciso só do teu abraço nu,
Na fortaleza estreme dos meus braços...

O resto é com o sol...de Agosto
Que traz em brasa meu coração.

Berlim, 2 de Janeiro de 2014
14h33m
Joaquim Luís Mendes Gomes


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

baralho de cartas...


O meu baralho de cartas...

Com o meu baralho,
Ergo um castelo,
Onde sou rei.
Muitos valetes
E muitas damas.

Com os paus eu planto árvores
Que me dão flores
E frutos.
E à sombra das suas copas,
Eu me regalo.

Com as espadas,
Eu terço armas,
Corto os paus
Que me dão lenha,
Faço fogueiras,
Com que me aqueço.

Com os oiros,
Crio tesouros,
Com que enriqueço
E compro cartas
Que nunca mais acabam...
E registo cartas,
Com frente verso,
E porte pago
Para todo o mundo...

Berlim, 1 de Janeiro de 2014
15h21m
Joaquim Luís Mendes Gomes

comboio 2014...

O comboio 2014...

Chegou à meia-noite em ponto,
À cidade de Berlim.

Havia calma. 
Pelos arredores,
Nas casas e nas famílias.

Todas bem apetrechadas
De tudo o que faz falta,
Ou é preciso,
Ali à hora.

A fartura é lei.
Sem desperdícios.
Tudo filtrado,
Quando entra em casa
E quando sai.

Nada vai ao acaso.
O racional
Está-lhes na massa do sangue.
Reflexão sempre presente
E em cada acto.

Até o simples apertar do sapato...
É com dois laços.

Ou o entrar no super.
Pela direita é que se entra
E pela esquerda,
É que se sai...

Não há lugar para festivais.
Pensava eu...

À meia-noite, em ponto,
O comboio chegou.
Trazia dentro o novo ano.

Irrompe, por todo o lado,
De cada casa,
De cada prédio,
Pelos ares acima,

Uma chuvada de fogo,
De artifício e fogo preso,
Com tal intensidade,
E tantas cores,

Com tanto estampido...
Parecia o fim do mundo.
Uma loucura!...

Era dia às cores,
na noite escura.

Baforadas de fumo,
Enevoavam as ruas...

Grossos estrondos dispersos,
De bombas...
na escuridão dos bosques.

Foi uma hora surreal.

Até me deu para ver fantasmas...
que por aqui andaram...

Por causa da simples chegada
Do 2014...

Ouvindo Brendan Perry

Berlim, 1 de Janeiro de 2014,
9h54m
Joaquim Luís Mendes Gomes