sexta-feira, 4 de abril de 2014

mesmo que tudo pareça desabar...

Mesmo que tudo pareça desabar...


Sou duma geração
De “antes quebrar...que torcer”...
Andou na guerra.
Pelo Ultramar!?...
Uma coroa de glória,
Cobiçada pelo mundo.
Quer se queira ou não...
Foi generosa.
Foi destemida.
Arriscou a vida por Portugal!...

Agora. Nesta altura da vida.
Já no final.
E está desarmada.
Está ser ultrajada.
Está a ser roubada,
Com tamanha vileza!...
Com cortes infames...
Nas suas pensões!...

Servem para tudo.
Para aguentar os “sem emprego”.
São aos milhões!...
Aguentar parasitas.
Vermes sedentos.
Incompetentes sem cor...
Uns arrogantes.


Estão a tentar destruir,
Mas não conseguirão!...
Podem ficar a saber.
Mais uma vez,
Portugal sempre será o que foi!?...

Ouvindo “memories” por Susan Erenz e André Rieu

Mafra, 5 de Abril de 2014
7h15m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quinta-feira, 3 de abril de 2014

brando, luminoso e subtil...

Brando, luminoso e subtil...

Seja brando,
Luminoso e subtil
O caminho que tu traçares.

Te leve longe.
Bem ao alto.
Até aos cumes
Das escolhas
Que fizeres.

Sejam quentes,
Seja vivas,
E fulgurosas
As pisadas ternas
Dos teus passos.

Deixem rasto,
Sejam guia
E oriente
Para as passadas
De quem, atrás,
Ou ao lado,
De olhos postos,
Te segue atento
Incerto e sequioso.

Brotem verdes,
De esperança,
Fulgurantes,
Sejam puras,
Sejam fonte
D’água viva,
As palavras
Que disseres.

Sejam estrelas
Luminosas,
Sempre acesas
Rutilantes,
Mostrem rumos,
Com certezas,
Sejam limpas,
Todas as marcas
Onde poisarem,
Ao de leve,
As tuas mãos.

Ouvindo Adágio de Albinoni, com Karajan

Mafra, 4 de Abril de 2014
7h11m

Joaquim Luís Mendes Gomes

erros meus...

Erros meus...

Abro a janela.
Aqui em Mafra.
Vou errar...
Perdidamente,
Nas asas do vento.

Como folhinha seca.
Por essas terras verdes,
À volta de Mafra.

Sobre o magno Convento.
Ao pé das torres,
Ouvindo os sinos.
Que lá estão escondidos.

Sobre a Tapada imensa.
Que já foi real.
Vendo os cavalos mansos.
Crinas voando.

Javalis e gamos,
Espreitando afoitos.

Velejando moinhos,
Nuas colinas,
De velas paradas.
Parecem dormindo,
Contando as horas,
Desgastando seu tempo.

Vou até ao mar,
Saborear as ondas,
Que chegam sem conta.
Vêm de longe,
Chegam cansadas.
Se deitam nas praias.

Sobre as encostas redondas,
Espraiadas ao sol.
Cobertas de verde,
Gerando o vinho,
Que há-de nascer.

Vou subir mais alto,
Para lá das nuvens.
Vou divisar Sintra,
Envolta de cinza,
Com seu castelo mouro.
Palácio da Pena,
Pintado de rosa,
Que foi dum louco
Que ardeu de amor.

Só voltarei para casa,
Lá para o cair da tarde,
Vou ficar à espera
Do sol a arder
Morrendo,
Para além do mar.

Mafra, 3 de Abril de 2014
14h38m
Joaquim Luís Mendes Gomes



dois espelhos....

Diálogo dos dois espelhos...

Admirável a franqueza do espelho limpo
Que me olha de frente,
Preso à parede.
É claro.
É directo.
Diz, cara a cara
O que sou de fora.

Os meus traços.
Minhas rugas.
Meus sinais.
Os meus cabelos.
Muito bem contados...
De tudo ele dá conta.

Se minhas barbas esbranquiçadas,
Estão bem contornadas.
Equilibradas.

Dos meus olhos,
Me mostra a cor.
E me sorri.
No fundo, quase me faz ver
O que tenho lá dentro
Que é só meu.
Nem eu entendo.

Olha-me de cima aos pés.
Se preocupa
Com minha linha.
Sapatos limpos.
Calças vincadas.
O nó da gravata.
Se está direito.
Em forma.
Que sentinela!

E diz-me adeus.
Quando me vou
E olho para trás!...

Quando volto.
Mal abro a porta,
Me saúda de lado.
Como quem diz.
Ainda bem.
Sejas bem vindo.

Que perderia eu
Sem o meu espelho!...
Seria a ideia só.
A fantasia.
De ser como não sou.

Perderia a verdade,
Fruto da luz
Que me vê de fora.

Mas, lá por dentro...
Um outro espelho brilha.

Esse me fala.
Muito franco.
Diz o que pensa.
Me orienta.
A cada passo.

Implacável.
Me bendiz
Na hora.
Com a mesma verdade
Com que me censura.
Não descansa
Enquanto não lhe prometo
Emendar o que dei errado.

È meu amigo.
É meu sensor atento,
Nas sendas tão sinuosas
Que a vida tem...

Ouvindo “ Nocturnos” de Chopin

Mafra, 3 de Abril de 2014
7h22m

Joaquim Luís Mendes Gomes

quarta-feira, 2 de abril de 2014

como pinha seca...

Como pinha seca dum pinheiro...

Se é só o corpo,
Frio,
Ou mesmo em brasa de paixão,
Que arde na hora de amar.

E se não se sente outro calor,
Mesmo que seja dum vulcão,
Naquela hora de amar,
Sem alma e sem paixão,

Fogo fátuo do desejo,
Cego e mudo,
Sem entrega,
Que se apaga breve,
Sem calor nem combustão,

Como a pinha seca dum pinheiro
Que se lança para queimar,
Arde logo,
Fica em brasa,
E se apaga num instante.

Assim é aquele amar
Que nunca aquece,
Mal acende,
Logo esquece,
De quem só pensa em receber...

Mafra, 2 de Abril de 2014
16h55m
Joaquim Luís Mendes Gomes


estais convidados!...

Estais convidados!...


Vamos todos!
Estais convidados!

Vamos viver abraçados
Como irmãos na terra,
Onde fomos postos.
Para sermos irmãos!

Vamos saborear a força imensa
Que temos em nós.
Nada mais tem.

A de amar...e de amar..
A de querer bem,
A quem está junto a nós
Ao longe
E em todo o lado.

Sem excepção!
Sem excepção!...

Brancos e Negros.
Pequenos e grandes.
Morenos e louros.
Olhos azuis ou castanhos.

Génios e magros.

Todos diferentes.
Todos iguais!...

Queremos a mar
E ser amados...
Por ti e por ti...
Sem distinção!

Por vezes erramos.
O caminho é extenso.
Dá para emendar.

O que importa é o bem
Cada um o tem
Para dar ou emprestar.
Há quem precise
Na hora que passa.
Estejamos atentos.
Pensemos nos outros
Que pensam em nós!...

Ouvindo a 5ª sinfonia de Beethoven

Mafra, 2 de Abril de 2014
7h36m
Joaquim Luís Mendes Gomes





terça-feira, 1 de abril de 2014

da terra ao céu....

Da Terra até ao Céu...

Vamos dar a volta à Terra.
Desprender todas as amarras
Que a prendem.

Pô-la a voar em Liberdade,
Por esse Universo imenso.
Como um astro azul.
Onde habita a Humanidade.

Mesmo que outras haja.
É por esta que eu grito
E exclamo, veemente.

Está na hora de pôr fim.
A tanta forma cruel
De extinguir a chama do amor
Que o Criador acendeu
Para sua glória
E nosso bem!...

Derrubem-se todas as comportas
E redutos de riqueza encalhada
Nas mãos parcas só d’alguns.

Corram rios abundantes
Por essas encostas,
Com afluentes.

Se encham repletas todas as mesas
Se reguem de pão e vinho.

Com a bênção que só a paz
Faz derramar em quantidade.

Se acabem as distâncias tão diferentes,
Entre os povos e as raças.
- Uns são tudo,
Outros pouco ou nada...-

Se abracem todos os povos
Como irmãos e tão iguais.

Se extingam as potências timoneiras
Que enchem de guerras
Esses vales e planícies abundantes
E tão férteis de riqueza...

Chega e sobra
Para dividir por toda a gente.
Nasça a vontade!...

Que o mundo inteiro
Viva em Paz e Liberdade!...

Ouvindo a 9ª Sinfonia de Beethoven, com Bernstein
Mafra, 1 de Abril de 2014
7h46m
Joaquim Luís Mendes Gomes